Macklemore afastado da digressão de Ed Sheeran após defesa da Palestina
Macklemore ft.
Collett – No Bad Days
Rapper
norte-americano diz que se as palavras "Free Palestine" lhe
"custaram o palco, ao mesmo tempo que fizeram com que a conversa voltasse
à Palestina, então foi a digressão mais bem-sucedida em que alguma vez
participou"
O rapper norte-americano Macklemore foi afastado da
digressão “Loop” de Ed Sheeran após uma mensagem de apoio à Palestina em palco.
Há muito defensor da causa palestiniana, bem como dos
direitos das pessoas em Gaza, o artista natural de Seattle fez as declarações
na sua primeira atuação na “tour” do cantor inglês, a 4 de setembro em Nova
Jérsia.
“Uma grande parte da razão pela qual quis fazer esta
digressão, em primeiro lugar, foi para poder subir a estádios como este e dizer
duas palavras que são muito queridas ao meu coração: 'Libertem a Palestina
[Free Palestine]'”, começou por dizer, citado pelo The Guardian.
Macklemore insistiu no tema, dizendo que queria que aquelas
palavras fossem ouvidas “em alto e bom som”, para que as pessoas desde Gaza até
à Cisjordânia ocupada soubessem “que não nos esquecemos delas”.
À medida que mostrava imagens da destruição provocada pelos
ataques militares israelitas em Gaza, acrescentou que no dia em que não disser
o que sente “para manter o próprio conforto e o do público” deixa de “merecer
estar em palco”. Também houve tempo para apontar a mira à administração Trump,
classificando o Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro dos EUA (ICE) como
uma “organização terrorista”.
Numa segunda atuação, a 5 de setembro, o rapper dirigiu-se
diretamente aos membros judeus do público. “Criticar Israel, criticar o
Apartheid, ser contra o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vocês.
A minha mensagem é de paz, amor; para que todos os seres humanos sejam tratados
com dignidade, respeito e igualdade”, esclareceu.
As declarações levaram o Israeli American Council a lançar
uma petição para exigir a retirada do artista da digressão, alegando que os
seus comentários levantavam a questão de “onde deve ser traçada a linha quando
um artista de abertura utiliza uma plataforma de concertos global para promover
uma agenda política unilateral”.
Multiplicaram-se as reações em torno do comportamento de
Macklemore. O grupo StopAntisemitism acusou o músico de ter “apanhado” os fãs
de surpresa com “propaganda anti-Israel”. No Instagram, a cantora Pink
escreveu: “Enquanto mãe judia, isso assustou-me e assustou pessoas que amo.”
A promotora da digressão de Ed Sheeran, Messina Touring
Group, declarou que foi informada pelos recintos onde estão previstas as
próximas datas do espetáculo de que “não permitirão a realização de um concerto
com Macklemore, o que resultaria no cancelamento da digressão e afetaria
centenas de milhares de fãs”.
Em declarações à Rolling Stone, a promotora anunciou
que o artista americano deixaria de atuar ao lado de Ed nas restantes datas.
A confirmação de Macklemore chegou momentos depois, esta
segunda-feira. A partir de uma publicação nas redes sociais, o rapper informou
que Ed Sheeran e a sua equipa tinham decidido retirá-lo da digressão, após uma
semana de “conversas difíceis”.
Apesar de ser ele quem dá nome à notícia, reforçou que, nem
ele, nem Sheeran, nem Pink eram as vítimas. “As vítimas são o povo
palestiniano. Os homens, mulheres e crianças que foram mortos, privados de
alimentos, deslocados e obrigados a viver uma violência inimaginável”,
sublinhou.
O artista que está agora no centro da polémica afirmou ainda
que a sua amizade com Ed Sheeran “não pode mudar a sua responsabilidade de
dizer a verdade sobre o que aconteceu”, dizendo mesmo que, se as palavras “Free
Palestine” lhe “custaram o palco, ao mesmo tempo que fizeram com que a conversa
voltasse à Palestina, então foi a digressão mais bem-sucedida em que alguma vez
participou”.
A cantora Pink esclareceu mais tarde que “não fala por
Israel ou por qualquer governo”, acrescentando que “nunca pediu que outro
músico fosse silenciado”.
Fonte: CNN Portugal, 14 de setembro de 2026

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