Merz pede unidade em torno de Kiev contra Moscovo e aponta dedo à AfD
O lado cómico da vida
O
chanceler alemão instou hoje à unidade no apoio à Ucrânia contra a Rússia,
tanto na NATO e na Europa como na própria Alemanha, onde o partido de
extrema-direita AfD, considerado próximo de Moscovo, continua a ganhar força
"A segurança da Europa (…) está em causa na
Ucrânia", declarou Friedrich Merz na cerimónia de entrega do Prémio da Paz de Vestefália, atribuído à Organização do
Tratado do Atlântico-Norte (NATO), na presença do seu
secretário-geral, Mark Rutte.
"Se não conseguirmos travar Moscovo, a máquina de
guerra russa virar-se-á, mais cedo ou mais tarde, contra nós, contra a própria
NATO", sustentou.
O chefe do governo alemão reconheceu que o facto de um prémio de paz ter distinguido uma aliança militar
"surpreendeu muitos".
Mas considerou que a aliança transatlântica impediu um
conflito militar com a Rússia e que, por isso, "serve a causa da
paz", hoje ameaçada pelo "revisionismo expansionista e violento da
Rússia".
Segundo Merz, "a unidade e a força continuam a ser
pré-requisitos para negociações bem-sucedidas com Moscovo".
"E isso só pode encorajar-nos a manter os Estados
Unidos da América ao nosso lado na nossa política em relação à Ucrânia",
sublinhou.
O chanceler alemão apelou igualmente para uma frente unida
internamente, contra o partido de extrema-direita Alternativa para Alemanha
(AfD), que registou um forte crescimento nas recentes eleições regionais e
lidera as intenções de voto a nível nacional.
"Também nós, na Alemanha, não nos deixaremos
dividir", declarou.
"Nem pelos ataques
híbridos, nem pela agitação nas redes sociais alimentada por 'bots' controlados
por Moscovo, nem (…) pelos 'slogans' da AfD e dos seus apoiantes russos",
enumerou.
A AfD exige a interrupção da ajuda militar e financeira de
Berlim à Ucrânia, o levantamento das sanções impostas à Rússia e a retomada do
diálogo com Moscovo.
Pegando num tema predileto da extrema-direita, a rejeição da
imigração, Merz alertou que uma paz
"ditada" pela Rússia "representaria uma ameaça de migração em
massa para o Ocidente", o que lançaria o continente europeu na
"insegurança".
Ao aceitar o prémio em nome da NATO, Mark Rutte exortou os membros da Aliança
Atlântica a prosseguirem o esforço de aumento da despesa com a Defesa contra
"a Rússia e à China", que, estimou, "estão
a ganhar vantagem".
"A rapidez é essencial" nesta área, defendeu.
Sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
que quer concentrar os recursos militares norte-americanos em regiões fora da
Europa, especialmente devido à rivalidade com a China, vários países da NATO,
entre os quais a Alemanha, aumentaram os seus orçamentos de Defesa e aprovaram
o objetivo de alocar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à segurança até 2035.
Fonte: Notícias ao Minuto, 3 de outubro de 2026

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