Milei endurece disputa pelas Malvinas com sanções e nova base naval
Laura Sommaruga
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou na
quinta-feira sanções contra as empresas que explorarem recursos naturais nas
Ilhas Malvinas e a construção de uma base militar num dos pontos continentais
mais próximos do arquipélago do Atlântico Sul.
"Iremos proibir as empresas envolvidas, direta ou
indiretamente, em projetos nas Ilhas Malvinas sem autorização argentina de
operar em território argentino", afirmou Milei numa mensagem transmitida
pela televisão nacional.
O chefe de Estado anunciou ainda a assinatura de um decreto
para aumentar os recursos do ministério da Defesa com o "objetivo
prioritário" de construir uma base naval integrada na província da Terra
do Fogo, cujo território a Argentina considera que inclui as Malvinas, sob
ocupação britânica e cuja soberania é reivindicada pelo país sul-americano.
"Esta base tornar-nos-á o polo logístico mais
importante do Atlântico Sul e será fundamental para a projeção geopolítica da
Argentina", afirmou.
Milei anunciou que assinará um decreto para acelerar a
aplicação de sanções às empresas que operam nas Malvinas, aos seus acionistas,
dirigentes e fornecedores, e que enviará ao Parlamento um projeto de lei para
endurecer as penas contra essas empresas, as quais não poderão operar no
território continental argentino e poderão ser sujeitas a julgamentos à
revelia.
Milei referiu-se, em
particular, ao projeto do consórcio formado pela empresa israelita Navitas
(65%) e da britânica Rockhopper (35%) de extração de petróleo bruto nas ilhas,
que poderá marcar o início da exploração petrolífera no arquipélago ocupado
pelo Reino Unido desde 1833.
"Se hoje não agirmos com firmeza e rapidez, dentro de
poucos meses terão a capacidade material de se apropriarem das reservas de
petróleo que se encontram sob o nosso mar, algo que nunca tinha acontecido até
agora", afirmou Milei.
A Argentina já impôs sanções à Rockhopper em 2013 e à
Navitas em 2022. A petrolífera britânica Borders & Southern e a canadiana
JHI também detêm licenças de exploração petrolífera nas ilhas.
Milei antecipou que procurará que as sanções se apliquem a
outras atividades nas Malvinas, cuja economia se baseia na pesca, turismo de
cruzeiros e na criação de ovinos.
O presidente argentino explicou que o projeto de lei que irá
apresentar criará também um Conselho de Segurança Nacional, que
"estabelecerá um quadro para a proteção das infraestruturas críticas e
para a proteção aeroespacial e marítima" da Argentina.
"Um país pobre e sem
Forças Armadas dificilmente poderá avançar de forma eficaz nas suas
reivindicações soberanas", afirmou Milei, acrescentando que
"proteger o Atlântico Sul é também uma questão de segurança
nacional".
O chefe de Estado afirmou ainda que as grandes nações irão
competir pelos recursos necessários "para alimentar o crescimento que a
era da inteligência artificial trará" e que, "nessa disputa, a
Antártida será um dos principais focos de interesse e concorrência".
No "mundo sopram ventos
de mudança favoráveis" à reivindicação argentina de soberania,
disse Milei, referindo-se às recentes declarações do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, que disse estar disposto a "rever" a posição de
neutralidade de Washington na disputa entre a Argentina e o Reino Unido.
"Trump declarou que os Estados Unidos estão a reavaliar
a sua posição histórica em relação às Malvinas", sublinhou. "Esta
ameaça não é inofensiva. Os Estados Unidos estão
a ponderar essa mudança de posição porque sabem que têm na Argentina um
parceiro de confiança, alinhado com os valores ocidentais, numa posição de
relevância estratégica, que pode ser um aliado valioso nas próximas décadas",
acrescentou.
O Reino Unido, segundo o presidente argentino, enfrenta
"múltiplas crises de natureza migratória, demográfica e económica, que
dificilmente terão solução", considerando "evidente que [o país] está a percorrer um caminho de declínio".
Pelo contrário, na sua opinião, "o futuro da Argentina é próspero e irá
prevalecer".
Fonte: TVI Notícias, 4 de setembro de 2026

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