Annalena Baerbock avisa que credibilidade da ONU está em jogo na eleição para secretário-geral
A mulher gerada por IA é insuperável e está pronta para governar
A presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock,
afirmou à Lusa que a seleção do próximo secretário-geral será "uma questão
de credibilidade" para a organização, uma vez que em 80 anos de história
nunca teve uma mulher na liderança.
Em entrevista à agência Lusa, em Nova Iorque, Annalena
Baerbock garantiu que, entre os 193 Estados-membros das Nações Unidas (ONU), há o entendimento de que, passados 80 anos, chegou o
"momento certo" da organização multilateral ser chefiada no feminino.
"Estamos num ano histórico porque, após 10 anos,
estamos a selecionar o próximo secretário-geral para o século XXI, e a escolha enviará uma mensagem poderosa sobre quem somos enquanto comunidade
internacional e se as Nações Unidas estão a servir todos os seus cidadãos em
todo o mundo, dos quais, como todos sabemos, metade são mulheres e
raparigas", observou.
"Uma organização que serve todas as pessoas em todo o
mundo (...) e que une todos os países como
nenhuma outra, precisa de se questionar se realmente serve toda a
humanidade se, em 80 anos, nunca houve uma secretária-geral mulher",
acrescentou.
Nesse sentido, a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros alemã
considera que a "questão de quem será selecionado é também uma questão de
credibilidade para as Nações Unidas".
Duas mulheres e dois homens
mantêm-se na disputa pelo cargo e
serão ouvidos terça e quarta-feira pelos Estados-membros, dando início a um
processo que poderá ter um resultado histórico.
Ao longo dos últimos meses, registaram-se fortes apelos para
a nomeação de candidatas mulheres à sucessão do português António Guterres, que
deixará o cargo no final do ano, após dois mandatos consecutivos.
Contudo, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet
e a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan
são as únicas duas mulheres em competição, que se juntam ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Mariano Grossi, e ao ex-presidente senegalês Macky Sall.
A diplomata argentina e ex-representante especial da ONU
para Crianças e Conflitos Armados Virginia Gamba chegou a entrar na corrida
através da nomeação das Maldivas. A nação insular acabou por retirar o apoio à
candidatura de Gamba, eliminando-a assim do processo eleitoral.
Annalena Baerbock tem a seu cargo o processo de seleção do
próximo líder da ONU e garantiu que os Estados-membros deixaram bem claro que
"é necessária uma liderança forte nestes tempos fragmentados e
desafiantes".
"Estamos no meio de uma grande reforma das Nações
Unidas, pelo que ter atuado anteriormente num governo nacional e ter
experiência no sistema da ONU são também critérios" que os Estados-membros
definiram como essenciais e querem ver no próximo secretário-geral, disse.
O diálogo interativo
com os quatros candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU arranca na
terça-feira.
Cada candidato terá três horas para apresentar a sua
declaração de visão para a organização, responder às perguntas dos
Estados-membros e interagir com entidades da sociedade civil.
"Damos a todos os Estados-membros a oportunidade de
entrevistar os candidatos durante três horas. Eu própria já participei neste
processo como candidata à presidência da Assembleia-Geral. Portanto, é uma
entrevista realmente difícil com 193 Estados-membros", explicou à Lusa.
"E, como consta na Carta, ao serviço dos povos do
mundo, a sociedade civil tem também a oportunidade de colocar questões aos
diferentes candidatos no que diz respeito às suas capacidades de liderança, à
sua visão para as Nações Unidas, às suas ideias de reforma, mas também como
fortalecer os três pilares das Nações Unidas: a paz e a segurança, o
desenvolvimento sustentável e os direitos humanos", acrescentou.
No entanto, são os 15 membros
do Conselho de Segurança da ONU que
realmente têm a decisão nas mãos.
É apenas por recomendação do Conselho de Segurança que a
Assembleia-Geral da ONU pode eleger o secretário-geral para um período de cinco
anos, renovável por mais um mandato.
"Posso garantir que serão diálogos realmente
interativos, o que significa que todos os temas serão debatidos, pois este é
provavelmente o cargo mais difícil do mundo para o qual os candidatos
concorrem, numa altura em que vemos não só a unanimidade sob pressão, mas
também a Carta das Nações Unidas sob ataque direto", frisou.
"Mas, no final, a decisão está nas mãos dos
Estados-membros, do Conselho de Segurança e, mais tarde, da
Assembleia-Geral", recordou ainda Annalena Baerbock.
Fonte: Lusa, 18 de abril de 2026
A providencial mulher que salva o mundo é outra forma da distribuição de tachos (bem pagos).



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