Jamaica apresenta pedido de reparações pela escravatura ao Reino Unido

 

Uma delegação do governo jamaicano em visita à Grã-Bretanha vai apresentar, na segunda-feira, uma petição dirigida ao Rei Carlos III, levantando a questão das reparações pela escravatura, indicou o ministério da Cultura de Kingston

A ministra jamaicana da Cultura, Olivia Grange, chefiará a delegação "a fim de fazer avançar a campanha liderada pela Jamaica a favor de reparações para os antepassados africanos que sofreram durante centenas de anos de escravatura", precisou o ministério num comunicado.

A petição pede ao rei, que é o chefe de Estado da Jamaica, que remeta três questões relativas à legalidade do tráfico transatlântico de escravos para o mais alto tribunal de recurso da ilha das Caraíbas, sediado em Londres.

Segundo a delegação, é a primeira vez que um país da Commonwealth recorre a esta via jurídica para fazer avançar a questão das reparações: "Esta abordagem jurídica inovadora é adotada após anos de deliberações e visa garantir a resolução, há muito esperada, de centenas de anos dos abusos mais horríveis que os nossos antepassados africanos suportaram", declarou Olivia Grange.

A delegação solicita um parecer consultivo sobre três questões: "A escravatura de africanos na Jamaica era legal à luz do direito inglês? Violou o direito internacional? E a Grã-Bretanha tem hoje a obrigação legal de conceder reparações?"

O rei tem "reiteradamente expresso o seu compromisso pessoal e sem reservas em promover uma melhor compreensão da questão da escravatura e em encontrar formas de reparar os danos históricos em benefício das comunidades de hoje", declarou um porta-voz do Palácio de Buckingham.

A ministra Olivia Grange deverá também reunir-se com responsáveis do British Museum para discutir a restituição de artefactos da era colonial.

O monarca, de 77 anos, e a sua mulher, a rainha Camilla, deverão viajar para as Caraíbas no âmbito de uma viagem ao estrangeiro que não inclui a Jamaica.

Os membros da família real britânica contemporânea têm expressado remorsos pelo tráfico de escravos que enriqueceu os seus antepassados, mas abstiveram-se de apresentar desculpas oficiais ou de se comprometerem com o pagamento de reparações.

Fonte: Notícias ao Minuto, 6 de setembro de 2026

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