Tudo o que já sabemos sobre o pesadelo Tecnoforma de Passos Coelho
A um ano de acabar o mandato, caiu em cima de Passos a bomba
que dispensava: suspeitas
de que cometeu crimes fiscais e outros enquanto deputado.
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O que é a Tecnoforma?
A Tecnoforma – Formação e Consultoria S.A. nasceu em 1984.
À época em que Passos Coelho era deputado – e quando iniciou a relação com o
grupo (1996-1999) – a Tecnoforma era detida por Manuel Castro e Fernando
Madeira. A empresa dedicava-se
quase exclusivamente à formação profissional. Tinha contratos com o Estado, em grande
parte envolvendo financiamento da União Europeia.
Até ao final da década de 1990, a empresa tinha negócios em
Angola e apostava em acompanhar estudantes africanos em Portugal. Mais tarde, e
terá sido por isso que Passos Coelho integrou a empresa, os proprietários
decidiram explorar o mercado interno de formação. Foi nessa altura que a
Tecnoforma expandiu o negócio ao ganhar concursos ao abrigo do programa
Foral, que tinha como objetivo dar formação profissional a
funcionários de autarquias. Este programa foi tutelado entre 2002 e
2004 pelo então secretário de Estado da Administração Local, Miguel
Relvas.
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O que é o Centro Português para a Cooperação?
O Centro Português para a Cooperação (CPPC) foi uma
associação criada em 1996 tendo o estatuto de Organização Não Governamental (ONG). E
se agora os estatutos de uma ONG são diversos e se é difícil encontrar quer o
registo de ONG’s, quer as prestações de contas, mais era há 20 anos,
quando a legislação era ainda mais diversa e as obrigações de
transparência menores.
Nos serviços oficiais consultados pelo Observador já não há
registo da entidade (o número de contribuinte atribuído aparece como
inexistente nas bases de dados públicas). No entanto, citados pelo Público, os
estatutos da ONG referiam que esta organização tinha como objetivo: “O
apoio direto e efetivo a programas e projetos em países em vias de
desenvolvimento através de ações para o desenvolvimento, assistência
humanitária, proteção dos direitos humanos e prestação de ajudas de
emergência”.
Na prática, o CPPC era uma organização do grupo
Tecnoforma. A ONG funcionava em Almada, nos escritórios da Tecnoforma,
os fundadores eram administradores da empresa (ou alguns trabalhadores) e era a
Tecnoforma que financiava a atividade da ONG. Mas apenas um dos administradores
da Tecnoforma, João Luís Gonçalves, admitiu ao jornal a relação entre as
duas empresas e ainda que era
a Tecnoforma quem pagava as despesas da ONG.
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Quem fundou o CPPC?
A ONG era presidida por Pedro Passos Coelho, que foi
um dos fundadores. Além de Passos Coelho, estavam na lista de fundadores mais
alguns sociais-democratas (alguns dos quais tinham passado pela
Juventude Social Democrata, JSD), mas também dois socialistas.
Na lista de fundadores encontravam-se – segundo o Público:
- Marques Mendes;
- Vasco Rato, hoje presidente da
FLAD nomeado por este governo;
- Ângelo Correia, da Fomentinvest, ex-patrão de
Passos;
- Fernando Madeira, administrador à época da
Tecnoforma;
- Fraústo da Silva, que foi dirigente da JSD e
foi quem elaborou os estatutos da ONG;
- Júlio Casto Caldas, ex-ministro, socialista;
- Manuel Castro, que era administrador da
Tecnoforma;
- Fernando de Sousa, ex-deputado do PS e que
ficou a presidir à Assembleia Geral da ONG;
- Luís Carvalho, presidente do Conselho Fiscal
da ONG, que tinha trabalhado na Tecnoforma e foi mais tarde nomeado
administrador da Parque Escolar;
- Eva Cabral, ex-jornalista do DN, que também
foi da JSD (onde conheceu Passos Coelho) e que na ONG fazia parte do
conselho fiscal. Atual assessora do primeiro-ministro.
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A Tecnoforma ainda está em atividade?
Se os primeiros anos correram bem para a empresa, em 2011, no entanto, a faturação
começou a cair. De acordo com os documentos consultados pelo Observador,
nesse ano a Tecnoforma faturou 3,2 milhões de euros, quando em 2009 tinham sido
5,6 milhões. A braços com dívidas, o advogado da empresa acabaria por pedir a
insolvência da empresa em 2012. E, apesar da faturação da empresa, argumenta:
“A Tecnoforma é uma empresa com futuro, mas está a sofrer
indiretamente as consequências da falta de pagamento dos seus clientes e na
redução drástica motivada pela atual conjuntura económica nacional e europeia”,
lê-se na petição inicial que consta no processo que corre termos no Tribunal do
Comércio de Lisboa.
O administrador de insolvência nomeado reuniu um conjunto de
124 credores a quem a Tecnoforma devia dinheiro: cerca de dois milhões de euros
no total. Entre eles, bancos,
formadores, sociedades de advogados e algumas agências de viagens. No
final desse ano a juíza declararia a empresa insolvente, estabelecendo um plano
de pagamento a ser gerido com a colaboração dos dois responsáveis pela empresa.
Em 2013 um ex-funcionário da Tecnoforma acabaria por
impugnar a insolvência. É que, em 2010, os mesmos proprietários da Tecnoforma
criaram uma outra empresa gémea. A Tecnoforma II – Consultoria e
Recursos Humanos Lda. O objeto social, os sócios e a sede da empresa são comuns
às duas empresas. O que leva o funcionário a defender que uma provocou a ruína
da outra e que haverá má-fé e irregularidades no processo de insolvência. Esta
questão ainda não foi resolvida.
Neste momento a primeira Tecnoforma está a ser administrada
de forma a pagar as dívidas a todos a quem ficou a dever. Enquanto a Tecnoforma
II, entretanto criada, está a funcionar. Embora a sede da empresa não tenha
qualquer telefone de contacto.
Fonte: O Observador, 27 de setembro de 2014

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