Procurador-geral da Ucrânia demite-se em plena investigação por corrupção
The
Thundermans (2013–2018) - Matthew Villar, Reagan Fernandez
Demitiu-se o procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko,
numa altura em que decorre uma grande investigação por corrupção envolvendo
responsáveis da sua própria estrutura.
Os organismos anticorrupção do país, o NABU e a SAPO, afirmam ter descoberto um grupo
criminoso cujos membros terão recebido subornos de call centers fraudulentos e
branqueado milhões em proveitos ilícitos.
O gabinete de Kravchenko foi alvo de buscas no âmbito da
investigação, enquanto gravações divulgadas pelo NABU referem-se a uma pessoa
descrita como o “chefe”.
Segundo os investigadores, essa pessoa tem o patronímico
Andriiovych e chefiou anteriormente o Serviço Estatal de Impostos, detalhes que
coincidem com o perfil de Kravchenko.
Kravchenko não foi formalmente constituído arguido e nega
qualquer envolvimento. Ao anunciar a demissão, afirmou ter apresentado o pedido
ao presidente Volodymyr Zelensky e ao parlamento, qualificando a saída como uma
“decisão política”.
“Não quero que o cargo de procurador-geral seja usado como
instrumento de confrontação política”, declarou Kravchenko. “A minha posição em
relação às acusações mantém-se inalterada.”
O NABU e a SAPO indicaram que o alegado
grupo foi criado em meados de 2025 e
integrava procuradores no ativo, bem como pessoas exteriores à
Procuradoria-Geral. Segundo os investigadores, os membros recebiam subornos
regulares em troca de permitirem que call centers fraudulentos operassem sem
interferências.
O dinheiro terá sido branqueado através da compra de
imóveis, de bens registados em nome de terceiros e de contas bancárias
pertencentes a associados. Até agora, os investigadores identificaram cinco
alegados membros do grupo.
Entre os detidos está Serhii Kropyva, adjunto do chefe do
departamento de cooperação internacional da Procuradoria-Geral.
O Alto Tribunal Anticorrupção
da Ucrânia ordenou a sua detenção
preventiva até 2 de novembro e fixou a caução em 2,32 milhões de euros.
Kropyva é suspeito de branquear bens no valor de mais de 1,7
milhões de euros e foi suspenso das funções.
Numa audiência em tribunal, um procurador da SAPO referiu-se
ainda à relação de proximidade entre Kropyva e Kravchenko.
Documentos do processo alegam que Kropyva tratou de obras numa casa em Kozyn, uma zona abastada a sul
de Kiev onde vive Kravchenko. Este afirmou que a família arrenda o imóvel.
Kravchenko disse nunca ter dado instruções a ninguém para
facilitar a atividade de call centers ilegais nem ter usado o cargo para os
proteger.

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