Computador de Cabreiro alvo de buscas. Denunciante com telemóvel apreendido e computador investigado
Perry Mason
(1957-1966) – Ray Collins, Wesley Lau
Investigação
envolve o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro e tenta descobrir indícios de
que houve escutas ilegais no processo Rui Pinto, tal como denunciado por um
coordenador da Judiciária
O Ministério Público (MP) está a realizar buscas na Unidade
de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAT) da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito do
caso da denúncia contra o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro. A informação
foi avançada pelo Expresso e confirmada, entretanto, pelo Observador.
As buscas foram realizadas nas instalações da UPAT,
localizadas em Loures. O Correio da Manhã avançou, e o Observador
confirmou, que o posto de trabalho de David Freitas, coordenador da PJ que
apresentou a denúncia contra Cabreiro, foi igualmente alvo de buscas, tendo o
seu telemóvel sido apreendido.
Os procuradores do MP deslocaram-se igualmente à sede
nacional da PJ para realizar diligências no piso da direção nacional da PJ,
tendo realizado buscas no gabinete de Carlos Cabreiro e escrutinado o seu computador de trabalho. Ao
que o Observador apurou, uma das caixas de correio do agora diretor
nacional da PJ terá sido preventivamente apreendida.
Também vários membros da UPAT terão sido alvo de buscas nos
seus computadores, tendo ficado com as respetivas caixas de correio
apreendidas.
Questionada pelo Observador, fonte oficial da PGR desmentiu de forma cabal que o telemóvel do diretor
nacional da PJ tivesse sido alvo de apreensão, tal como foi
noticiado esta tarde. “Não foi apreendido o telemóvel do diretor nacional da
Polícia Judiciária”, lê-se na resposta da PGR.
A mesma resposta enfatiza pela segunda vez que os autos em
investigação “não têm arguidos constituídos”.
O caso que está na origem da denúncia contra Cabreiro
Na base deste inquérito está a alegada realização de escutas
ilegais no processo Football Leaks, que levou à condenação do hacker Rui Pinto
e do advogado Aníbal Pinto. O agora diretor nacional Carlos Cabreiro negou no depoimento prestado enquanto testemunha naquele
julgamento (e sob juramento) que
tivesse havido uma gravação do encontro entre Aníbal Pinto e os elementos
ligados à Doyen, o CEO Nélio Lucas e o colaborador Pedro Henriques, numa área
de serviço da autoestrada A5, em Oeiras, em 21 de outubro de 2015.
Contudo, documentação recentemente revelada publicamente por
um coordenador da PJ, David Freitas, que é
casado com a inspetora Aida Freitas, que esteve presente nessa
diligência e acabou por ser alvo de uma certidão para julgamento por falsas
declarações, veio levantar dúvidas sobre essa situação.
Em causa estará uma ordem de missão e um relato de
diligência que supostamente apontará para gravações feitas desse encontro no
âmbito da investigação do processo do hacker português. Após essas informações
foi apresentada uma denúncia contra o diretor Carlos Cabreiro pelos alegados
crimes de falsas declarações e abuso de poder.
Entretanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR)
confirmou formalmente as diligências. “No âmbito de inquérito a correr termos
no DIAP Regional de Lisboa realizam-se, esta quarta-feira, buscas em
instalações da Polícia Judiciária. No inquérito, do qual já foi dada nota
pública, investiga-se a eventual prática dos crimes de abuso de poder e de
falsidade de testemunho agravada”, lê-se na nota divulgada que ressalva que o
processo “não tem arguidos constituídos” e está sob “segredo de justiça”.
De acordo com o comunicado da PGR, o órgão de polícia
criminal que acompanha os magistrados nesta diligência de buscas é a Autoridade
Tributária (AT). “As diligências de busca e apreensão em curso contam com a
presença de diversos magistrados do Ministério Público, inspetores da
Autoridade Tributária e peritos
informáticos que coadjuvam a operação, e visam a recolha de
elementos probatórios”, acrescenta.
Paralelamente, um comunicado da PJ confirmou, entretanto, a
realização das buscas e garantiu que houve
colaboração com o MP.
“A Polícia Judiciária (PJ) confirma que foram realizadas,
esta quarta-feira, diligências processuais nas suas instalações, no âmbito de
um inquérito dirigido pelo Ministério Público. A PJ colaborou com as
autoridades judiciárias, prestando todo o apoio necessário ao normal
desenvolvimento das diligências”, adiantou a mesma fonte, descartando mais
comentários nesta fase devido à investigação em curso.
Fonte: Observador, 23 de setembro
de 2026

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