UE sanciona propagandista pró-Kremlin Xenia Fedorova

O regresso de Xenia Fedorova à antena em França parece hoje mais improvável do que nunca: já proibida de entrar em território francês por fazer propaganda pró-Kremlin, é agora alvo de novas sanções, bem mais abrangentes.

A União Europeia acusa a antiga dirigente da RT France, tornada entretanto uma das figuras mediáticas do grupo do multimilionário conservador Vincent Bolloré, de ter desempenhado “um papel ativo na difusão de discursos pró-russos em França e na União, no contexto da guerra de agressão conduzida pela Rússia contra a Ucrânia”.

O nome de Fedorova foi acrescentado ao anexo do regulamento de execução do Conselho, que identifica as pessoas singulares visadas por “medidas restritivas em razão das atividades de desestabilização conduzidas pela Rússia”.

Na prática, as sanções preveem o congelamento dos seus bens em todos os países da UE, bem como a proibição de lhe serem colocados fundos à disposição, o que lhe impede, nomeadamente, de receber um salário. Está igualmente proibida de entrar e permanecer nos 27 Estados-membros e não pode sequer transitar pelo território da UE.

De acordo com este documento publicado quinta-feira no Jornal Oficial da UE e consultado pela Euronews, é-lhe imputado ter difundido “discursos alinhados com os promovidos pelas autoridades russas”.

“Xenia Fedorova apresentou, designadamente, o apoio ocidental e europeu à Ucrânia como um fator de prolongamento da guerra, descreveu a Rússia como um país em busca de paz enquanto retratava a Europa como defensora da confrontação, pôs em causa factos comprovados relativos à transferência e à deportação ilegais de crianças ucranianas e difundiu discursos que apresentam as políticas europeias e da NATO como ameaças à segurança europeia”, pode ler-se no documento.

A decisão, oficializada esta quinta-feira, tinha na realidade sido tomada mais cedo. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros revelara já a informação na quarta-feira, durante uma conversa com a imprensa nas Nações Unidas.

A partir de Nova Iorque, Jean-Noël Barrot “saudou” o acordo dos 27 para reproduzir a nível europeu as medidas já adotadas por França.

Reagindo à oficialização das sanções, na quinta-feira, o chefe da diplomacia francesa declarou que “a França, tal como a União Europeia, continuará a travar as atividades de desestabilização conduzidas pela Rússia no nosso território”.

“A nossa determinação é total: aqueles que pensam poder conduzir impunemente manobras hostis à nossa democracia sofrerão as consequências”, acrescentou.

Mais tarde, ao início da tarde, o Quai d’Orsay precisou que a inscrição de Fedorova na lista negra, apresentada como a de uma “agente de influência russa ativa em França”, tinha sido proposta conjuntamente por França e Alemanha.

Disputa em torno do regresso à antena

Na sua decisão, a UE recorda que, desde a suspensão das atividades de difusão da RT, Xenia Fedorova passou a intervir regularmente em vários meios de comunicação franceses, nomeadamente na CNews, na Europe 1 e no JDD, “através dos quais continuou a difundir estes discursos junto de um vasto público em França”.

Desde o final de julho, a antiga dirigente da RT France está sujeita a uma ordem de expulsão e ao congelamento dos seus bens.

“O seu comportamento atenta contra os interesses fundamentais do Estado” e a sua presença no território “constitui, por esse motivo, uma ameaça particularmente grave e atual para a ordem pública”, explicara então o ministério do Interior, dirigido por Laurent Nuñez.

Pouco depois, o advogado de Fedorova garantiu que se encontrava “no estrangeiro, de férias” quando soube das medidas tomadas pelas autoridades francesas. Desde então, Xenia Fedorova permanece desaparecida, enquanto nos bastidores o grupo Bolloré parecia preparar o seu regresso à antena, à distância.

A 10 de setembro, Laurent Nuñez ameaçou a CNews com “sanções penais” caso tal cenário se concretizasse.

Numa carta dirigida à ARCOM, regulador do audiovisual francês, revelada pelo Le Monde e pela AFP, o ministro considerava que uma intervenção da propagandista a partir do estrangeiro poderia “facilitar as ações de ingerência que lhe são imputadas”.

Xenia Fedorova, que interpela regularmente as autoridades francesas na plataforma X e contesta a expulsão em tribunal, ainda não reagiu às sanções europeias.

Fonte: Euronews, 24 de setembro de 2026

Que haja uma propagandista russa e que do outro lado haja jornalistas demonstra uma mentalidade infantil de contos de fadas específica dos péssimos dirigentes europeus atuais. 

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