Uma crise dentro de outra crise: Ceuta regista quase uma agressão sexual por dia desde a entrada massiva de migrantes no território

 

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Desde 30 de julho, foram registados 23 casos de agressão sexual em Ceuta, revela ao jornal El País a procurada-chefe de Ceuta, Silvia Rojas. É quase um caso por dia. As entidades espanholas estão a investigar oito suspeitos relacionados com os casos, quatro marroquinos, três espanhóis e um belga

Desde a entrada massiva de 70 a 80 mil migrantes no território autónomo espanhol de Ceuta, ocorrida nos dias 30 e 31 de julho, houve 23 casos registados de agressões sexuais contra mulheres e raparigas, a maioria migrantes.

O número, revelado pela procuradora-chefe da Fiscalía (órgão equivalente ao Ministério Público) de Ceuta, Silvia Rojas, equivale a quase um caso por dia e está a expor a vulnerabilidade de mulheres e menores migrantes que permanecem na cidade autónoma espanhola.

Segundo revela o jornal El País, Silvia Rojas afirmou que "as raparigas migrantes se encontram numa situação de especial fragilidade devido ao seu estatuto irregular". Entre os casos registados pelas autoridades, estão nove vítimas menores de idade.

A Procuradoria investiga atualmente oito suspeitos relacionados com os casos de agressão sexual: quatro marroquinos, três espanhóis e um cidadão belga.

O problema tinha começado a emergir publicamente em meados de agosto, cerca de meio mês depois da entrada de cerca de 70 a 80 mil migrantes em Ceuta, vindos de Marrocos, entre eles 1400 a 1600 menores, de acordo com dados citados pelo El País. Nessa altura, o mesmo jornal noticiou que os tribunais de Ceuta investigavam três migrantes marroquinos por alegadas agressões sexuais cometidas após a entrada massiva de pessoas no território.

Duas das vítimas eram menores e pelo menos seis jovens migrantes tinham denunciado abusos junto da polícia. Nessa altura, dois dos suspeitos ficaram em prisão preventiva e um terceiro foi expulso para Marrocos.

Agora, Silvia Rojas vem confirmar que houve um crescimento exponencial deste tipo de crimes. A magistrada sublinhou que muitas vítimas optam por não apresentar denúncia por medo ou devido à sua situação administrativa precária em que vivem.

A BBC, cadeia de televisão britânica, entrevistou uma mulher marroquina de 24 anos que afirmou ter sido vítima de agressão sexual enquanto dormia num grupo de migrantes. "Fiquei em choque. Se soubesse que isto aconteceria, não teria vindo", declarou à estação britânica.

Também o Hospital Universitário de Ceuta confirmou o impacto da situação. A médica de urgência Susana Ascaso revelou à BBC que o serviço tratou várias vítimas de agressão sexual nas últimas semanas, incluindo uma criança de apenas 10 anos.

Fonte: Expresso, 1 de setembro de 2026 

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