Porque é que as moedas têm ranhuras? A explicação é estranha!
iCarly
(2007–2012) - Jennette McCurdy, Nathan Kress
Se já tiveste uma moeda na mão (e claro que já tiveste), de
certeza reparaste num detalhe curioso: muitas delas têm ranhuras à volta, como
se fossem pequenas linhas gravadas no metal. Mas afinal… para que servem? Será
apenas decoração? Uma questão de design? Ou esconde-se aqui uma história bem
mais estranha? Spoiler: a resposta tem a ver com burlas, ladrões habilidosos e
até com acessibilidade para pessoas invisuais.
A origem das ranhuras nas moedas
Nos séculos XVII e XVIII, as moedas não eram apenas um
pedaço de metal com valor atribuído pelo Estado. Eram literalmente feitas de
ouro e prata maciços, e o seu valor correspondia ao peso do metal precioso.
O problema? Onde há oportunidade, há espertos. Muitos
começaram a raspar ligeiramente as bordas das moedas para recolher pequenas
limalhas de ouro e prata. Depois, juntavam esse pó metálico, fundiam-no e
ficavam com lucro fácil enquanto as moedas continuavam a circular, mas cada vez
mais leves e com menos valor real.
Era a chamada prática de “clipping”.
Resultado? O sistema monetário começava a desmoronar-se,
porque o dinheiro deixava de valer o que devia.
A solução genial contra os burlões
Para travar este truque, alguns países começaram a fabricar
moedas com bordas serrilhadas. Ou seja, as famosas ranhuras.
Assim, se alguém tentasse raspar, o esquema ficava logo
visível: a moeda perdia as marcas, denunciando a burla.
Ou seja: as ranhuras não nasceram como estética. Eram um
verdadeiro sistema de segurança antifraude da época.
E funcionou. De tal forma que, ainda hoje, mesmo quando as
moedas já não têm metais preciosos, muitas continuam a trazer esse detalhe
histórico gravado.
A função moderna das ranhuras
Mas se hoje as moedas já não valem pelo peso do metal, por
que razão continuam a ter ranhuras?
Tradição: trata-se de um detalhe que ficou associado à ideia
de moeda autêntica.
Segurança: continua a dificultar falsificações, porque exige
moldes mais complexos.
Acessibilidade: talvez o detalhe mais bonito: as ranhuras
ajudam pessoas invisuais a distinguir moedas pelo tato.
Em Portugal, por exemplo, quem não vê pode identificar
facilmente a diferença entre moedas de 10 cêntimos (lisinha) e de 20 cêntimos
(com ranhuras distintas).
Curiosidades que quase ninguém sabe
As moedas de 1 euro têm ranhuras interrompidas: parte lisa,
parte serrilhada. É um truque adicional para distinguir pelo toque.
Já houve países que tentaram abolir as ranhuras, mas
voltaram atrás depois de queixas de invisuais.
As primeiras máquinas automáticas de venda usavam justamente
o tato das ranhuras para verificar autenticidade.
Então… ainda fazem sentido hoje?
A resposta é sim. Mesmo que já não seja pelo ouro ou pela
prata, as ranhuras continuam a:
• Dificultar a falsificação;
• Ajudar invisuais a reconhecer moedas;
• Manter uma ligação cultural e histórica à forma
como o dinheiro evoluiu.
Ou seja, aquele detalhe que parece apenas “um enfeite” é, na
verdade, um dos maiores truques de design inteligente da história.
Da próxima vez que pegares numa moeda e passares o dedo
pelas bordas, lembra-te: aquelas pequenas linhas contam uma história de
burlões, de reis preocupados em salvar as finanças do reino e até de
acessibilidade para milhões de pessoas.
Um detalhe minúsculo que, no fundo, ajudou a mudar a forma
como entendemos o dinheiro.
Fonte: Leak, 15 de setembro
de 2026

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