Trump admite possível “tomada de controlo amigável” de Cuba
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O presidente
dos EUA, Donald Trump, admitiu a possibilidade de uma “tomada de controlo
amigável” de Cuba, numa altura em que Havana denuncia uma alegada infiltração
armada a partir da Florida, agravando a tensão entre os dois países
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu esta
sexta-feira a possibilidade de uma “tomada de controlo amigável” de Cuba,
afirmando que Washington mantém conversações com o governo cubano a um “nível
muito elevado”, segundo declarações citadas pela Reuters.
Falando aos jornalistas à saída da Casa Branca, antes de uma
viagem ao Texas, Trump disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, está a
acompanhar o dossiê diretamente. “O governo cubano está a falar connosco e
encontra-se em grandes dificuldades”, afirmou. “Não
têm dinheiro. Não têm nada neste momento, mas estão a falar connosco e talvez
venhamos a ter uma tomada de controlo amigável de Cuba”,
acrescentou, segundo a agência Reuters.
As declarações surgem num momento de tensão crescente entre
Havana e Washington, após um incidente armado ocorrido esta semana nas águas
territoriais cubanas.
Acusações de infiltração
Na quinta-feira, autoridades cubanas acusaram 10 pessoas que
seguiam a bordo de uma lancha rápida envolvida, na quarta-feira, num tiroteio
contra a guarda costeira cubana de estarem a planear “uma infiltração com
objetivos terroristas”. Segundo Havana, quatro pessoas morreram e seis ficaram
feridas quando a embarcação, com registo na Florida, entrou em águas cubanas.
De acordo com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de
Cuba, Carlos Fernández de Cossío, os 10 suspeitos seriam cidadãos cubanos
residentes nos Estados Unidos, a maioria com “antecedentes criminais envolvendo
atividade criminosa e violenta”. Um 11.º indivíduo terá sido posteriormente
detido e confessado participação na alegada operação.
O ministério do Interior cubano afirmou que foram
encontradas na embarcação várias armas de fogo — desde pistolas a fuzis —,
explosivos caseiros e equipamento tático. Apesar de a lancha possuir matrícula
registada na Florida (FL7726SH), autoridades cubanas indicaram que não foram
encontrados outros registos associados, incluindo proprietários ou históricos
de viagens.
Carlos Fernández de Cossío sublinhou que a informação
divulgada permanece preliminar e que novos detalhes deverão ser apresentados
nos próximos dias.
EUA anunciaram investigação independente
Os Estados Unidos anunciaram, entretanto, a abertura de uma
investigação independente ao incidente. Tanto o vice-presidente JD Vance
como o secretário de Estado Marco Rubio afirmaram, separadamente, dispor ainda
de pouca informação sobre o sucedido, acrescentando que o rumo da resposta
norte-americana dependerá dos resultados da investigação.
Crise em Cuba
Cuba enfrenta uma grave crise energética desde o fim das
entregas de petróleo pela Venezuela, após a queda de Nicolás Maduro e perante
as ameaças de Washington de impor tarifas
alfandegárias aos países que vendem petróleo à ilha. O governo
comunista cubano aplicou na semana passada um conjunto de medidas de emergência
que restringem a venda de combustíveis e reduzem os transportes públicos, num
país já marcado por cortes de eletricidade e por falta de alimentos e
medicamentos.
Não há energia para manter as luzes acesas, para gerar a
eletricidade necessária para o funcionamento das bombas de água, para o
transporte e refrigeração dos alimentos, para os ventiladores aliviarem o calor
dos cidadãos, para os hospitais realizarem cirurgias, para os camiões do lixo
recolherem os detritos, para os aviões se reabastecerem em Cuba e para as
grandes empresas manterem as suas operações comerciais. Uma a uma, as funções básicas da economia estão a ser
interrompidas na ilha caribenha, com consequências graves para a saúde,
bem-estar e futuro do povo cubano.
Cuba, cujo pouco petróleo que resta começa a esgotar-se,
vê-se praticamente sem aliados. O presidente do Chile, Gabriel Boric,
classificou a política do seu homólogo norte-americano Donald Trump de privar
Cuba de petróleo e energia como “crime contra os direitos humanos de todo um
povo”.
Viagens dispensáveis a Cuba são desaconselhadas
O governo português está a aconselhar os viajantes nacionais
a adiar as deslocações "não indispensáveis" a Cuba devido ao contexto
de escassez de combustível que atinge o país sul-americano. Caso decidam
viajar, o governo apela que os visitantes devem manter-se informados através de
fontes oficiais e dos respetivos operadores turísticos e companhias aéreas e
recomenda "vivamente o registo na aplicação Registo Viajante" e a
contratação de um seguro de viagem abrangente, que cubra situações de evacuação
médica e de cancelamento ou interrupção de viagem.
O grupo hoteleiro português Vila Galé, com presença em Cuba,
viu-se obrigado a encerrar os quatro hotéis devido à falta de energia, sem
previsão de abertura. Primeiro fecharam os estabelecimentos de Varadero e
Havana, a capital cubana e, mais tarde, os dois restantes, em Cayo Paredón e
Cayo Santa Maria.
Fonte: Expresso, 27 de fevereiro de 2026
O investimento monetário das elites exiladas cubanas e venezuelanas na carreira de Marco Rubio finalmente rende dividendos numa administração americana que se apresenta como perfeita, conduzida por um velhinho dotado de uma notável facilidade para fazer amigos: depois da Venezuela, anunciam-se o Irão e Cuba como próximos capítulos naturais.
Sob a geriocracia afetiva, o poder exerce-se com ternura paternal — todos são tratados como netos obedientes, mesmo quando nunca pediram avô algum.


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