Declaração da presidente von der Leyen com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte
“Caro Mark, é sempre um prazer recebê-lo.
Estamos hoje reunidos para discutir o ataque da Rússia em
Leipzig. O governo alemão identificou a Rússia como responsável por uma
tentativa de ataque a aviões de carga no Aeroporto de Leipzig/Halle. Se este
ataque tivesse sido bem-sucedido, teria resultado em enormes danos e
possivelmente até em perda de vidas. Por isso,
quero ser muito clara sobre o que foi isto. Tratou-se de um ataque
com material de uso militar, levado a cabo por agentes russos em solo da UE. E
não o toleraremos. Manifestamos total solidariedade à Alemanha. E se a intenção
era fazer-nos repensar o apoio à Ucrânia, posso afirmar que isso apenas
fortaleceu a minha determinação. A intimidação não funcionará. E é por isso que
me encontro hoje com o secretário-geral da NATO. Estamos unidos. A Europa e a
NATO não só manterão a pressão sobre a Rússia, como a aumentarão. E não
pararemos. Não até que a Rússia deixe de bombardear e matar crianças, homens e
mulheres inocentes na Ucrânia.
Leipzig marca uma nova
escalada em solo europeu,
diretamente atribuída à Rússia. Mas faz parte de um padrão mais vasto de
incidentes cada vez mais perigosos. Incursões repetidas no nosso espaço aéreo.
Drones que paralisam os nossos aeroportos. Interferência na nossa
infraestrutura crítica. Os europeus enfrentam uma dura verdade: esta é a nova
normalidade. Temos de intensificar os nossos esforços. E isso significa estar
pronto para responder à imprudência da Rússia de forma mais rápida e eficaz.
Devemos tratar a nossa infraestrutura quotidiana como alvos prioritários e
protegê-la em conformidade. E apoiaremos
qualquer Estado-Membro que tenha a Rússia como alvo. A Europa já
dispõe de Equipas de Resposta Rápida que podem responder a este tipo de
ataques, quer ocorram dentro ou fora da nossa União. A nossa força, a nossa
preparação, a nossa determinação, são a nossa dissuasão.
Também o fazemos usando o poder do nosso Mercado Único. As nossas sanções enfraqueceram a economia da Rússia.
Podemos usar mais sanções e tê-las prontas a serem impostas, assim que tais
atos perigosos e que ameaçam a vida forem atribuídos. Cada brecha que a Rússia
explora é uma que devemos fechar. Hoje, na Irlanda, os ministros dos Negócios
Estrangeiros europeus estão a discutir novas listas. Na Comissão, estamos a
analisar formas de reduzir ainda mais as despesas militares da Rússia.
O meu segundo ponto de hoje diz respeito ao nosso apoio à
Ucrânia. Posso confirmar que recebemos hoje um
novo pedido de pagamento. Trata-se de uma encomenda no valor de
vários mil milhões de euros, que cobriria as defesas aéreas da Ucrânia,
incluindo os sistemas de defesa aérea PAC-3 Patriot, altamente avançados. Os
Estados-Membros estão a analisar o pedido da Ucrânia, mas posso afirmar que
está a avançar no sentido certo. Ao mesmo tempo, na Europa, estamos a trabalhar
com a Ucrânia no projeto FREYA. Este é um projeto europeu para construir as
nossas próprias defesas antimíssil balístico. Tudo
isto para além do empréstimo de apoio de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, que
já está em curso. Desde junho, libertámos 8,5 mil milhões de euros
para drones e mísseis para a Ucrânia. E este dinheiro seria também utilizado
para comprar aviões de combate à indústria europeia.
Finalmente, o meu terceiro ponto. Fazemos tudo isto em
conjunto com a NATO. O Mark e eu já estivemos
lado a lado vezes sem conta para expressar esta solidariedade, e
fazemo-lo hoje para mostrar que a Europa está unida. E que a Europa precisa de
mobilizar os seus recursos de defesa ainda mais rapidamente. A defesa aérea é
crucial. Precisamos de um sistema de alerta mais rápido e integrado em toda a
Europa. E depois precisamos de intercetar as ameaças mais rapidamente. É por isso que apresentamos um plano de investimento em
defesa de 800 mil milhões de euros. Incluindo 150 mil milhões de
euros através do SAFE, para que possamos investir mais, mas em conjunto e,
portanto, de forma mais inteligente.
Mark, a última vez que nos encontrámos foi na cimeira da
NATO na Turquia, onde discutimos estes temas. Como disse, a UE e a NATO
reforçam-se mutuamente. E hoje a nossa mensagem é muito clara. Estamos numa
nova era de segurança europeia. E o investimento europeu na defesa fortalece a
NATO e revitaliza a nossa base industrial. Continuaremos; prevaleceremos; e
deteremos qualquer um que ataque a nossa liberdade e segurança.”
Mark Rutte, porta-voz da NATO:
“Muito obrigado. E o meu breve discurso será para dizer que
concordo plenamente. Mas permita-me fazer algumas observações. Basicamente,
concordo plenamente com o que acabou de dizer. Por isso, querida Úrsula, é um
prazer estar aqui hoje. Obrigada por nos receber. Não faltam assuntos em que a
NATO e a UE trabalham em conjunto. E estou grato pela excelente cooperação
contínua.
O nosso último encontro foi em Ancara, na Turquia, durante a
Cimeira da NATO, e o sentimento era claro: os Aliados estão unidos no seu
compromisso mútuo, com a nossa defesa coletiva. E estamos plenamente
conscientes da importância de trabalharmos em conjunto, incluindo com a União
Europeia, para garantir que temos o necessário para enfrentar as ameaças que
enfrentamos. Isto significa investir mais na defesa, algo com que os Aliados se
comprometeram no ano passado em Haia, e um compromisso que já vimos concretizado
nos anos seguintes, com mais de 139 mil milhões
de dólares extra em despesas de
defesa por parte dos Aliados europeus e do Canadá em 2025. Isto é enorme, e a
tendência continua. Este investimento é necessário para adquirir capacidades,
mas precisamos que a indústria intensifique os seus esforços, e também neste
aspeto temos assistido a progressos incríveis. E quero deixar claro: não se
trata apenas de novas fábricas ou de linhas de produção adicionais, por mais
importantes que sejam. Trata-se também de facilitar a cooperação entre as
indústrias, tanto dentro da Europa como em toda a Aliança. Isto significa criar
oportunidades de cooperação. Trata-se de criar
emprego e apoiar a nossa segurança. É verdadeiramente benéfico para todos.
A Rússia tem-se tornado cada vez mais imprudente. Enquanto
continua a sua terrível guerra contra a Ucrânia, temos visto mais drones e
mísseis a atravessar o nosso espaço aéreo, ao longo da nossa fronteira leste,
aumentando o risco. Temos também assistido a um aumento de atividades malignas
que visam diretamente o nosso território, sejam incêndios provocados em
fábricas que produzem equipamento de defesa para a Ucrânia, ou mesmo o ataque híbrido russo em Leipzig, e
sim, estamos em total solidariedade com a Alemanha – toda a Aliança e a União
Europeia. Os exemplos são muitos. Os perigos que a Rússia representa são
claros, e estamos a trabalhar incansavelmente para garantir que estamos
preparados para manter a nossa população segura. Se a Rússia pensa que seremos
divididos pela ameaça, ou se pensa que seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia,
está enganada. A nossa unidade permanece inabalável. O nosso apoio à Ucrânia é
claro. Em Ancara, os Aliados concordaram em disponibilizar pelo menos 70 mil
milhões de euros para apoiar a Ucrânia este ano, e o mesmo montante no próximo.
O empréstimo da UE é um elemento crucial deste apoio. E Ursula, quero
agradecer-lhe por tudo o que fez para impulsionar este esforço. E, claro, o
apoio continua, incluindo a defesa aérea, que é vital para a Ucrânia. E muito obrigado
pelo que disse sobre a defesa aérea.
Portanto, sim, temos muitos assuntos na ordem do dia, e
espero continuar a estreita cooperação entre a NATO e a União Europeia à medida
que avançamos com este trabalho, bem como a estreita cooperação entre nós os
dois, que está a tornar tudo muito gratificante. Obrigado.”
Antes de ser caixeiro viajante de influência e armamento americanos, Mark Rutte, o rapaz do sorriso fácil, e que adora disciplinação do daddy, agia contra os avisos americanos de que comprar gás barato à Rússia, e não caro à América, não era boa ideia. Mais tarde, em guerra híbrida, Vladimir Putin vai explodir o Nord Stream, como quase explodiu o aeroporto de Leipzig.
Mark Rutte esteve presente na cerimónia de inauguração do primeiro troço do gasoduto Nord Stream a 8 de novembro de 2011, em Lubmin, na Alemanha. Participantes: Mark Rutte (então primeiro-ministro holandês), Dmitri Medvedev (presidente da Rússia), Angela Merkel (chanceler da Alemanha), François Fillon (primeiro-ministro de França) e Günther Oettinger (comissário europeu para a Energia).
Mega gasoduto inaugurado: Rússia dá gás à Europa
A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente russo, Dimitri Medvedev, abriram hoje simbolicamente a torneira do gasoduto do Mar Báltico, em Lubmin, na Alemanha, que passará a fornecer gás da Sibéria a vários países da Europa Ocidental
A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente russo, Dimitri Medvedev, abriram hoje simbolicamente a torneira do gasoduto do Mar Báltico, em Lubmin, na Alemanha, que passará a fornecer gás da Sibéria a vários países da Europa Ocidental.
Na cerimónia, que contou também com a presença dos primeiros ministros da França, François Fillon, e da Holanda, Mark Rutte, a chanceler alemã destacou a "extraordinária importância" da Rússia como parceiro de destaque da Europa no fornecimento de energia.
"Apesar de todos os esforços de diversificação das fontes de energia, ficaremos unidos durante décadas", disse Merkel, sublinhando que a parceira energética com a Rússia "oferece enormes oportunidades".
1224 quilómetros de comprimento
A chanceler lembrou ainda que o gasoduto, que se estende por 1224 quilómetros, através de vários países, é um dos maiores projetos de infraestruturas da atualidade, "e é exemplar para a cooperação entre a Rússia e a União Europeia".
Medvedev, que também discursou na cerimónia, garantiu, por sua vez, que o gasoduto "tem meros objetivos económicos, lembrando que a própria União Europeia avaliou a sua necessidade suplementar de gás natural até 2020 em cerca de 200 mil milhões de metros cúbicos.
O chefe de estado russo referiu-se também à atual crise, fazendo votos para que os parceiros europeus "superem todas as dificuldades e garantam o crescimento económico".
55 mil milhões de m3 /ano
O gasoduto Nord Stream fornecerá anualmente 55 mil milhões de metros cúbicos de gás natural à Europa, ligando Wyborg, na Sibéria, a Lubmin, no Estado federado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia, através do Mar Báltico, sem passar, por exemplo, pelo território da Polónia, o que suscitou alguns protestos de Varsóvia.
Os Estados bálticos que integravam a ex-União Soviética também expressaram o seu descontentamento por o gasoduto não passar pelos seus territórios, chegando a falar de uma "reedição do pacto ente Hitler e Estaline" para se apoderarem da Letónia, Estónia e Lituânia.
Os países escandinavos da costa do Mar Báltico, por sua vez, mostraram algumas reservas ambientais, tardando a dar as necessárias licenças para a construção da gigantesca conduta de gás natural nas suas zonas marítimas.
Investimento de 7,4 mil milhões
A pipeline custou 7,4 mil milhões de euros, e foi construído pelo consórcio euro-russo Nord Stream. O gás provém da península de Jamal, na Sibéria Ocidental, uma região com reservas de gás natural avaliadas em mais de um bilião de metros cúbicos.
O comissário europeu da energia, Günther Oettinger, que também esteve hoje em Lubmin, dissipou receios de uma exagerada dependência quer da Alemanha, quer de outros países da União Europeia, dos fornecimentos de energia da Rússia.
"A dependência é mútua, porque, ao fornecerem-nos gás, os russos também ficam a depender do nosso dinheiro", disse Oettinger à emissora berlinense Inforadio.
Fonte: Expresso, 8 de novembro de 2011



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