O mapa do plano da ONU de 1947 para a partilha da Palestina

A "solução dos dois Estados" proposta há 75 anos foi rejeitada pelo mundo árabe e conduziu à criação do Estado de Israel.

Todos os dias 29 de novembro é comemorado o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano. No entanto, a data presta homenagem ao plano patrocinado em 1947 pela comunidade internacional e rejeitado pelo mundo árabe para pôr fim ao conflito palestiniano, que levou à criação do Estado de Israel, mas não de uma Palestina independente. Trata-se do plano das Nações Unidas para a partilha da Palestina, também conhecido como a "solução dos dois Estados" e refletido na Resolução 181.

Após a Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido estabeleceu o Mandato Britânico da Palestina para reunir os territórios tomados aos otomanos nos atuais territórios de Israel, Cisjordânia, Gaza e Jordânia. Mas a zona tornou-se rapidamente um foco de instabilidade devido aos conflitos entre árabes e judeus vindos da Europa e, em 1947, Londres decidiu abandonar a zona e delegar a sua gestão nas Nações Unidas.

Assim nasceu a Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina (UNSCOP), encarregada de elaborar um plano de partilha da Palestina e de procurar estabelecer uma paz duradoura na região. Após vários meses de auditorias e inquéritos, a UNSCOP emitiu um relatório oficial em 31 de agosto de 1947 e, em 29 de novembro de 1947, a proposta foi adotada na Assembleia Plenária da ONU com 33 votos a favor, incluindo os Estados Unidos, a União Soviética e a França, 13 votos contra, incluindo os Estados árabes, e 10 abstenções, incluindo o Reino Unido.

O plano previa a divisão da Palestina em três partes: um Estado judaico, que incluía a região oriental da Galileia, a planície costeira de Haifa até Rehovot e a maior parte do deserto do Negev; um Estado árabe, que abrangia a Galileia central e ocidental, um enclave em Jaffa - próximo de Telavive - e a parte sul da costa, desde a atual Ashdod até à Faixa de Gaza, incluindo uma secção desértica ao longo da fronteira com o Egipto; e, finalmente, a cidade de Jerusalém, que ficaria sob controlo internacional.

Apesar de representarem apenas um terço do total da população palestiniana, os judeus receberam 56% do território, enquanto os restantes habitantes - de maioria muçulmana - tiveram de se contentar com 43%. A justificação para este desequilíbrio foi enquadrar o maior número de cidadãos judeus no novo Estado judaico, o que resultou inevitavelmente em zonas de maioria árabe com minorias judaicas significativas. As zonas pouco povoadas, como o deserto do Negev, foram também reservadas aos judeus, antecipando a imigração em massa.

O plano previa ainda o reconhecimento da cidadania de cada Estado a todos os habitantes que vivessem dentro das suas fronteiras, independentemente da religião e da origem. Apesar disso, a população árabe recusou-se a aplicar a resolução e novos confrontos eclodiram imediatamente, sobretudo depois de os seus concidadãos terem começado a ocupar as aldeias árabes que se situavam no território do Estado judaico proposto.

Israel declarou-se finalmente um Estado independente em maio de 1948 e, no dia seguinte, eclodiu a primeira guerra israelo-árabe, que resultou na expulsão de 760 000 palestinianos das suas casas e na ocupação de 78% da Palestina pelo novo país. A Autoridade Nacional Palestiniana acabou por abandonar as suas pretensões ao território reconhecido pelo plano das Nações Unidas e passou a reivindicar as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias de 1967, na qual Israel ocupou Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, bem como os montes Sinai e Golã.

Fonte: El orden mundial, 18 de outubro de 2023

Londres não decidiu abandonar a zona e delegar a sua gestão nas Nações Unidas porque lhe apeteceu. Teve de meter o rabo entre as pernas e fugir. Estavam-lhes a matar os old boys.

LEHI – acrónimo de Lohamei Herut Israel (Combatentes para a Liberdade de Israel) grupo terrorista mais conhecido nos meios não-judaicos pelo nome de Stern Gang (Quadrilha Stern), do nome do seu chefe Avraham Stern (1907-1942). LEHI era inicialmente parte do Irgun, com o qual partilhava a ambição de expulsar as forças britânicas da Palestina e ali criar o Estado judaico, mas separou-se por se opor a uma trégua com a Grã-Bretanha enquanto durasse a Segunda Guerra Mundial. O LEHI continuou a atacar as forças britânicas na Palestina e até alguns judeus moderados, pelo menos quinze dos quais foram assassinados como exemplo.

Com a morte de Avraham Stern em 12 de fevereiro de 1942, num tiroteio com a polícia em Telavive, o LEHI entrou num período de recessão, que foi quebrado em 6 de novembro de 1944 com o assassínio no Cairo do ministro britânico para os Assuntos do Médio Oriente, lorde Moyne. Curiosamente, este ato aproximou de novo o LEHI ao Irgun, tendo ambas as organizações colaborado em atentados contra instalações britânicas na Palestina.  

Em julho de 1945, com a guerra quase ganha, as autoridades britânicas conseguiram neutralizar o LEHI, mas muitos dos seus membros juntaram-se a outros grupos extremistas judaicos, formando o Tenu’ at ha Mer halvri (Movimento de Resistência Hebraico).

A força do Irgun que atacou Deir Yassin em 9 de abril de 1948 tinha alguma participação do LEHI. O assassinato do conde Folke Bernardotte, mediador das Nações Unidas, em 17 de setembro de 1948 foi a última ação do LEHI, que deixou de existir em outubro seguinte, por essa altura, a maioria do combatente do LEHI tinham já sido incorporados Exército israelita, por decisão de 29 de maio anterior.

Um dos chefes da organização era Yitzhak Shamir (1915-2012), antigo ativista do Betar, que veio a ser primeiro-mistro de Israel.

Fonte: “Ação direta”, John Andrade

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Israel abre investigação a autores do documentário Naza sobre ataques a civis em Gaza

Eva Vlaardingerbroek