Entre o futebol e o trono: guarda-redes da nona divisão inglesa escolhido para ser rei no Uganda

O guarda-redes George Desmond Kamurasi, do SE Døns, clube que alinha no nono escalão do futebol inglês, foi escolhido pela população para ser o novo rei de Tooro, uma região do Uganda. Sucessão acontece após a morte do primo, que subiu ao trono com apenas três anos

Conhecido como Big G, o atleta, de 36 anos, que é também capitão da equipa, poderá trocar as luvas pela coroa na sequência da morte do primo, o rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, no mês passado.

Segundo noticiou a imprensa do Uganda, 15 dos 18 membros do comité de sucessão real presentes na eleição, na sexta-feira, votaram em Kamurasi. A proclamação do novo rei será este fim de semana, após o funeral de Oyo, que ascendeu ao trono em 1995, com apenas três anos.

O guardião do SE Døns ainda não anunciou se aceita abandonar a carreira desportiva em Londres para assumir funções. De acordo com fontes próximas do processo, estará relutante em fazê-lo.

Fundado pelo rapper britânico Don Strapzy, o emblema ganhou notoriedade através das redes sociais e do Youtube, onde os seus jogos são transmitidos.

Fonte: Jornal de Notícias, 9 de setembro de 2026

Filho desconhecido e "prisão domiciliária": a complexa disputa de sucessão ao trono no Uganda

A mãe de Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, um rei tradicional do Uganda que morreu no mês passado, mas que já foi o monarca mais jovem do Mundo, afirmou, esta quinta-feira, que está a ser mantida contra a sua vontade no palácio com outros membros da família real devido a uma disputa de sucessão

O Uganda é uma república, mas reconhece oficialmente os reis tradicionais, que servem principalmente como instituições culturais com um poder político limitado. O rei Oyo, que subiu ao trono aos três anos e reinou sobre o Reino de Tooro, no Uganda, durante 31 anos, morreu enquanto recebia tratamento contra o cancro nos Estados Unidos. O Guinness World Records reconheceu-o como o monarca reinante mais jovem do Mundo.

O processo de sucessão em Tooro é complexo. Em vez de a coroa passar de acordo com uma linha de sucessão estabelecida, o monarca de Tooro é escolhido entre os Babiito, o clã dinástico real, que, na quarta-feira, anunciou que o príncipe Edward Rukidi Kijanangoma, apresentador de notícias da emissora pública UBC, foi escolhido para suceder ao primo como rei. Kijanangoma, de 56 anos, é filho do príncipe Christopher Paul Kijanangoma e neto do ex-rei de Tooro, George David Rukidi III.

Filho biológico desconhecido

A escolha foi contestada pela princesa Ruth Komuntale, irmã do falecido rei, que acusou os "abutres malvados" de conspirarem contra ela e a rainha-mãe. A princesa apresentou um testamento, que, segundo a própria, foi redigido pelo rei em 2022, designando "um filho biológico" como herdeiro, sem revelar o seu nome. De acordo com a princesa, Oyo deixou "instruções muito rigorosas" sobre a sua sucessão e estabeleceu alternativas caso o menino não pudesse assumir o trono.

No entanto, representantes do clã afirmaram que as notícias de que Oyo teria um filho não eram suficientes, pois a criança não havia sido formalmente apresentada ao clã real. "Um rei não pode dormir com uma prostituta na rua ou uma empregada doméstica, ter um filho e ele ser elevado ao trono", escreveu Andrew Mwenda, uma figura influente no Uganda, natural de Tooro, na rede social X (antigo Twitter). "Isto não significa que Oyo tenha feito algo do género. Significa simplesmente que não estava oficialmente casado e, se deixou um filho, Tooro precisa de conhecer a mãe e a sua origem".

Mwenda é um associado próximo do filho do presidente Yoweri Museveni, o chefe do exército, o General Muhoozi Kainerugaba, que exerce uma crescente influência sobre o país e prometeu suceder ao pai.

Outro possível sucessor é o príncipe George Desmond Kamurasi, jogador de futebol de um dos clubes amadores mais conhecidos do Reino Unido. Segundo o comité de sucessão, o capitão e guarda-redes do South East Dons, de 36 anos, recusou a oferta do trono, alegando outras responsabilidades.

Rainha-mãe denuncia "prisão domiciliária" antes do funeral

Na quinta-feira, a rainha-mãe Best Kemigisa divulgou um comunicado, afirmando que as tropas "retiraram a guarda real sem aviso prévio e foram posicionadas em redor do palácio". "Não podemos sair ou receber pessoas livremente. Estamos em prisão domiciliária", declarou. "Apelo àqueles que lutam pelo trono: por favor, haverá tempo para tudo isto. Deixem-nos lamentar e enterrar o meu filho, o rei Oyo."

Milhares de pessoas são esperadas para o sepultamento do monarca nos túmulos reais perto do palácio em Fort Portal, no oeste de Uganda. O corpo do falecido rei foi repatriado dos EUA para o Uganda na sexta-feira passada.

Fonte: Jornal de Notícias, 10 de setembro de 2026

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