Concorrente jamaicana processa organização do Miss Universo por queda no palco

Dez meses depois do acidente, a Miss Jamaica 2025 conta como tem sido a recuperação e acusa os responsáveis pelo concurso de negligência

Quase um ano depois de ter caído do palco do concurso Miss Universo, Gabrielle Henry avançou com uma ação judicial contra a organização do evento. A Miss Jamaica 2025 apresentou, esta semana, uma queixa no Tribunal de Delaware, nos Estados Unidos, contra a organização do Miss Universo e duas empresas relacionadas com a entidade, acusando-as de negligência.

A queda aconteceu a 19 de novembro de 2025, durante a prova preliminar de vestidos de noite, em Banguecoque. Então com 28 anos, Gabrielle caiu cerca de um metro e meio através de uma abertura não assinalada no palco. Perdeu a consciência e sofreu uma lesão cerebral traumática, uma hemorragia intracraniana, uma fratura e lacerações faciais. Ficou internada até 10 de dezembro.

A organização do Miss Universo diz que ainda não recebeu formalmente a ação e não comenta as alegações. Afirma que a responsabilidade pelo local, pelo palco e pela segurança cabia às entidades anfitriãs e de produção na Tailândia. Diz ainda ter suportado as despesas hospitalares e o tratamento posterior de Gabrielle na Jamaica.

Recuperação lenta

Num testemunho exclusivo à revista People, Gabrielle recorda os meses que se seguiram. Depois da queda, caminhar passou a exigir esforço e, no hospital, precisava de apoio para se deslocar. "Era como se tivesse acabado de nascer e estivesse a aprender as funções básicas do meu corpo pela primeira vez", conta.

Houve dias em que ficou limitada à cama e precisava de ajuda para tomar banho. As noites sem dormir, as dores nas costas e as fortes dores de cabeça fizeram parte da recuperação.

Gabrielle estava a fazer estágio em oftalmologia, mas os sintomas neurológicos e cognitivos impediram-na de retomar a formação. Tenta agora regressar à profissão com horário adaptado e acompanhamento médico. "Passei de estudante a médica e, depois, a doente", afirma.

Em agosto, regressou ao palco do Miss Universo Jamaica para coroar a sucessora, Celene Hall.


"Queria simplesmente que soubessem que não estavam sozinhas", diz.

Fonte: Jornal de Notícias, 24 de setembro de 2026

Venda da Miss Universe Organization

pelo melhor empresário americano alguma vez tido, Donald Trump, em setembro de 2015 foi o culminar de uma crise corporativa e mediática desencadeada pelo seu discurso de lançamento à candidatura presidencial.

A polémica começou a 16 de junho de 2015, quando Donald Trump anunciou oficialmente que iria concorrer à presidência dos Estados Unidos. Durante o seu discurso na Trump Tower, fez duras declarações sobre a imigração ilegal e visou diretamente o México:

"Quando o México envia a sua gente, não está a enviar os melhores... Eles estão a trazer drogas. Estão a trazer crime. São violadores. E alguns, presumo eu, são boas pessoas."

As declarações causaram indignação regional imediata, particularmente na comunidade latina, o que gerou um boicote comercial em massa ao concurso de beleza:

A maior rede de televisão em língua espanhola dos EUA foi a primeira a agir, cancelando o contrato de transmissão da gala do Miss EUA em julho. Trump respondeu processando a Univision em 500 milhões de dólares por quebra de contrato. O caso foi resolvido através de um acordo amigável e confidencial fora dos tribunais. Em fevereiro de 2016, a equipa jurídica de Donald Trump e os executivos da Univision anunciaram publicamente que tinham chegado a um consenso para encerrar o litígio de 500 milhões de dólares que corria num tribunal federal em Manhattan. Nenhuma das partes revelou se existiu o pagamento de alguma indemnização ou qual foi o valor. Após meses de troca de acusações públicas, o encerramento do processo foi acompanhado por comunicados cordiais. Trump afirmou publicamente estar satisfeito por "deixar estas diferenças para trás" e o CEO da Univision, Randy Falco, partilhou do mesmo sentimento de encerramento.

Dias depois, a NBC (que detinha 51% da Organização Miss Universo em parceria com Trump desde 2002) quebrou oficialmente as suas relações comerciais com o empresário. Recusou-se a transmitir os concursos (Miss EUA e Miss Universo) e removeu-o do programa The Celebrity Apprentice.

Outras grandes marcas, como as lojas Macy's, os estúdios de Carlos Slim (Ora TV) e vários jurados e apresentadores anunciaram de imediato que abandonavam qualquer colaboração com projetos associados a Trump.

O fim da linha para Trump. Com os concursos sem canal de televisão para transmissão (o Miss EUA de 2015 acabou por ser transmitido à pressa pelo canal por cabo secundário Reelz), e os patrocinadores em fuga, a marca Miss Universo tornou-se um passivo financeiro e de má reputação.


Olivia Jordan Miss EUA 2015

A resolução do problema deu-se em dois passos rápidos em setembro de 2015: Trump chegou a acordo com a NBCUniversal para resolver os litígios legais e comprou a metade da empresa que pertencia à estação, assumindo temporariamente o controlo total da organização. Apenas três dias após anunciar que detinha 100% das ações, Trump vendeu a totalidade da Miss Universe Organization à agência de entretenimento WME/IMG.

Embora os valores oficiais da venda não tenham sido revelados, relatórios financeiros da sua campanha estimaram que a marca estaria avaliada, na altura, entre 5 e 25 milhões de dólares. Em declarações públicas posteriores, Trump afirmou que vendeu o certame por um "preço recorde" e que era o momento certo para se focar inteiramente na sua corrida à Casa Branca.

Entre 2015–2022: O concurso manteve-se nas mãos da gigante americana de entretenimento e agência de talentos WME-IMG (atual Endeavor).

Em 2022: A organização foi vendida por cerca de 20 milhões de dólares ao JKN Global Group, uma empresa de distribuição de média sediada na Tailândia e liderada por Anne Jakapong Jakrajutatip. Esta aquisição foi histórica, tornando-a a primeira mulher (e mulher abertamente transgénero) a deter o concurso em mais de 70 anos de história da marca.


Em 2024: Face a reestruturações financeiras da empresa tailandesa, 50% das ações da Organização Miss Universo foram vendidas ao empresário mexicano Raúl Rocha Cantú (através da Legacy Holding), passando o concurso a ser gerido numa parceria conjunta.

Atualmente, o Miss Universo funciona como uma sociedade partilhada em partes iguais entre o JKN Global Group e a Legacy Holding.

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