UE afirma estar a preparar-se para rotular todos os produtos israelitas e suspender colaborações caso se inicie a construção de colonatos na área E1

A União Europeia está a preparar um pacote de sanções contra Israel caso o país leve avante o seu plano de construção de um grande colonato na área E1, particularmente controversa, na Cisjordânia, segundo uma notícia do Canal 13.

O governo israelita lançou, na terça-feira, um concurso para a construção de sete complexos residenciais com 1234 habitações na zona E1, a leste de Jerusalém, onde ativistas israelitas procuram dividir a Cisjordânia.

A emissora noticia, citando dois diplomatas ocidentais, que a UE elaborou uma lista de sanções iniciais caso a construção se inicie, à qual os Estados Unidos não se opõem.

A lista inclui a rotulagem de produtos israelitas — não apenas dos colonatos da Cisjordânia — além da redução das colaborações académicas e da suspensão de certas colaborações diplomáticas e de segurança.

A expansão da E1 liga as áreas de Jerusalém e Ma’ale Adumim, aparentemente descartando a perspetiva de uma presença palestiniana contígua entre os centros populacionais de Belém, Jerusalém Oriental e Ramallah — há muito considerados a base para um Estado palestiniano.

O projeto esteve congelado durante longos anos no meio de uma forte oposição da comunidade internacional, incluindo as anteriores administrações americanas, que temiam que a construção de um novo bairro residencial numa zona praticamente desabitada inviabilizasse o estabelecimento de um Estado palestiniano contíguo e viável.

As unidades habitacionais em licitação são algumas das cerca de 3400 unidades habitacionais da E1 que foram aprovadas em agosto de 2025. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, elogiou o plano de expansão da E1 na altura, afirmando que "praticamente elimina a ilusão dos dois Estados" ao dividir o território que seria destinado a um Estado palestiniano.

O projeto foi ontem muito criticado pelo secretário de Estado dos Assuntos Externos e da Commonwealth do Reino Unido, Ed Miliband, que o classificou de “inaceitável e destrutivo” e ameaçou tomar medidas.

Hoje, os ministros de extrema-direita Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir reagiram, tendo este último tweetado em inglês que “alguém deveria informar Ed que o Mandato Britânico para a Terra de Israel terminou em 1948 e que Israel é um Estado independente”.

E acrescentou: “Talvez, em vez de fingir que a era do Mandato terminou, ele devesse olhar pela janela para Londres, que se está a transformar rapidamente num califado islâmico”.

Smotrich afirmou de forma semelhante que o Mandato Britânico “acabou” e que não aceitaria “imposições de países estrangeiros” nem mudaria de rumo devido a “ameaças e sanções”, apresentando o projeto como uma necessidade de segurança nacional para evitar perigos para o Estado e “realizar o nosso direito histórico e bíblico à terra dos nossos antepassados”.

Fonte: Times of Israel, 20 de agosto de 2026

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