Reino Unido: Apple contesta segunda tentativa de acesso a dados do iCloud
Vladimir Maiakovski posa rodeado de amigos após regressar
dos Estados Unidos. Foto: Nikolai Petrov
A Apple apresentou uma nova impugnação judicial à exigência
do governo britânico de acesso aos dados encriptados dos seus clientes, meses
depois de ter retirado uma funcionalidade de segurança para utilizadores no
Reino Unido em vez de acatar uma versão anterior do mesmo pedido.
A tecnológica norte-americana apresentou no mês passado uma
queixa ao Investigatory Powers Tribunal (IPT), um
tribunal independente
que analisa alegações de atuações ilícitas dos serviços de informações
britânicos.
Em causa está por saber se o governo britânico pode obrigar
a Apple a conceder acesso a dados do iCloud que, de outro modo, estão
protegidos por encriptação tão robusta que nem a própria Apple os consegue ler.
Segundo uma decisão do tribunal, o ministério do Interior
britânico apresentou um segundo pedido de acesso oculto a dados encriptados do
iCloud pertencentes a utilizadores britânicos.
O Reino Unido recuou na exigência original no ano passado,
após um aceso diferendo com Washington. Essa primeira ordem, emitida ao abrigo
da Lei dos Poderes de Investigação em janeiro de 2025, pedia acesso tanto a dados de
clientes britânicos como norte-americanos.
As autoridades acabaram por restringir a abordagem, emitindo
mais tarde em 2025 uma nova “notificação de capacidade técnica” (technical
capability notice, TCN) limitada apenas a utilizadores no Reino Unido, ordem
que a Apple contesta agora.
As TCN obrigam as empresas a fornecer às autoridades de
aplicação da lei informações para investigações que incluem casos de terrorismo e abuso
sexual de crianças, mesmo quando esses dados estão protegidos por
encriptação.
Posição da Apple
A Apple afirma há muito tempo que não irá incorporar
qualquer forma de acesso imposto nos seus produtos.
A empresa sustenta, de forma mais abrangente, que qualquer
ferramenta desse tipo, uma vez criada, representa
um risco de segurança para todos os utilizadores, e não apenas para
os visados por um pedido específico.
A Apple retirou aos clientes
no Reino Unido o acesso à Advanced Data Protection, uma
funcionalidade opcional de segurança do iCloud que encripta os dados de forma
tão abrangente que nem a própria empresa lhes consegue aceder, depois de
receber a ordem original em fevereiro de 2025.
A Advanced Data Protection é uma funcionalidade de adesão
voluntária que acrescenta encriptação ponto-a-ponto à encriptação padrão do
iCloud, abrangendo elementos como cópias de segurança dos dispositivos,
fotografias e notas.
A Apple pode limitar quem tem acesso à funcionalidade em
função da região da conta e das definições de país, da mesma forma que
restringe outras funcionalidades específicas de determinadas regiões.
As notificações de capacidade
técnica continuam, por lei, envoltas em sigilo: as empresas que
recebem uma não podem confirmar a sua existência e o governo recusa-se
habitualmente a comentar casos concretos, invocando razões de segurança
nacional.
Esse sigilo está no centro das críticas de organizações da
sociedade civil, que defendem que poderes de vigilância desta dimensão deveriam
estar sujeitos a um escrutínio público maior do que o previsto no atual
enquadramento legal.
Fonte: Euronews, 3 de agosto de 2026

Comentários
Enviar um comentário