França: pai de aluno preso por ameaçar decapitar professora
R.J. Decker
(2026) - Adelaide Clemens, Bevin Bru, Mélodie Rose Romano
Um homem foi condenado na quinta-feira a seis meses de
prisão efetiva, com detenção imediata, pelo tribunal correcional de Toulouse,
depois de ter ameaçado "cortar a cabeça” a uma professora da escola do
filho.
Os factos remontam a 4 de setembro, três dias após o início
do ano letivo. Convocado pela direção da escola onde do filho de nove anos, em Le Fauga, uma
localidade perto de Toulouse, o pai de três crianças confrontou uma professora
no parque de estacionamento do estabelecimento.
O filho acabara de ser mudado de turma devido ao seu
comportamento. Ao vê-lo sorrir à saída das aulas, a professora tinha-o
convidado a não “se armar em esperto”, observação que o pai não aceitou.
A altercação continuou depois no interior da escola, onde o
pai reiterou as ameaças, nomeadamente perante a diretora.
Palavras de “grande violência”
Durante audiência no tribunal, o arguido apresentou
desculpas, afirmando não ter “medido a gravidade” das suas palavras.
Descrevendo-se como “muito
protetor” dos filhos, garantiu não ser uma pessoa violenta e disse
não saber o que lhe aconteceu naquele dia.
O presidente do tribunal, Fabrice Rives, denunciou
“declarações extremamente preocupantes” e de “grande violência”, fazendo
referência explícita ao assassínio de Samuel Paty.
A procuradora da República, Marie Caumont, tinha requerido seis meses de prisão com pulseira
eletrónica. Pediu igualmente uma ação de sensibilização para a
cidadania, assim como a proibição, durante três anos, de contactar a professora
ou de se aproximar da escola.
O tribunal foi mais longe ao decretar seis meses de prisão
efetiva, com detenção imediata, mantendo as penas acessórias requeridas pelo
Ministério Público.
A advogada de defesa, Me Majouba Saihi, reconheceu “factos
graves”, mas pediu que o seu cliente fosse
julgado como “um pai de família”, sem atender à sua confissão muçulmana.
Professora “traumatizada”
Com 58 anos e experiente, a professora está atualmente de
baixa médica. Encontra-se “traumatizada”, segundo o advogado do reitorado, Me
Jocelyn Momasso-Momasso.
O ministro da Educação, Edouard Geffray, indicou que lhe foi
concedida a “proteção funcional”. Anunciou igualmente a aplicação de um decreto
publicado este verão para proteger o pessoal da Educação Nacional face às
ameaças e violências de pais de alunos.
Em vigor desde o fim de julho, o diploma permite impor a
mudança de escola a um aluno quando um dos pais “compromete gravemente” o seu
funcionamento ou “faz recair um risco claro sobre a segurança ou a saúde de um
membro da comunidade educativa”.
Em audiência, o arguido referiu já ter aceitado mudar de
escola dois dos três filhos que ali estavam inscritos.
Fonte: Euronews, 11 de setembro de 2026




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