Um mês antes da captura de Maduro, Trump consultou a IA para saber como os venezuelanos iriam reagir à operação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, consultou o
modelo de inteligência artificial (IA) Grok
sobre como os venezuelanos reagiriam a uma eventual captura do então líder
Nicolás Maduro, noticiou a revista Time.
A consulta na plataforma desenvolvida por uma empresa de
Elon Musk ocorreu durante uma reunião privada entre Trump e o empresário na
Casa Branca em dezembro de 2025, cerca de um mês antes de forças
norte-americanas capturarem Maduro numa operação militar na Venezuela, a 3 de
janeiro, segundo uma fonte presente no encontro citada na quinta-feira pela
revista.
Trump passou várias horas a
colocar questões ao Grok sobre
diferentes temas relacionados com a sua presidência e o seu legado e, no
contexto da campanha militar dos Estados Unidos contra embarcações venezuelanas
que Washington associa ao narcotráfico, perguntou especificamente qual seria a
reação dos venezuelanos caso os EUA capturassem Maduro.
De acordo com uma fonte não identificada da Time, o Grok respondeu
que Maduro era um "ditador profundamente impopular" e que muitos
venezuelanos provavelmente celebrariam a sua queda.
A revista sublinhou que o chatbot não recomendou diretamente
a captura do chefe de Estado venezuelano.
Quando a operação norte-americana ocorreu a 3 de janeiro e
se registaram celebrações por parte de alguns setores da população venezuelana,
Trump
ficou impressionado com a capacidade de previsão do Grok,
acrescentou a mesma fonte.
A revelação surge vários meses depois de Trump ter ordenado
uma operação militar que resultou na captura de Maduro e na sua transferência
para os Estados Unidos, onde enfrenta acusações relacionadas com narcotráfico e
corrupção. Após a operação, Trump anunciou que Washington assumiria o controlo
da Venezuela durante o período de transição.
Em junho, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos
revelou, num processo judicial citado pela agência France-Presse (AFP),
que uma versão governamental do sistema de
inteligência artificial da xAI, empresa de Elon Musk, estava a ser utilizada
pelo Pentágono no âmbito do Projeto Maven, programa militar de seleção de alvos
assistido por inteligência artificial.
De acordo com o responsável pela inteligência artificial do
Pentágono, Cameron Stanley, a tecnologia contribuiu para melhorar a eficiência
operacional das forças norte-americanas durante a operação militar contra o
Irão, nomeadamente no destacamento de forças e na identificação de alvos.

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