Von der Leyen: ataque em Leipzig atribuído à Rússia “marca nova escalada em solo da UE”
O bloco
europeu "não vai tolerar" ataques como os aconteceram em Leipzig,
acrescentando que "a Europa e a NATO vão aumentar" a pressão sobre
Moscovo, avisa a presidente da Comissão Europeia
A tentativa de ataque de drone com explosivos no aeroporto
de Leipzig, na Alemanha, atribuído à Rússia representa “uma nova escalada em
solo da UE” e o bloco europeu “não vai tolerar” estas ameaças, acrescentando
que “a Europa e a NATO vão aumentar” a pressão sobre Moscovo, avisa a
presidente da Comissão Europeia.
“Quero deixar bem claro o que
aconteceu. Foi um ataque com material de uso militar, realizado por
agentes russos em solo da União Europeia. Não vamos tolerar isso. Manifestamos nossa total solidariedade à Alemanha”,
vincou Von der Leyen, esta quarta-feira durante uma conferência de imprensa
conjunta com o
secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
A presidente da Comissão Europeia assinalou que o ataque em Leipzig “marca uma nova escalada em solo da UE, diretamente atribuída à Rússia” pelo governo alemão.
Na terça-feira, as autoridades alemãs consideraram que uma
agência dos serviços de informações russos esteve por trás da operação. Segundo
o ministro do Interior alemão, os métodos
utilizados no aeroporto são semelhantes aos de outras operações híbridas atribuídas
à Rússia e terão envolvido
intermediários de baixo nível, usados para executar a operação.
“Se a intenção era fazer repensar o apoio à Ucrânia”, a
medida “só fortaleceu” a sua determinação de continuar a apoiar Kiev,
defendendo que “a intimidação não funciona”, avisou a presidente da Comissão
Europeia.
“Os europeus estão a
enfrentar a dura realidade de que esta é a nova normalidade. Precisamos de
intensificar os nossos esforços, e isso significa estarmos preparados para
responder à imprudência da Rússia de forma mais rápida e eficaz”,
disse Von der Leyen. “A Europa e a NATO não vão apenas manter a pressão sobre a
Rússia, como a vão aumentar.”
A responsável sublinhou que as sanções da União têm
enfraquecido a economia da Rússia, dando uma oportunidade mais favorável para a
Ucrânia vencer no campo de batalha através dos apoios dos aliados europeus.
Contudo, defendeu que é preciso aumentar as medidas contra o Kremlin.
“Podemos usar mais sanções e tê-las prontas para serem
impostas assim que atos tão perigosos e que ameaçam vidas forem atribuídos a
russos. Cada brecha que a Rússia explora é uma que devemos fechar”, referiu.
Aliados unidos na defesa coletiva, diz Rutte
A UE está a trabalhar em estreita cooperação com a NATO para
“mobilizar o reforço de defesa ainda mais cedo” do que se previa. “Vamos continuar, vamos prevalecer e vamos deter qualquer
um que ataque nossa liberdade e nossa segurança”, frisou.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, alertou que a
“Rússia tem se tornado cada vez imprudente” e que, nesse sentido, “os aliados
estão unidos no compromisso mútuo de defesa coletiva”.
“Temos observado um aumento
no número de drones e mísseis a cruzar o espaço aéreo ao longo da nossa
fronteira leste, o que aumenta o risco. Também temos visto um aumento nas atividades maliciosas
direcionadas diretamente ao nosso território, sejam incêndios criminosos em
fábricas que produzem equipamentos de defesa para a Ucrânia, ou mesmo o ataque
híbrido russo em Leipzig”, vincou o líder da aliança militar aos
jornalistas.
Uma vez que “o perigo que a Rússia representa é evidente”, o
responsável ainda sublinhou que a NATO está “a trabalhar incansavelmente para
manter a população em segurança”.
“Se a Rússia pensa que
seremos divididos pelas ameaças, ou se pensa que seremos dissuadidos de apoiar
a Ucrânia, está enganada. A nossa unidade permanece inabalável”,
destacou Mark Rutte.
Fonte: ECO, 2 de setembro de 2026
Repetição, em 2026, de um filme antigo que é sempre um sucesso nas salas europeias. Nesta reposição cinematográfica indignada, há eleições na Alemanha e Friedrich Merz precisa de circo para o povo.
Von der Leyen quer proteger melhor infraestruturas da UE após "sabotagem" russa
A presidente da Comissão Europeia defendeu, esta quarta-feira, a proteção das infraestruturas energéticas da União Europeia (UE), após a sabotagem russa nos gasodutos da Nordstream I e II, propondo testes de 'stress' e melhor reação a ruturas súbitas
"Os atos de sabotagem contra os gasodutos Nordstream [I e II] mostraram quão vulneráveis são as nossas infraestruturas energéticas, [já que], pela primeira vez na história recente, tornaram-se um alvo", afirmou Ursula von der Leyen.
Intervindo num debate na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, a líder do executivo comunitário aludiu às recentes perturbações no funcionamento dos controversos gasodutos Nordstream, que ligam a Rússia e a Alemanha, levantando suspeitas de sabotagem no Mar Báltico.
"Os oleodutos e cabos submarinos ligam cidadãos e empresas europeias ao mundo e são oleodutos e gasodutos de dados e energia, [sendo] do interesse de todos os europeus proteger melhor esta infraestrutura crítica", salientou Ursula von der Leyen.
Para assegurar tal salvaguarda, a responsável anunciou um novo "plano de cinco pontos", que passa desde logo por ter em vigor a recentemente proposta legislação para reforçar a resiliência das infraestruturas críticas da UE, bem como por trabalhar com os Estados-membros "para assegurar testes de 'stress' eficazes no setor da energia", de forma a "identificar os seus pontos fracos e preparar a reação a ruturas súbitas" perante perturbação de estruturas de combustível, geradores ou de armazenamento, elencou.
Além disso, "aumentaremos a nossa capacidade de resposta através do nosso Mecanismo de Proteção Civil da UE", também "faremos o melhor uso da nossa capacidade de vigilância por satélite para detetar potenciais ameaças" e ainda "reforçaremos a cooperação com a NATO e parceiros-chave como os Estados Unidos sobre estas questões críticas", referiu Ursula von der Leyen.
Esta posição será transmitida pela líder do executivo comunitário aos chefes de governo e de Estado da UE, que no final desta semana se reúnem numa cimeira informal em Praga, devido à presidência checa do Conselho, numa carta com um roteiro que inclui também possíveis medidas para enfrentar a crise energética como tetos ao preço do gás para produção de eletricidade.
"O Kremlin [regime russo] escalou a sua agressão para um novo nível. [O presidente russo] Putin lançou a primeira mobilização da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial, tratando centenas de milhares de jovens russos como carne para canhão, utiliza referendos fraudulentos numa tentativa ilegal de alterar as fronteiras internacionais pela força e, desde há muitos meses, usa a energia como arma", condenou Ursula von der Leyen.
Reconhecendo as "dificuldades económicas e sociais" causadas pela guerra da Ucrânia na UE, a líder do executivo comunitário apontou que "os custos crescentes da energia, em particular, estão a levar à redução do poder de compra dos cidadãos e à perda de competitividade das empresas", sendo necessário "agir em unidade e agir em solidariedade".
Dias depois de terem surgido críticas na UE à nova 'bazuca' da Alemanha, um pacote 200 mil milhões de euros em ajudas às famílias e empresas alemãs para lidarem com os elevados preços da energia, por se tratar de um apoio unilateral que coloca em desvantagem os restantes países (com economias mais vulneráveis), Ursula von der Leyen defendeu "os fundamentos da economia europeia, em particular o Mercado Único".
"Esta é a força da União Europeia e é de onde provém a riqueza da União Europeia e, sem uma solução europeia comum, arriscamo-nos a uma fragmentação. Portanto, é primordial que preservemos a igualdade de condições de concorrência para todos na UE", salientou.
Fonte: Jornal de Notícias, 5 de outubro de 2022
"União Europeia está sob ataque", diz governo português sobre a "sabotagem" ao Nordstream
Tiago Antunes aponta "o ato de sabotagem" às condutas do Nordstream 1 e do Nordstream 2
O secretário de Estado dos Assuntos Europeus considerou esta quarta-feira que a União Europeia (UE) está sob ataque, numa alusão à sabotagem das condutas do Nordstream 1 e 2.
“A União Europeia está sob ataque, como o ato de sabotagem às condutas do Nordstream 1 e do Nordstream 2 demonstra. Para além do atentado à soberania e integridade territorial da Ucrânia, é a própria União Europeia que é diretamente visada, por quem não tem pejo em fazer da energia, como da comida, e em geral da escalada de preços, armas que visam atingir o nosso modo de vida”, declarou Tiago Antunes, na abertura do debate parlamentar sobre o “Estado da União”, numa alusão à atuação da Rússia.
Para o governante, o recente discurso da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre o estado da União, foi tão certeiro, ao colocar a guerra de agressão contra a Ucrânia no centro das preocupações europeias”.
“E ao identificar como prioritárias as respostas da União Europeia para lidar com as consequências desta guerra, seja no plano da energia ou do apoio à economia e aos cidadãos, seja no plano da democracia e do respeito pelo Estado de Direito”, completou o secretário de Estado dos Assuntos Europeus.
De acordo com o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, o governo português verificou “com satisfação” que, tanto o discurso da presidente da Comissão Europeia, como a Carta de Intenções da Comissão, vão ao encontro de muitas das suas prioridades.
“No plano da energia, e para lá das respostas de curto prazo que estão atualmente em discussão, salientamos, desde logo, a aposta no hidrogénio verde, com a criação de um Banco de Hidrogénio, orçamentado em três mil milhões de euros. Juntamente com o anúncio de uma reforma estrutural do mercado interno de eletricidade, esta iniciativa está perfeitamente alinhada com as opções que Portugal tem adotado neste domínio”, sustentou.
Tiago Antunes considerou ainda que registou “a preocupação da Comissão em dotar a União Europeia de maior autonomia face a crises externas, designadamente com impacto na procura por matérias-primas críticas”.
“O anúncio do ato legislativo sobre matérias-primas essenciais e o Fundo Europeu de Soberania – que acompanhamos com grande interesse –, trarão maior segurança às cadeias de valor europeias e irão robustecer a nossa indústria”, acrescentou.
Fonte: CNN Portugal, 28 de setembro de 2022
Nord Stream. UE acredita em sabotagem no gasoduto e promete resposta "robusta"
A União Europeia admitiu, esta quarta-feira, que considera que as duas fugas nos dois gasodutos submarinos Nord Stream foram causadas por sabotagem. Sem acusar diretamente a Rússia, Josep Borrell prometeu uma resposta europeia "robusta" em caso de ataque às infraestruturas energéticas
Na terça-feira, Ursula von der Leyen afirmou que uma interrupção propositada nos gasodutos teria “uma resposta o mais forte possível”. Sem apontar culpados diretos, a UE já tinha acusado a Rússia de usar o fornecimento de gás e o Nord Stream como arma contra o Ocidente.
"Agora é primordial investigar os incidentes, obter total clareza sobre os eventos e porquê. Qualquer interrupção deliberada da infraestrutura energética europeia ativa é inaceitável e levará à resposta mais forte possível", disse a presidente da Comissão Europeia.
Também para Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, "os atos de sabotagem da Nord Stream parecem ser uma tentativa de desestabilizar ainda mais o fornecimento de energia para a UE".
“É necessária uma investigação urgente e completa”, advertiu. “Os responsáveis serão totalmente responsabilizados e obrigados a pagar”.
No entanto, deixou claro que os esforços europeus “para diversificar o fornecimento de energia longe do gás russo continuam”.
A diplomacia ucraniana, por seu lado, acusou mesmo a Rússia de um “ataque terrorista”, ao alegadamente sabotar os gasodutos que fornecem energia à Europa. "A fuga de gás em grande escala do Nord Stream 1 não é mais do que um ataque terrorista planeado pela Rússia e um ato de agressão contra a União Europeia", disse o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podoliak no Twitter, citado pela agência de notícias francesa AFP.
Já esta quarta-feira o representante da UE para a Política Externa afirmou que toda a informação até agora disponível aponta para que as fugas relatas tenham sido, efetivamente, sabotagem. Josep Borrell advertiu por isso que, se tal se provasse, a UE daria uma resposta “robusta”.
"Todas as informações disponíveis indicam que as fugas são o resultado de um ato deliberado", sublinhou. "Qualquer interrupção deliberada da infraestrutura energética da Europa é completamente inaceitável e será recebida com uma resposta forte e unida".
Em comunicado divulgado esta manhã, o alto representante da UE para a Política Externa salientou que o bloco comunitário “está profundamente preocupado com os danos causados nos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que resultaram em fugas nas águas internacionais do Mar Báltico”.
As preocupações com a segurança e o meio ambiente, especificou Borrell, “são de extrema prioridade”. Para o chefe da diplomacia europeia, estes incidentes “não são uma coincidência” e “afetam-nos a todos nós”.
Os operadores do Nord Stream 2 alertaram, na segunda-feira, para uma perda de pressão no gasoduto, que levou as autoridades dinamarquesas a apelarem aos navios para evitar aproximar-se da ilha de Bornholm. Na terça-feira, os responsáveis do Nord Stream 1 informaram que as linhas submarinas tinham sofrido danos “sem precedentes”.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, reagiu e afirmou estar “extremamente preocupado” com as fugas, acrescentando que não podia ser descartada a possibilidade de um ataque deliberado.
É “estúpido e absurdo” suspeitar da Rússia
Em reação às acusações europeias, o Kremlin respondeu que é “estúpido e absurdo” suspeitar que a Rússia seja responsável pela sabotagem dos gasodutos Nord Stream.
"Era bastante previsível" que culpassem a Rússia, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, numa conferência de imprensa.
"Previsível, estúpido e absurdo".
Estas fugas no Nord Stream 1 e 2 são "problemáticos para nós, porque ambos os tubos estão cheios de gás pronto para ser bombeado, e esse gás é muito caro” e agora está a ser desperdiçado.
Peskov apelou, por isso, que se pense “antes de falar” e que se espere pelos “resultados das inspeções para saber se foi uma explosão ou não”
"Esta situação exige diálogo, interação rápida entre todas as partes para saber o que aconteceu. Neste momento, vemos uma completa ausência de diálogo", lamentou.
Fonte: RTP Notícias, 28 de setembro de 2022



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