Pentágono revoga temporariamente diretrizes sobre exames de testosterona a soldados norte-americanos

Laura Sommaruga

O Pentágono vai suspender temporariamente as diretrizes clínicas, recentemente publicadas, sobre uma nova obrigatoriedade de triagem de deficiência de testosterona em militares com mais de 30 anos.

O anúncio foi feito à Reuters por uma fonte oficial do Pentágono não identificada.

A decisão surge depois de, na quarta-feira, o Pentágono ter publicado no seu site um documento intitulado: "Diretrizes Clínicas para Otimização da Saúde e do Desempenho Humano".

No entanto, esta quinta-feira, tanto o ficheiro como uma declaração complementar do porta-voz Sean Parnell foram removidos.

“A versão preliminar (do documento) publicada a dois de setembro de 2026 foi temporariamente revogada para permitir atualizações", diz a fonte do Pentágono citada pela Reuters.

As diretrizes clínicas detalhadas estabeleciam protocolos separados para o rastreio da deficiência de testosterona em homens e mulheres, que deveriam ser realizados anualmente durante as avaliações de saúde.

O Pentágono justificou a decisão com o facto de ter como objetivo melhorar a prontidão militar, identificando e gerindo problemas hormonais e de disponibilidade de energia.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que tem promovido o uso de testosterona, anunciou esta obrigatoriedade dos exames de triagem em julho.

O anúncio motivou várias questões entre especialistas sobre se haveria uma base científica para a decisão política.

O regulador norte-americano - a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) - vai, aliás, realizar uma reunião com especialistas em meados de setembro para discutir o uso medicinal da testosterona.

Os médicos norte-americanos já manifestaram preocupação com o facto de testes generalizados de testosterona poderem levar a tratamentos desnecessários ou potencialmente prejudiciais, afirmando que há poucas evidências científicas de que uma triagem universal para baixa testosterona entre militares venha a significar uma melhoraria da prontidão de combate dos EUA.

Fonte: CNN Portugal, 3 de setembro de 2026

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