Rui Pinto disponível para ajudar as autoridades britânicas em troca de proteção
Pariya e Pardiss Carello, irmãs gémeas, influenciadoras
digitais e criadoras de conteúdo canadianas vivendo em Toronto, Ontário
Rui
Pinto, o "hacker" cujas fugas de informação ajudaram a detetar 114
infrações financeiras cometidas pelo Manchester City na Liga Inglesa, está
disposto a ajudar as autoridades do Reino Unido no processo judicial contra o
clube, em troca de proteção contra ameaças, segundo apurou o jornal The
Guardian.
Apesar da campanha de apoio a despesas lançada na
sexta-feira para financiar uma nova vida após perder o estatuto de testemunha
protegida, a prioridade do denunciante continua a ser colaborar com as autoridades,
desde que sejam asseguradas condições adequadas de segurança.
Para além das implicações desportivas do processo instaurado
pela Liga Inglesa contra o Manchester City, que já confirmou que vai recorrer
da decisão do tribunal, as autoridades britânicas poderão também decidir
alargar a investigação. O mesmo aconteceu em Portugal relativamente a alguns
dos documentos divulgados por Rui Pinto, que durante seis anos viveu sob
proteção policial providenciada pelo Estado.
Com um conhecimento detalhado do caso, Rui Pinto está disposto a continuar como testemunha
protegida noutro país, segundo apurou o jornal britânico The
Guardian.
Dias antes da sua detenção em Budapeste, em janeiro de 2019,
o denunciante e pirata informático, de 37 anos, estava a negociar a entrada num
programa de proteção de testemunhas em França, uma iniciativa que acabou por
ser travada pelas autoridades portuguesas.
Se a decisão de lhe retirar o estatuto de testemunha
protegida se mantiver até 10 de outubro, Rui Pinto poderá integrar um programa
de proteção das autoridades britânicas, caso os ingleses assim entendam. Ainda
assim, a Comissão de Programas Especiais de Segurança (CPES) pode reavaliar a
qualquer momento o grau de ameaça de que o "hacker" é alvo e voltar a
conceder-lhe medidas excecionais de segurança. O Serviço de Informações de
Segurança (SIS) também pode fazer avaliações e ativar a proteção pessoal.
No final de abril, Rui Pinto
foi agredido no Campo Pequeno, em Lisboa, durante uma saída da
residência em local sigiloso, que o Estado português providenciou em agosto de
2020. Os advogados mencionaram esse episódio na sexta-feira, ao optar por
interpor um recurso administrativo, com efeito suspensivo, contra a decisão de
encerrar a participação do denunciante no Programa Especial de Segurança.
Segundo o jornal Expresso, que teve acesso às atas da CPES de 8 de junho
e 9 de julho, a decisão assenta em dois
fundamentos: falta de compromisso da testemunha no cumprimento do
programa, com saídas sem comunicação prévia às autoridades, e nível baixo de
risco.
Recorde-se que o criador do "Football Leaks" foi recentemente absolvido pelo Tribunal de Lisboa dos 241 crimes de acesso
ilegítimo qualificado, violação de correspondência agravada e dano informático.
Na leitura da sentença, a juíza presidente do coletivo considerou a acusação do
Ministério Público como inválida e criticou o uso duplicado da mesma prova em
vários processos. Em 2023, foi condenado a quatro anos de prisão com pena
suspensa.
Fonte: Jornal de Notícias, 3 de outubro de 2026

Comentários
Enviar um comentário