Trump ameaça atingir Irão com muita força se Teerão estiver por trás de ataque ao piloto da flydubai

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu na quinta-feira que o Irão será “atingido de forma muito dura” se for encontrado algum vínculo entre o país e o ataque de um piloto a um voo da flydubai com destino a Israel.

Os passageiros ajudaram a impedir que o avião se despenhasse, forçando uma aterragem de emergência na Arábia Saudita, antes de a maioria dos passageiros israelitas ser levada para casa, onde recebeu uma receção de heróis.

O aviso de Trump surgiu numa altura em que os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação para determinar se o incidente está ligado ao terrorismo, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o suspeito tinha sido alvo de “indoutrinação islamista radical”.

“Diria que a resposta, com base no que estou a ouvir, é sim, mas estamos a trabalhar nisso neste momento”, declarou Trump aos jornalistas, quando questionado na Casa Branca sobre se o Irão esteve envolvido no que aconteceu no voo entre o Dubai e Telavive.

À pergunta sobre se os Estados Unidos retaliariam contra o Irão caso fosse considerado responsável, Trump respondeu: “Oh, vão ser atingidos de forma muito dura, não se preocupem”.

A ameaça de Trump coincidiu com um reforço mais amplo da presença militar dos EUA na região.

O site Axios noticiou que Washington tinha recentemente destacado baterias adicionais de mísseis Patriot para a Arábia Saudita e o Qatar, para ajudar a proteger instalações energéticas-chave de uma eventual retaliação iraniana.

O meio de comunicação norte-americano adiantou ainda que o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e o respetivo grupo de ataque se dirigiam para o Médio Oriente, onde poderão juntar-se a outros dois grupos de porta-aviões dos EUA já estacionados na região.

À medida que aumentava a especulação sobre um possível motivo, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita começaram a reconstruir o que aconteceu na cabina de pilotagem.

A Arábia Saudita informou que o copiloto foi transferido esta quinta-feira para os Emirados Árabes Unidos, acompanhado por uma “equipa de segurança” local, acrescentando que a investigação inicial indicava que ele atacara o comandante da aeronave.

A alegada agressão desencadeou uma luta pelo controlo do avião antes da aterragem de emergência na Arábia Saudita. Os passageiros foram posteriormente transportados para Israel num voo de substituição.

Fonte: Euronews, 2 de outubro de 2026

Quando a coragem é muita o pobre desconfia - do que parece ser um monte de tretas.

Não podia deixar que morressem todos: herói do voo da Flydubai revela pela primeira vez o que aconteceu

Smit Machchhar, o capitão herói da Flydubai que resistiu a um ataque brutal do seu copiloto, continuou a lutar porque não podia "deixar todos os outros morrer", disse nas suas primeiras declarações públicas desde a tentativa de sequestro de um avião na passada quarta-feira.

"Naquele momento, estava a lutar pela minha vida", referiu Machchhar ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, numa videoconferência transmitida esta sexta-feira. "Estava tão gravemente ferido que caí... naquele momento, pensava: 'e se não me conseguir levantar?'"

Uma terrível catástrofe em pleno ar no voo FZ 1073, com destino a Telavive, foi evitada numa reviravolta impressionante, quando os passageiros corajosamente correram para a cabine de comando e os pilotos substitutos retomaram o controlo da aeronave.

Machchhar ficou gravemente ferido enquanto tentava repelir o agressor. As imagens mostraram uma cena horrível a bordo, com sangue espalhado pela cabine de comando e o piloto gravemente ferido deitado no chão, com o rosto contorcido de dor parcialmente coberto por uma máscara.

Machchhar contou a Modi que estava no chão, na cabine de comando, quando se apercebeu que o avião estava a cair.

“E eu soube naquele instante: ‘Só mais um esforço, Smit! Faz isso. A porta está ali’”, contou. “E mesmo naquele momento, ele estava a agredir-me.”

“Então simplesmente abri a porta… e depois vieram todos”, recordou, referindo-se a vários outros passageiros que correram para o cockpit e imobilizaram o seu agressor.

“Estava a lutar pela minha vida, mas ao mesmo tempo, sabia que não podia deixar que todos os outros morressem.”

Modi elogiou o heroísmo de Machchhar, dizendo ao piloto veterano que a sua “coragem, paciência e raciocínio rápido… salvaram a vida de tantas pessoas”.

“Tu próprio estavas a lutar entre a vida e a morte”, disse Modi.

Machchhar está a recuperar num hospital em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Foi inicialmente tratado dos ferimentos na Arábia Saudita, onde o avião desviado foi obrigado a aterrar de emergência.

O pai de dois filhos sofreu "perda maciça de sangue" e ficou "gravemente ferido", disse anteriormente à CNN o dentista Shota Musaev, um passageiro do voo que o ajudou a tratar-se.

A sua bravura "conseguiu evitar um desastre como o 11 de Setembro", disse o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, à CNN na quarta-feira.

Machchhar pareceu emocionado durante a chamada com Modi ao recordar o sucedido e pediu desculpa ao primeiro-ministro por ter chorado ao telefone.

Os dois conversaram posteriormente em gujarati, língua predominante no estado de Gujarat, no oeste da Índia, de onde Modi é originário.

Machchhar contou que a filha o visitou no hospital, mas ficou assustada ao vê-lo naquele estado. O seu filho mais novo, de dois anos, ainda não pôde voltar a vê-lo.

Nascido numa família do ramo têxtil, tornar-se piloto não era o "sonho de infância" de Machchhar, como contou ao podcast Bona-Fide Banter em 2025. Inicialmente, tinha-se inscrito num curso de engenharia têxtil após ter concluído o ensino secundário.

Ao falar com Modi, Machchhar disse sentir orgulho.

"Agora que me ligou, estou muito, muito orgulhoso de mim mesmo", disse Machchhar. "Eu não estava orgulhoso antes, mas agora estou."

O que sabemos sobre o suspeito

O copiloto do avião e alegado agressor de Machchhar foi transferido da Arábia Saudita, onde o avião aterrou, para os Emirados Árabes Unidos, onde enfrenta uma investigação por terrorismo.

É um cidadão omanita, confirmou Netanyahu à CNN esta quinta-feira. Omã e Israel não mantêm relações diplomáticas formais, não sendo ainda claro como é que o piloto omanita obteve autorização para voar para Israel.

As autoridades ainda não divulgaram a identidade do copiloto. E não houve qualquer confirmação sobre a sua motivação ou sobre a arma que usou na violenta altercação, embora Netanyahu tenha sugerido à Fox News que poderia ter sido uma faca ou um machado.

O primeiro-ministro israelita disse que o suspeito foi submetido a "doutrinação radical islâmica", acrescentando que era muito cedo para dizer se tinha ligações ao Irão ou a qualquer outra pessoa.

Netanyahu disse que o atacante era suicida, acrescentando que gritou "matem-me" depois de ter sido contido por outros passageiros.

O presidente norte-americano, Donald Trump, sugeriu esta quinta-feira que o piloto poderia ter ligações ao Irão, embora não tenha adiantado detalhes.

Fonte: CNN Portugal, 2 de outubro de 2026

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