Uma vergonha para Portugal: embaixador de Israel pede cancelamento de concerto de Kanye West no Algarve
A UNICEF lamentou hoje que 265 crianças tenham sido mortas e mais de 400 feridas em bombardeamentos do exército israelita na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro passado."Desde que o cessar-fogo foi anunciado, em outubro de 2025, 265 crianças palestinianas foram assassinadas em Gaza. É um número chocante e devastador. Durante um período que devia ser caracterizado por contenção e proteção, morreu, em média, uma criança por dia, durante mais de oito meses", declarou o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), James Elder, numa conferência de imprensa em Genebra.
Elder sublinhou que o cessar-fogo tornou-se "uma ilusão cruel e mortal" para as crianças palestinianas.
"Sejamos claros sobre o que isto significa: estas crianças não morreram em zona de combate. Morreram nas suas casas, nas suas escolas, enquanto jogavam à bola, enquanto pescavam. Foram atingidas por tiros, bombardeamentos e ataques de drones", precisou.
Fonte: Diário de Notícias da Madeira, 19 de junho de 2026
A Embaixada de Israel em Portugal criticou o concerto de
Kanye West, marcado para esta sexta-feira, 7 de agosto, no Algarve, e defendeu
o cancelamento do espetáculo, devido às declarações públicas do artista
consideradas antissemitas e de apoio a Adolf Hitler e ao nazismo.
"Alguém que glorificou Hitler, promoveu o
antissemitismo e afirmou que a escravatura foi uma escolha, uma frase que
ofendeu profundamente milhões de descendentes das vítimas da escravatura. Isto
não é provocação, é discurso de ódio", condena o embaixador Oren
Rozenblat, num vídeo publicado nas redes sociais.
Num comunicado, o embaixador recordou declarações do músico, nas quais afirmou "gostar de Hitler" e ser "um nazi", acusando-o de glorificar o regime nazi, promover o antissemitismo e ofender comunidades afetadas pelo racismo e pela escravatura. A embaixada argumenta que estas declarações ultrapassam os limites da provocação e constituem discurso de ódio.
Rozenblat ressalta que outros países já tomaram medidas
contra atuações ou entradas do artista nos seus territórios, defendendo que
"uma sociedade democrática não deve dar palco a alguém que glorifica
Hitler, promove o nazismo e defende o antissemitismo".
A Embaixada de Israel em Portugal afirma ainda que pediu ao
presidente da Câmara de Faro o cancelamento do concerto e apela aos cidadãos
para não assistirem ao espetáculo, considerando que a realização do espetáculo
seria "vergonha para Portugal e para os portugueses".
“Comprariam um bilhete para um artista que promovesse o ódio
contra pessoas negras, contra muçulmanos, contra cristãos ou contra pessoas
LGBT? Se a resposta é não, porque razão deveria ser diferente quando o alvo são
os judeus?! Embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat
O embaixador de Israel em Portugal sublinha que a questão
não está relacionada com posições sobre Israel, mas com o que considera serem
declarações de ódio contra judeus.
Questiona ainda se os portugueses comprariam bilhetes para
um artista que promovesse ataques contra outras comunidades, como pessoas
negras, muçulmanas, cristãs ou LGBT, defendendo que o mesmo princípio deve
aplicar-se ao antissemitismo.
“Um não tema”
Torcato Jorge, CEO e cofundador da Raya Culture,
organizadora do evento, afirmou, anteriormente em entrevista à Euronews,
que o cancelamento do concerto de Kanye West é “um não tema”, motivado por
“desinformação”.
“É um evento de música que vai acontecer. Tornar-se-ia um
tema se os serviços identificassem uma ameaça nacional à ordem pública, o que
não é o caso”, reitera.
O organizador mostrou-se confiante de que existem todas as
condições para o concerto se realizar e afirma que a organização cumpriu a lei
desde o primeiro dia. “O SIS não identificou o artista, ou neste caso o cidadão
norte-americano, como uma ameaça nacional ou um terrorista”, relembra. “Tem de
haver um relatório de segurança interna do Estado que diga que este cidadão não
pode entrar no país”, acrescenta.
À Euronews, o CEO admite que a questão se está a
transformar “num tema político”. “Cada país é livre de decidir se permite ou
não a entrada de um cidadão mas, na União Europeia, não houve nenhum país que
tenha vetado a sua entrada em território nacional”.
Declarações polémicas e concertos cancelados
Nos últimos anos, Kanye West tem estado no centro de várias
controvérsias internacionais, sobretudo devido a declarações consideradas
antissemitas e a comportamentos polémicos, incluindo episódios associados a
atitudes sexistas, como o caso envolvendo a mulher, Bianca Censori, nos
Grammys.
Apesar de ter pedido desculpa por algumas declarações, a
digressão europeia do rapper, que também assume o nome artístico Ye, tem
enfrentado dificuldades, com concertos cancelados em vários países.
No Reino Unido, três atuações no festival Wireless,
previstas para julho, foram canceladas depois de o país revogar a autorização
de entrada do rapper. Em França, o próprio artista adiou o concerto previsto
para Marselha após críticas das autoridades locais.
Também a Polónia cancelou um espetáculo marcado para junho,
alegando motivos legais e formais, depois de críticas da ministra da Cultura às
declarações antissemitas do rapper. Na Suíça, o FC Basel decidiu não avançar
com um concerto previsto no seu estádio, afirmando que não pretendia dar uma
plataforma ao artista.
Em Itália, Kanye West viu também um concerto cancelado. O
espetáculo, previsto para julho em Reggio Emilia, foi interditado pelas
autoridades locais devido a preocupações relacionadas com a segurança e a ordem
pública, nomeadamente pelo potencial para protestos e distúrbios. Também o
rapper Travis Scott teve um concerto cancelado na mesma cidade italiana.
Um
público maioritariamente jovem, com o tom negro a dominar as indumentárias,
aguardava hoje com expectativa pela abertura de portas do Estádio Algarve para
o concerto do ‘rapper’ Kanye West, que regressa a Portugal após 15 anos
Um público maioritariamente jovem, com o tom negro a dominar
as indumentárias, aguardava hoje com expectativa pela abertura de portas do
Estádio Algarve para o concerto do ‘rapper’ Kanye West, que regressa a Portugal
após 15 anos.
Raparigas de calções ou minissaias, óculos escuros
futuristas, e rapazes com falsos coletes à prova de bala, calças ‘cargo’ e
botas de combate, “vestiam” de negro a árida paisagem que envolve o estádio em
Loulé que hoje recebe o norte-americano que se apresenta agora como Ye.
Fábio, de 29 anos, está exatamente assim vestido e explica à
Lusa que a sua indumentária é inspirada na estética do álbum “Donda”. Para o
brasileiro, a genialidade de Kanye West é estar constantemente a criar novos
géneros musicais e a inspirar gerações de artistas.
“Eu acho que os maiores nomes do ‘hip hop’ hoje em dia, do
rap, se a gente pensar em Kendrick [Lamar], Drake, Travis Scott, todos eles
tiveram uma inspiração em algum álbum do Ye, porque o som dele muda de álbum
para álbum. E a cada álbum é uma invenção nova, é um género novo que ele, entre
aspas, inventou naquela altura”, considera.
Relativamente às polémicas que têm marcado a carreira do
‘rapper’, nomeadamente devido à difusão de mensagens antissemitas, por sugerir
que a escravidão era uma escolha e ser contra a vacina da covid-19, Fábio
sublinha que já o “perdoou” e consegue separar a obra do artista em si.
“Eu tenho de acreditar no que ele disse. O que ele disse foi
que teve um diagnóstico bipolar, autista, e pediu desculpas. Está fazendo o
possível para se retratar com os povos com que ele foi ofensivo. Ele tem feito
o que consegue para se retratar. E desde essa retratação não houve, até agora,
um momento que mostre que não seja legítima essa mudança de perspetiva”,
reconheceu.
Também Ana, de 20 anos, que veio do Porto para ver o
concerto, diz conseguir separar a música de Kanye, que diz ser “icónica”, da
sua personalidade polémica e desculpabiliza-o por momentos menos felizes, pois
considera que “os artistas mais revolucionários são os que mais sofrem
mentalmente”.
“Claro que reconheço que há coisas que ele diz que não são
propriamente corretas de se dizer e podem ofender bastantes pessoas, mas também
reconheço e tenho empatia pelo facto de ele ter doenças mentais que lhe possam
ter feito dizer essas coisas. De certa forma, desculpabiliza”, refere.
Sergio, de 19 anos, percorreu, com o amigo Roman, de 18,
mais de 700 quilómetros para ver Kanye West atuar no Algarve, apenas uma semana
depois de o terem visto na capital espanhola: “Kanye West é o meu artista
favorito de sempre. Primeiro é o Michael Jackson, e depois, Kanye West”, diz
Sergio com convicção.
Os jovens espanhóis, naturais de Madrid, estão vestidos a
rigor, neste caso de negro, são igualmente condescendentes: “Eu não acho que
ele seja antissemita, por exemplo. Simplesmente, às vezes ‘passa-se’, por causa
da pressão que ele tem sobre ele. Não há nenhum artista do seu nível que não
esteja louco, é impossível”, diz, ainda, Sergio.
Na zona onde se aguarda pela
entrada de portas vê-se pouca população acima dos 30 anos, mas
aqueles que se veem, na sua maioria, vieram com os filhos, como é o caso dos
britânicos Andrew e Lynn, na casa dos 60 anos, que estão no Algarve de férias e
foram ao concerto para comemorar o 18.º aniversário do filho.
O pai diz que não conhecer bem a música de Kanye, mas as
polémicas, sim. Questionado sobre o que pensa da questão que envolveu a
divulgação de mensagens antissemitas, responde: “Eu apoio a Palestina, então eu
acho que muitas pessoas são silenciadas quando criticam Israel ou qualquer
coisa que tenha a ver com Israel. Qualquer pessoa que mostre qualquer tipo de
retórica anti-Israel é silenciada e criticada”, defende.
Em abril, o governo britânico proibiu a entrada do músico no
país, devido a declarações antissemitas, algo de que Lynn diz discordar
“absolutamente”, pois considera que a liberdade de expressão é muito importante
e que as pessoas devem ser livres de dizer do que gostam, ou não.
“Eu não acho que a música não deveria ser afetada pela
política. Eu não concordo com isso. Assim como acho que o desporto não deveria
ser afetado pela política. E eu também acredito que, se deixarmos de ter maus
políticos, então isso desaparece. Temos de deixar as pessoas dizerem o que
pensam serem responsáveis pelas suas palavras”, frisou.
Kanye West atua hoje no Estádio do Algarve, em Loulé, no
âmbito de uma nova digressão internacional com o álbum “Bully”.
Este será o terceiro concerto do ‘rapper’ norte-americano em
Portugal, depois de se ter estreado em 2006, no Cool Jazz Fest (Oeiras), e de
ter regressado em 2011, ao festival Sudoeste (Zambujeira do Mar).
O artista proferiu, ao longo dos últimos anos, várias afirmações de teor antissemita, teorias da conspiração sobre a comunidade judaica e declarações de apologia ao nazismo.
Estas afirmações resultaram na suspensão das suas redes
sociais, no cancelamento de contratos com marcas globais como a Adidas e até na
proibição de entrar em determinados países.
Fonte: Executive Digestl, 7 de agosto de 2026



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