Quem é Khalid Sheikh Mohammed, o homem que planeou o 11 de Setembro e só será julgado em 2028?
Anna (2019)
- Sasha Luss, Cillian Murphy
Osama
bin Laden tornou-se o rosto da Al-Qaeda após o 11 de Setembro de 2001, mas é
Khalid Sheikh Mohammed o alegado arquiteto dos atentados que marcaram para
sempre a história da humanidade. O julgamento daquele que era um dos principais
membros da Al-Qaeda está agora marcado para junho de 2028, quase 27 anos depois
da tragédia que parou o mundo
Na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 terroristas da
Al-Qaeda sequestraram quatro voos comerciais nos Estados Unidos. Dois aviões
colidiram com as Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque; um
atingiu o Pentágono, em Washington, D.C., e outro caiu num descampado em
Shanksville, na Pensilvânia.
A partir desse dia, Osama bin Laden tornou-se o rosto do
maior ataque terrorista da história, mas o mentor e arquiteto dos atentados de
11 de Setembro foi outro homem. Quem é, afinal, Khalid Sheikh Mohammed, que
será só será julgado nos próximos anos?
Um dos principais membros da Al-Qaeda
Nascido a 14 de abril de 1965, na cidade do Kuwait, Khalid
Sheikh Mohammed é um terrorista paquistanês e antigo responsável pela
propaganda da Al-Qaeda, organização terrorista internacional fundada pelo
saudita Osama bin Laden.
Aos 18 anos, foi estudar para os Estados Unidos e, aos 21, formou-se em Engenharia Mecânica. Aos
22 anos, KSM, que tem pelo menos 50 pseudónimos, viajou para o Paquistão e
juntou-se aos jihadistas que combatiam as tropas soviéticas no Afeganistão.
Durante os primeiros anos da década de 1990, Khalid Sheikh
Mohammed, juntamente com o sobrinho Ramzi Yousef, trabalhou no “Plano Bojinka”,
que tinha como objetivo realizar uma série de atentados terroristas.
Entre as operações previstas estava a explosão, em pleno
voo, de 12 aviões de companhias norte-americanas que viajassem de ou para os
Estados Unidos. O plano, que era financiado por Bin Laden, foi abortado em
janeiro de 1995.
No ano seguinte, Khalid Sheikh Mohammed apresentou ao líder
da Al-Qaeda uma versão aperfeiçoada do “Plano Bojinka”: a proposta de
sequestrar vários aviões comerciais nos Estados Unidos e lançá-los contra
edifícios importantes.
A complexidade do plano levou Bin Laden a recusá-lo
inicialmente, mas acabaria por aceitá-lo no final da década de 1990, depois de
Khalid Sheikh Mohammed reformular a estratégia, que previa o sequestro de
aviões e a utilização das próprias aeronaves como armas contra alvos nos
Estados Unidos.
Mentor dos ataques do 11 de setembro de 2001
Atualmente com 61 anos, é considerado o alegado responsável
por planear e supervisionar os ataques terroristas como parte da “Holy Tuesday Operation”. ("Operação
Terça-Feira Santa", em português), nome de código utilizado pelos
terroristas da Al-Qaeda para se referirem aos atentados de 11 de Setembro.
Durante um depoimento de Khalid Sheikh Mohammed, citado pelo
Le Monde e pela Folha de S. Paulo, o plano incluía inicialmente
ataques às duas Torres do World Trade Center, ao Pentágono e ao Capitólio, além
da Casa Branca, da Torre Sears, em Chicago, e de uma embaixada estrangeira em
Washington.
Julgamento marcado para junho de 2028
Khalid Sheikh Mohammed foi detido a 1 de março de 2003, no
Paquistão, cerca de dois anos após os atentados terroristas, numa operação que
envolveu a CIA e os serviços de inteligência paquistaneses. Desde 2006,
encontra-se detido na prisão de segurança máxima de Guantánamo, em Cuba.
Khalid Sheikh Mohammed, juntamente com outros três
cúmplices, Ammar al-Baluchi, Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi, enfrentou
um longo processo, marcado por inúmeros atrasos, na Base Naval da Baía de
Guantánamo. A decisão do tenente-coronel Michael Schrama surge 25 anos após os
ataques.
O julgamento está agendado para começar a 5 de junho de
2028, duas décadas depois de as acusações terem sido inicialmente apresentadas
perante uma comissão militar, em 2008.
Há dois anos, em julho de 2024, KSM e outros dois arguidos
detidos em Guantánamo chegaram a um acordo com os procuradores militares para
se declararem culpados pelo homicídio de 2.976 pessoas, em troca de evitarem a
pena de morte. O acordo foi posteriormente
revogado pelo então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
Até à data, o francês Zacarias Moussaoui foi a única pessoa
condenada nos Estados Unidos pelos ataques de 11 de Setembro. Atualmente com 58
anos, cumpre uma pena de prisão perpétua numa cadeia de segurança máxima no
estado norte-americano do Colorado, por cumplicidade nos ataques reivindicados
pelo grupo terrorista Al-Qaeda.
Fonte: SIC Notícias, 11 de setembro
de 2026

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