Polémica nos BAFTA: BBC pede desculpa por não cortar insulto racial de ativista com síndrome de Tourette
Perry Mason
(1957-1966) – Alan Hale Jr.
O
momento não foi excluído da edição final do programa e ficou disponível na
plataforma de streaming da BBC durante a manhã desta segunda-feira até ser
removido
A BBC veio a público desculpar-se por não ter 'cortado' da
transmissão gravada dos BAFTA Film Awards um insulto
racial feito por John Davidson,
um ativista com síndrome de Tourette. O canal inglês garantiu que uma nova
versão da cerimónia será disponibilizada no iPlayer.
Michael B. Jordan e Delroy Lindo preparavam-se para apresentar o primeiro prémio da noite - Melhores Efeitos Visuais- quando John Davidson, protagonista do filme biográfico "I Swear", gritou a "n-word" ("nigger"), uma expressão com conotação racista na língua inglesa.
O momento não foi excluído da edição final do programa e
permaneceu na plataforma de streaming da BBC durante a manhã desta
segunda-feira até ser removido.
"Pedimos desculpa por isto não ter sido editado antes
da transmissão e informamos que será removido da versão no BBC iPlayer",
disse um porta-voz do canal televisivo.
O grito de Davidson foi audível pelos espectadores, embora muitos tenham tido dificuldades em entender o que estava a ser dito.
A seguir à cerimónia, Delroy Lindo, um dos visados, disse à Vanity Fair que apenas fez "o que tinha de ser feito", prosseguindo com a cerimónia, juntamente com Michael B. Jordan. Ainda assim, o ator ressalvou que gostaria que "alguém dos BAFTA tivesse falado" com eles.
Ó nigga, tu és nigga, nigga · Da Weasel · Gato Fedorento
No decorrer da entrega de prémios, o apresentador Alan
Cumming, que conduzia a 73.ª cerimónia da Academia Britânica de Cinema e
Televisão, sentiu-se obrigado a explicar a origem dos insultos.
"Podem ter ouvido algumas palavras fortes e ofensivas
esta noite. Se viram o filme «I Swear», sabem que é um filme sobre a
experiência de uma pessoa com síndrome de Tourette", começou.
"A síndrome de Tourette é uma deficiência e os tiques
que ouviram esta noite são involuntários, o que significa que a pessoa com
síndrome de Tourette não tem controlo sobre a sua linguagem. Pedimos desculpa
se ficaram ofendidos", rematou.
Davidson já falou sobre o tema, referindo que ficava
"profundamente mortificado se alguém considerasse os tiques involuntários
como intencionais ou com algum significado".
"Passei a minha vida a tentar apoiar e empoderar a
comunidade com síndrome de Tourette e a ensinar empatia, gentileza e
compreensão aos outros, e continuarei a fazê-lo. Optei por sair do auditório no
início da cerimónia, pois estava ciente do desconforto que os meus tiques
estavam a causar", rematou.
Hannah Beachler, figurinista de "Pecadores",
utilizou as suas redes sociais para lamentar o momento, revelando que os
insultos foram ouvidos por três vezes durante a noite, uma delas dirigidos a
si, quando seguia para o jantar pós-premiação.
As reações não ficaram por aqui. Wendell Pierce, colega de
Michael B. Jordan em "The Wire", lamentou que a primeira
reação não tenha sido um pedido de desculpas apesar do motivo do insulto.
"É revoltante que a primeira reação não tenha sido um pedido de desculpas completo e sincero a Delroy Lindo e Michael B
Jordan. Não importa o motivo do insulto racista", comentou.
Através do Instagram, Jamie Fox apelidou toda a situação de
"inaceitável".
De notar que diversos discursos foram 'rasurados' da versão
final dos BAFTA, disponível no iPlayer. A frase "Palestina livre",
dita pelo realizador de "My Father's Shadow", foi eliminada
juntamente com minutos de discursos de quase todos os vencedores da noite.
Ao Deadline a BBC justificou que "o evento ao
vivo tem três horas de duração e precisa de ser reduzido para duas horas para o
horário de transmissão".
"O mesmo aconteceu com outros discursos feitos durante
a noite e todas as edições foram feitas para garantir que o programa fosse
transmitido no horário. Todos os discursos dos vencedores estarão disponíveis
para assistir no canal do YouTube da Bafta".
A síndrome de Tourette carateriza-se por movimentos ou sons
repentinos, involuntários e repetitivos, conhecidos como 'tiques'. De acordo
com a 'Tourette's Action', entre 10 a 30% das pessoas com a doença dizem
palavras socialmente inaceitáveis, os chamados 'palavrões'.
Fonte: SIC Notícias, 23 de fevereiro de 2026

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