Rui Pinto anuncia que vai mudar-se para parte incerta: "Risco de vida"

R.J. Decker (2026) - Jaina Lee Ortiz

O hacker Rui Pinto anunciou que vai mudar-se para parte incerta após retirada de proteção policial e lançou, para esse efeito, uma campanha de angariação de fundos.

O hacker Rui Pinto, criador do Football Leaks, anunciou, esta sexta-feira, que vai mudar-se nos próximos dias para "um local não divulgado" e "por tempo indeterminado" devido ao "sério risco de uma tentativa de assassinato" que corre. O anúncio foi feito nas redes sociais, onde justifica a fuga forçada com o facto de o Estado português lhe ter retirado a proteção policial.

"Na quarta-feira, apenas algumas horas depois de o veredicto ter confirmado oficialmente a culpa do Manchester City, a Comissão responsável pelo programa de proteção de testemunhas em Portugal informou-me da decisão de pôr termo à minha participação no programa e de me retirar a proteção policial, colocando-me assim, conscientemente, numa situação de risco de vida", começa por escrever no X.

Para o hacker: "perante estas circunstâncias, não tenho outra alternativa senão mudar-me, nos próximos dias, para um local não divulgado, por um período de tempo indeterminado, devido às múltiplas ameaças de morte que tenho recebido e ao sério risco de uma tentativa de assassinato contra mim".

Rui Pinto anuncia ainda ter estabelecido uma campanha de angariação de fundos para ajudar com as despesas. "Por esse motivo, acabei de criar uma campanha no GoFundMe e peço o apoio de todos para me ajudarem a sobreviver a esta situação grave criada pelo Estado português, que, como já referi, decidiu conscientemente colocar a minha vida em risco", pode ainda ler-se na publicação.

"Gostaria de aproveitar esta oportunidade para deixar um agradecimento especial a todos os que continuam a apoiar o Football Leaks, e posso deixar uma garantia a todos: a luta vai, sem dúvida, continuar!", remata.

Após o apelo e no espaço de meia-hora desde a publicação no X, já contava com mais de 3 mil euros arrecadados dos 3 milhões que está a pedir.

Recorde-se que os advogados de Rui Pinto anunciaram hoje que vão interpor recurso administrativo, com efeito suspensivo, da decisão de encerramento do Programa Especial de Segurança de que este beneficiava como testemunha, depois de este ter sido notificado, na passada quarta-feira, de que o Programa Especial de Segurança de que beneficia desde agosto de 2020 terminará no próximo dia 10 de outubro.

Numa nota, explicaram que "dentro de poucos dias, sem ter sido previamente ouvido, como a lei exige, perderá a residência protegida e confidencial que lhe foi atribuída e será obrigado a encontrar, com urgência, uma nova habitação, sem qualquer garantia de que a proteção policial se mantenha. A sua situação é agora crítica. As ameaças de que é alvo não são meramente teóricas: em abril passado, foi agredido em Lisboa".

Rui Pinto beneficiava do estatuto de testemunha protegida há seis anos, quando saiu de prisão preventiva e aceitou colaborar com as autoridades, estando, entre os benefícios perdidos, a casa onde vive sob proteção policial, o fornecimento de documentos com identificação falsa, transporte gratuito e subsídio de subsistência.

O hacker foi condenado no caso Football Leaks, em setembro de 2023, pelo Juízo Central Criminal de Lisboa, a quatro anos de prisão com pena suspensa, por crimes de extorsão na forma tentada, violação de correspondência agravado e acesso ilegítimo.

Em novembro de 2023, foi também condenado a seis meses de prisão em França, igualmente com pena suspensa, por aceder ilegalmente a emails do Paris Saint-Germain.

Fonte: Notícias ao Minuto, 2 de outubro de 2026

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