PJ admite que ADN e impressões digitais não têm acreditação, mas garante que provas são válidas nos tribunais
Perry Mason
(1957-1966) – Roxane Berard
Laboratório
da PJ não está acreditado para Genética Forense e Lofoscopia. Ministra da Justiça garante que nenhuma prova é posta em
causa. Avaliação prevista para 29 e 30 de outubro
A Polícia Judiciária (PJ) afirmou esta sexta-feira que o seu
laboratório científico está acreditado para diversas atividades periciais, mas
reconheceu que duas especialidades forenses não estão ainda abrangidas pelo
âmbito dessa acreditação.
“O Laboratório de Polícia Científica (LPC) encontra-se
acreditado pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC), segundo a norma NP
EN ISO/IEC 17025:2018, para diversas atividades periciais, dispondo de um
Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) devidamente implementado”, adiantou a PJ
em comunicado.
Segundo referiu, as especialidades de Genética Forense (ADN)
e de Lofoscopia não se encontram ainda abrangidas pelo âmbito da acreditação,
mas salientou que, relativamente a estas duas especialidades, tal como em
relação a todas as outras, a “atividade pericial
desenvolvida assenta em procedimentos técnicos estabelecidos e em mecanismos
concretos de garantia e controlo da qualidade”.
De acordo com a PJ, estes mecanismos permitem uma avaliação
sistemática da competência dos profissionais, da adequação dos métodos e da
qualidade dos resultados produzidos, constituindo “instrumentos fundamentais
para a fiabilidade da atividade pericial”.
A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, disse esta
sexta-feira que a falta de acreditação para perícias no Laboratório Científico
da Polícia Judiciária não põe em causa qualquer prova, remetendo, na altura,
mais esclarecimento para esta polícia.
“Há um tema de certificação que não põe em causa minimamente
qualquer prova que foi feita”, afirmou a ministra da Justiça em reação a
informação avançada hoje pelo Jornal Nascer do Sol sobre o facto de o
laboratório da Polícia Judiciária não ter acreditação para perícias de ADN e
impressões digitais que são entregues como provas nos tribunais.
O comunicado da PJ refere ainda que, em relação aos
processos de acreditação das duas especialidades, o Setor de Biologia se
encontra integrado no SGQ do laboratório de polícia científica, tendo sido
realizada uma pré-auditoria em 2025 e uma auditoria interna em abril deste ano.
Na sequência destes trabalhos, foi submetido ao IPAC o
pedido formal de acreditação, encontrando-se prevista a avaliação para os dias
29 e 30 de outubro, avançou a PJ, adiantando que o Setor de Identificação
Judiciária e Lofoscopia se encontra em fase de preparação interna para a
acreditação.
De acordo com a judiciária, o LPC tem a natureza de
laboratório oficial nos termos da lei, goza de autonomia técnica e científica,
competindo-lhe realizar perícias nos diversos domínios da ciência forense,
nomeadamente do áudio e som, balística, biologia, criminalística, documentos e
moeda, drogas e toxicologia, escrita manual, imagem criminalística, física,
lofoscopia, marcas e ferramentas e química.
“As perícias realizadas pelo LPC no âmbito de
processos-crime são válidas e apreciadas de acordo com as normas previstas no
Código de Processo Penal”, assegurou a PJ.
Fonte: Observador, 10 de outubro
de 2026

Comentários
Enviar um comentário