Incêndio deflagra no café Nicola na baixa de Lisboa


 Um incêndio deflagrou esta quinta-feira à tarde no histórico Café Nicola, no Rossio, em Lisboa. O alerta foi dado por volta das 15h10 e o fogo foi extinto cerca de uma hora depois, por volta das 16h15. O incêndio causou um ferido ligeiro, que foi conduzido ao Hospital de São José

Um incêndio deflagrou esta quinta-feira à tarde no Café Nicola, na Praça D. Pedro IV, no Rossio, em Lisboa. O alerta foi dado por volta das 15h10. Para o local foram destacados cerca de 30 operacionais, apoiados por 10 viaturas, de acordo com o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa.

O incêndio causou três feridos ligeiros, nomeadamente funcionários do estabelecimento, que foram encaminhados para o hospital por precaução.

O incêndio obrigou ainda à evacuação do edifício ao lado do Café Nicola, uma cantina do Banco de Portugal. O alerta foi dado por volta das 15h10 e o fogo foi extinto cerca de uma hora depois, por volta das 16h15.

O vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Rodrigo Gonçalves, afirmou que o incêndio que deflagrou esta tarde no Café Nicola, em Lisboa, provocou danos na cave e no rés-do-chão.

Fundado em 1797, o Café Nicola é um dos cafés mais antigos da capital. Nasceu como “Botequim do Nicola”, em homenagem ao fundador italiano Nicola Breteiro. Apenas em 1929 surgiu o “Café Nicola”, como é conhecido até aos dias de hoje.

O espaço é conhecido por ter sido a “segunda casa do poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage”, que tem uma estátua no local, e por ter sido frequentado por alguns dos principais escritores, artistas e políticos ao longo das décadas.

O Botequim Nicola, que nasceu com a baixa pombalina e se tornou célebre no reinado de D. Maria I, foi passando por vários donos e atividades, até que em 1928 Joaquim Fonseca Albuquerque transfere para si a já tão famosa casa. Adotando o nome de Café Nicola, este continuou a ser preferido pela gente da época. A 2 de outubro de 1929 é inaugurado o Café Nicola. Desde a fachada exterior, de autoria do arquiteto Norte Júnior, até à baixela em prata, nenhum pormenor foi esquecido. No interior, a talha de madeira, ferros forjados e muitos lustres compunham a decoração. Uma escultura de Marcelino de Almeida que evocava o Bocage surpreendeu todos os que correram ao renascido café. O poeta também era personagem principal das telas do pintor Fernando Santos que decoravam as paredes do estabelecimento.

Em 1935, o Café Nicola foi remodelado, dando-lhe um estilo moderno, déco e geométrico fazendo a transição dos anos 30 para os anos 40. As telas foram substituídas pelas atuais, representando as mesmas cenas e pertencendo ao mesmo pintor.

Só a escultura de Bocage e a fachada se mantiveram intactas. O Café Nicola, piso térreo, incluindo o património móvel integrado encontra-se Em Vias de Classificação. Por sua vez, o imóvel onde este estabelecimento comercial está instalado faz parte da Lisboa Pombalina, que está classificada como Conjunto de Interesse Público.

Fonte: SIC Notícias, 10 de setembro de 2026

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