Trump anuncia "guerra económica" inédita contra Teerão
Donald
Trump tenciona cortar as vias utilizadas para manter os fluxos financeiros para
o Irão. Adiantou ainda que qualquer país que não respeite a medida irá também
sofrer consequências económicas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta
quarta-feira uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a
“operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer
país”.
Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar “qualquer tipo de tábua de salvação” ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.
O líder norte-americano precisou que a medida contempla
cortar as vias utilizadas para evitar as sanções e manter os fluxos financeiros
para o Irão, entre as quais o contrabando de petróleo, as linhas de câmbio de
divisas, as transferências de dinheiro vivo, as casas de câmbio, os registos de
navios e as empresas-fantasma.
Trump exigiu que todas estas operações “parem AGORA” e
avisou que Washington vigiará os países e entidades que permitam a sua
manutenção, apresentando a iniciativa como uma nova fase da pressão
norte-americana sobre Teerão, após assegurar que as Forças Armadas iranianas
ficaram gravemente debilitadas depois dos recentes confrontos e que a sua
economia se encontra à beira do colapso.
“Isto será um DIA D económico”,
afirmou, ao pedir aos aliados dos Estados Unidos que se juntem ao isolamento do
Irão e ao reiterar que o seu governo impedirá que o país obtenha uma arma
nuclear.
Anteriormente, Trump tinha indicado que “talvez a qualquer
altura” Washington e Teerão possam retomar negociações para pôr fim à guerra,
embora tenha assinalado que a atual situação no estreito de Ormuz “é muito boa”
e que muitos petroleiros o estão a atravessar sem problemas.
“Talvez em algum momento, embora neste preciso momento ache
que a situação [no estreito de Ormuz] é muito boa. Mas sim, talvez em algum
momento”, respondeu Trump na Casa Branca ao ser questionado sobre o estado das
conversações depois de o cessar-fogo bilateral assinado em junho ter expirado
esta última segunda-feira.
Após o ataque israelo-americano contra o Irão a 28 de
fevereiro, Teerão retaliou com ataques aos países vizinhos aliados de
Washington e bloqueou o estreito de Ormuz, uma via de trânsito estratégica para
os hidrocarbonetos. Os Estados Unidos, por sua vez, impuseram um bloqueio aos
portos iranianos.
Apesar de uma diminuição recente das hostilidades, as
tensões na região permanecem elevadas no sexto mês de conflito, com as
negociações diplomáticas num impasse.
“Nenhuma conversa ou discussão está a ter lugar neste
momento nem está programada com a República Islâmica do Irão”, declarou Donald
Trump na terça-feira.
Segundo uma fonte americana contactada pela agência France-Presse,
as conversações foram suspensas e Donald Trump pediu à sua equipa para não
retomar o diálogo enquanto Teerão não se aproximar das posições americanas.
Contudo, Teerão deu poucos sinais nesse sentido, com o
principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, a declarar que o estreito não será reaberto enquanto Washington não
cumprir os compromissos previstos
no protocolo de acordo assinado em junho.
Esse texto, que estabelecia uma trégua de sessenta dias com
vista a uma resolução duradoura, ficou sem efeito com a retoma das hostilidades
em julho.
Mohammad Bagher Ghalibaf, em visita a Bagdade esta
quarta-feira, denunciou também a “ingerência estrangeira”, num momento em que
Washington pressiona o Iraque a desarmar potentes fações armadas apoiadas por
Teerão, e apelou ao “reforço regional”.
Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países limítrofes do estreito
de Ormuz, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem.
O Irão, que ataca navios que tentam atravessar o estreito
sem pedir autorização, pretende impor taxas de navegação pelos serviços
prestados aos navios em trânsito, algo que os Estados Unidos e alguns países da
região recusam terminantemente.
Fonte: Observador, 20 de agosto de 2026
Aliados que não apoiem isolamento do Irão estarão
contra EUA, diz Bessent
O secretário do Tesouro norte-americano avisou esta
quinta-feira que os aliados que não apoiem a guerra económica contra o Irão
estarão contra os Estados Unidos (EUA) e apontou a queda do “regime assassino”
de Teerão como objetivo desta ofensiva.
"Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este
regime", disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana
CNBC, na qual se referiu à “maior operação
coordenada de isolamento económico do mundo", reforçando
palavras no mesmo sentido do presidente norte-americano, Donald Trump, quando
na véspera anunciara “um dia D” contra a economia iraniana.
Além dos aliados de Washington, o titular das finanças
norte-americanas instou também a China a tomar medidas se quiser “o estreito
[de Ormuz] reaberto” e que “os preços da energia voltem a cair", ao
referir que 50% da energia consumida pela segunda maior economia mundial tem
origem no Médio Oriente.
Durante a entrevista, Scott Bessent sustentou ainda que as
sanções económicas contra Teerão tornam menos provável o reatamento das
operações miliares em grande escala contra a República Islâmica.
"Se aplicarmos a máxima pressão económica, isso
significa que provavelmente não haverá uma retoma das operações militares em
grande escala, mas quero sublinhar que isso é por enquanto", declarou à
CNBC.
Fonte: CNN Portugal, 20 de agosto de 2026


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