Taróloga Maya apanhada em escuta a angariar acompanhante de luxo

Eunice Carvalho, a conhecida taróloga Maya, foi apanhada nas escutas da investigação ao "caso Elefante Branco", um clube de alterne de luxo de Lisboa, que chegava a ter cerca de 80 mulheres a trabalhar. Luís Torres e Pedro Gameiro estão entre os principais acusados no processo, que envolve mais seis pessoas e quatro empresas, num alegado negócio de exploração sexual

As contas de três sociedades associadas ao grupo registaram, entre 2019 e maio de 2025, ano em que o esquema foi desmantelado pela PSP, mais de 22 milhões de euros.

Fonte: Jornal de Notícias, 7 de setembro de 2026

Maya e o caso Elefante Branco: "Nunca pactuaria com uma situação de incentivo à prostituição"

A taróloga e apresentadora da CMTV Maya rejeitou, esta segunda-feira, qualquer envolvimento no alegado esquema de exploração sexual investigado no processo do Elefante Branco, depois de o seu nome surgir numa escuta telefónica realizada no âmbito da investigação

"Não há aqui qualquer acusação ou participação minha em qualquer rede de tráfico ou de exploração", afirmou Maya, em reação à notícia avançada esta segunda-feira pelo JN que dá conta que Maya foi identificada nas escutas da investigação ao caso Elefante Branco.

Segundo a acusação, em fevereiro de 2023, a apresentadora contactou Luís Torres, um dos principais acusados no processo, para tentar arranjar uma mulher. A acompanhante de luxo era destinada ao amigo de uma amiga, que "queria companhia para estar, para jantar... para essas coisas todas".

Já esta segunda-feira, no "Grande Jornal da Tarde", do canal de televisão da Medialivre, a taróloga sublinhou que não é arguida no processo, nem nunca foi ouvida pelo Ministério Público. "Fui eu a fazer um telefonema a uma pessoa para que outra pessoa pudesse marcar um jantar. Portanto, não há qualquer incentivo meu ou responsabilidade criminal", afirmou.

Maya rejeitou igualmente qualquer interpretação de que o contacto pudesse representar uma forma de incentivo ou facilitação da prostituição. "Eu não sou ingénua, obviamente, nem estou aqui a defender o indefensável. O que eu estou a dizer é que nunca na vida eu pactuaria com uma situação de incentivo à prostituição ou de facilitar a prostituição", declarou.

A taróloga considera ainda que é importante distinguir entre a procura de companhia e os crimes que estão sob investigação no processo. "Uma coisa é uma companhia, outra é prostituição e exploração sexual, que é muito mais grave e é disso que este processo trata", afirmou.

"Tenho uma rede de contactos enorme"

A ligação de Maya ao Elefante Branco, explicou, existiu também no âmbito da sua atividade profissional. Em 2019, antes da conversa telefónica agora divulgada, foi contratada para prestar serviços de comunicação e relações públicas relacionados com a abertura do novo espaço.

"Poucas pessoas sabem que eu sou relações públicas. Tenho três atividades essenciais: sou taróloga, sou apresentadora de televisão e tenho uma empresa de comunicação e relações públicas", explicou.

Segundo Maya, esse trabalho consistiu na divulgação da abertura do espaço junto da comunicação social, através de um comunicado de imprensa e do envio de fotografias, estando a prestação de serviços documentada por faturas e troca de e-mails. "É claro que eu trabalhei na noite. Não é segredo para ninguém. Portanto, tenho uma rede de contactos enorme", afirmou.

Maya disse ter tido apenas esta segunda-feira acesso ao conteúdo da escuta, apesar de já ter conhecimento da existência do processo, e considerou que a conversa não tem relevância para a investigação. "É uma escuta perfeitamente, eu diria, irrelevante", afirmou.

A apresentadora mostrou-se, contudo, disponível para prestar esclarecimentos em tribunal caso venha a ser chamada como testemunha. "Estou à espera de poder ser, enfim, chamada como testemunha e lá estarei, com toda a franqueza e toda a frontalidade que me caracteriza", afirmou, acrescentando que considera essa presença um "dever cívico".

A acusação sustenta que o negócio associado ao clube de alterne lisboeta assentava, entre outros aspetos, no consumo de bebidas e em encontros sexuais.

Luís Torres e Pedro Gameiro estão acusados de tráfico de pessoas para exploração sexual, além de outros crimes.

Fonte: Jornal de Notícias, 7 de setembro de 2026

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