Volkswagen está a “copiar” tecnologia Made in China. E é a XPENG quem manda
Durante
décadas, eram os fabricantes chineses que procuravam na Europa tecnologia e
conhecimento. Agora, essa tendência começa a inverter-se. A Volkswagen
aprofundou a parceria com a XPENG e prepara-se para colocar cada vez mais
tecnologia da marca chinesa dentro dos seus automóveis
A Volkswagen vai ser a primeira a usar a VLA 2.0
Um dos anúncios mais relevantes desta colaboração chegou em
março de 2026, quando a XPENG revelou que a Volkswagen será a primeira cliente
externa da sua tecnologia de condução inteligente VLA 2.0.
💡 O que
significa VLA?
A sigla VLA significa Vision Language Action e representa a
nova geração da arquitetura de inteligência artificial da XPENG para condução
assistida.
A ideia é simples de explicar, mas complexa de executar:
usar modelos de IA capazes de interpretar aquilo que as câmaras do automóvel
veem e transformar essa leitura diretamente em decisões de condução.
A chegada desta tecnologia aos automóveis Volkswagen está
prevista para 2027, para já apenas no mercado chinês.
Ainda assim, é um sinal claro do rumo que o setor está a
tomar: uma das maiores fabricantes automóveis da Europa a apoiar-se em IA
desenvolvida por uma marca chinesa numa área que vai ser central nos automóveis
dos próximos anos.
Tudo começou com um cheque de 700 milhões de dólares
A relação entre as duas marcas ganhou forma em 2023, quando
o Grupo Volkswagen investiu cerca de 700 milhões de dólares na XPENG, ficando
com aproximadamente 4,99% da fabricante chinesa.
O plano inicial era mais
modesto: desenvolver em conjunto dois veículos elétricos para o
mercado chinês. Mas a parceria cresceu depressa e passou a incluir também uma
nova arquitetura elétrica e eletrónica, com computação centralizada,
controladores de domínio e software.
Já há Volkswagen com "ADN" XPENG nas estradas
Esta colaboração já saiu do papel. Em março de 2026 arrancou a produção do Volkswagen ID.UNYX 08, um SUV elétrico desenvolvido em conjunto com a XPENG em apenas 24 meses, um tempo de desenvolvimento notavelmente curto para os padrões da indústria.
O modelo assenta numa arquitetura elétrica de 800 V, suporta
atualizações OTA e integra sistemas avançados de assistência à condução. É
também uma peça central da estratégia "In China, for China" da
Volkswagen, que procura encurtar os ciclos de desenvolvimento e criar
automóveis feitos à medida do consumidor chinês.
Na Auto China 2026, a marca alemã foi mais longe e mostrou o ID.UNYX 09, outro modelo nascido desta parceria.
Por baixo da carroçaria: nasce a CEA
A parte mais interessante desta colaboração está escondida
da vista. A Volkswagen Group China Technology Company, a CARIAD China e a XPENG
desenvolveram em conjunto a China Electronic Architecture (CEA), uma
arquitetura eletrónica zonal.
Na prática, esta arquitetura substitui as várias unidades de
controlo eletrónico independentes, comuns nos automóveis tradicionais, por uma
estrutura assente em computadores centrais de alto desempenho e controladores
zonais.
O resultado é menos complexidade eletrónica, cablagens mais
simples e, principalmente, um desenvolvimento de software mais rápido, com
novas funcionalidades a chegar via OTA.
A Volkswagen já produz automóveis assentes nesta
arquitetura.
E os híbridos e a combustão também vão beneficiar
Um detalhe que mostra bem a dimensão desta parceria: a nova
arquitetura elétrica e eletrónica não vai ficar reservada aos elétricos.
Volkswagen e XPENG decidiram alargar esta tecnologia a outras motorizações
vendidas na China, incluindo híbridos plug-in e modelos a combustão.
Isto significa que a tecnologia nascida desta colaboração
poderá acabar por chegar a uma fatia bem maior da gama Volkswagen no mercado
chinês.
China deixou de ser só fábrica e passou a ser
laboratório
O alcance desta parceria vai muito além da Volkswagen e da XPENG. Durante anos, os fabricantes europeus entraram na China através de joint ventures em que forneciam a maior parte da tecnologia, engenharia e conhecimento. Esse equilíbrio está a mudar.
As marcas chinesas tornaram-se extremamente competitivas em
plataformas elétricas, baterias, arquiteturas eletrónicas, software,
inteligência artificial e sistemas de condução inteligente.
A XPENG, que há poucos anos era apenas mais uma concorrente
chinesa das marcas europeias, é hoje parceira tecnológica de um dos maiores
grupos automóveis do mundo.
E é talvez esse o dado mais interessante de toda esta
história. Em abono da verdade, a Europa já não está só a exportar tecnologia
automóvel para a China. Está também a trazê-la de volta.
Fonte: pplware, 15 de agosto de 2026


Comentários
Enviar um comentário