Casa Branca responde às críticas a Trump sobre o Prémio da Paz da FIFA com uma declaração insólita

 

A Casa Branca emitiu uma defesa firme do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, após este ter recebido o Prémio da Paz inaugural da FIFA, rejeitando as críticas de quem defende a abolição da distinção. Trump, de 79 anos, foi distinguido em dezembro, numa cerimónia realizada em Washington D.C., gerando uma controvérsia imediata que se intensificou nos meses seguintes.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tinha declarado anteriormente que o prémio se destina a indivíduos que “tomaram ações excecionais e extraordinárias pela paz” e que “uniram pessoas em todo o mundo”. Em fevereiro, Infantino reiterou que Trump merecia “objetivamente” o reconhecimento, apesar de, entretanto, ter eclodido um conflito envolvendo forças EUA-Israel e o Irão após a atribuição do prémio.

Críticos pedem a abolição do prémio

A decisão de distinguir Trump gerou forte contestação dentro da comunidade do futebol. Jackson Irvine, capitão do FC St. Pauli e internacional australiano, manifestou forte desaprovação, afirmando que decisões deste tipo “ridicularizam o que se pretende fazer com a carta dos direitos humanos e a utilização do futebol como força global para o bem e para mudanças positivas”.

O desafio mais direto surge, contudo, de Lise Klaveness, presidente da Federação Norueguesa de Futebol e membro do comité executivo da UEFA. Klaveness irá representar a sua federação no próximo Congresso da FIFA, onde pretende defender a eliminação do prémio.

“Queremos ver o Prémio da Paz da FIFA abolido”, afirmou. “Não consideramos que faça parte do mandato da FIFA atribuir tal distinção. Já existe um Instituto Nobel que desempenha esse papel de forma independente.”

Klaveness acrescentou ainda que Infantino deveria manter “uma distância prudente” face a líderes mundiais, sublinhando a sensibilidade política inerente a este tipo de distinções: “Estes prémios tenderão a ser altamente politizados se não existirem mecanismos e experiência adequados para garantir a sua independência”, afirmou, apontando também preocupações quanto à afetação de recursos e à governação.

Casa Branca rejeita críticas

Em resposta ao aumento das críticas, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, divulgou uma declaração contundente em apoio à distinção atribuída a Trump.

Não há ninguém no mundo mais merecedor do primeiro Prémio da Paz da FIFA do que o Presidente Trump”, afirmou. “Qualquer pessoa que pense o contrário sofre claramente de um caso grave de ‘síndrome de desarranjo de Trump’.”

O debate em torno do Prémio da Paz da FIFA decorre numa altura em que a América do Norte se prepara para receber a Taça do Mundo FIFA, entre 11 de junho e 19 de julho — um evento que deverá intensificar o escrutínio sobre a governação e a imagem pública da FIFA.

Fonte: Lente Desportiva, 29 de abril de 2026

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