Trump atribui protestos estudantis em França ao Islão e à migração em massa
Perry Mason
(1957-1966) – Wesley Lau, Phyllis Coates
O presidente norte-americano atribuiu hoje os protestos
estudantis em França à “migração em massa” e defendeu que as manifestações não estão
relacionadas com as condições nas escolas, mas sim com o Islão querer
apoderar-se do país.
“O que está a acontecer em França não é nada menos do que
uma migração em massa fora de controlo. Isto não tem a ver com escolas, tem a
ver com o Islão querer tomar o controlo de um país que outrora foi grande!”,
escreveu Donald Trump na sua rede social Truth Social, referindo-se às
manifestações estudantis em que os alunos exigem melhores condições nas escolas
e na organização dos estudos.
Os protestos, que se multiplicaram por várias cidades
francesas, contaram hoje com o apoio de vários sindicatos e partidos da
esquerda francesa.
Os manifestantes rejeitam os cortes no setor público e os
protestos reúnem dezenas de milhares de pessoas a favor de uma melhor educação
nas principais cidades francesas.
Desde meados de setembro até hoje, registaram-se 200
estudantes feridos e mais de 5000 detenções em todo o país, além de danos em
estabelecimentos de ensino e nas ruas, já avaliados em várias dezenas de
milhões de euros.
O governo francês acelerou a tramitação de uma lei para
obrigar os pais dos menores a assumir os custos dos atos de vandalismo
cometidos pelos filhos.
Ao mesmo tempo, pelo menos 10% das escolas secundárias viram
o seu funcionamento perturbado por piquetes e bloqueios.
Hoje, os protestos estudantis reuniram entre 256 mil e 450
mil manifestantes, segundo os diferentes números divulgados pelas autoridades e
pelos sindicatos.
Apenas em Paris, o ministério do Interior francês calculou
em 56 mil o número de participantes na marcha encabeçada pelos alunos do ensino
secundário, enquanto as centrais sindicais elevaram esse número para cem mil.
Fonte: Lusa, 6 de outubro de 2026
O lado cómico da vida: não é de esperar que os franceses convoquem o embaixador americano para protestar contra a desinformação. Como o mundo diplomático vive de antecipações, a senhora da limpeza da embaixada já está a aprender francês, para poder responder em conformidade.
Paris convoca embaixador iraniano para protestar por "desinformação" sobre contestação estudantil
França convocou hoje o embaixador do Irão para protestar contra “a campanha de desinformação conduzida pelas autoridades iranianas a propósito do movimento de contestação estudantil em França”, anunciou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros francês.
“Foi-lhe comunicado o carácter absolutamente inadmissível dos conteúdos mentirosos difundidos online por contas oficiais do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, bem como o carácter infundado da convocação, a 6 de outubro, do nosso embaixador em Teerão”, declarou Pascal Confavreux, acrescentando: “Estas provocações indignas devem cessar”.
No domingo, o Irão condenou o uso do que classificou como “violência desproporcional” contra o movimento de protesto dos estudantes do ensino secundário em França, num contexto de tensões entre os dois países.
Iniciado a 17 de setembro na região de Paris, o movimento alastrou progressivamente a todo o território e resultou em confrontos entre manifestantes e forças de segurança em várias cidades francesas.
“França deve respeitar os direitos e liberdades fundamentais dos seus cidadãos. A informação sobre a violência policial é preocupante”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï.
Em seguida, o governo iraniano convocou o embaixador de França em Teerão, Pierre Cochard, para protestar contra a resposta das forças de segurança às manifestações estudantis em França.
A República Islâmica é acusada de ter reprimido com violência letal, no inverno passado, um amplo movimento de contestação desencadeado por manifestações contra o aumento do custo de vida.
Organizações não-governamentais (ONG) denunciaram uma repressão que fez milhares de mortos, ao passo que as autoridades iranianas reconheceram mais de 3000 mortes no auge do movimento, nos dias 8 e 9 de janeiro, mas atribuíram a violência a “atos terroristas” orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
Fonte: Lusa, 7 de outubro de 2026


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