Donald Trump diz que ser presidente "é uma profissão perigosa". O que diz a história dos EUA?

"É uma profissão perigosa. Ninguém me avisou que esta profissão era tão perigosa", disse sarcasticamente Donald Trump em conferência de imprensa depois dos disparos no Jantar de Correspondentes da Casa Branca. O que conta a história dos presidentes dos EUA? Quatro assassinados e oito tentativas de homicídio

Ao longo da história dos Estados Unidos, vários presidentes foram vítimas de assassinato ou sobreviveram a tentativas de homicídio que abalaram o país e mudaram o caminho da política norte-americana. Desde o século XIX até ao início do século XXI, estes episódios revelam a vulnerabilidade do poder presidencial e o impacto profundo da violência política na democracia norte-americana.

Abraham Lincoln (1865)

Abraham Lincoln, 16.º presidente dos EUA, foi assassinado poucos dias após o fim da Guerra Civil Americana. Figura central na abolição da escravatura, Abraham Lincoln liderou o país entre 1861 e 1865 e foi responsável pelo processo que culminaria na 13.ª Emenda.

Na noite de 14 de abril de 1865, Abraham Lincoln assistia a uma peça no Teatro Ford, em Washington D.C, quando John Wilkes Booth, ator e simpatizante da Confederação, entrou no camarote presidencial e disparou uma pistola contra a sua cabeça. O presidente morreu no dia seguinte.

John Wilkes Booth fugiu, mas foi capturado e morto dias depois.

James A. Garfield (1881)

James A. Garfield, 20.º presidente dos EUA, foi baleado, no dia 2 de julho de 1881, numa estação ferroviária em Washington por Charles J. Guiteau, que acreditava que o assassinato lhe garantiria reconhecimento político.

O disparo não foi imediatamente fatal, mas a falta de condições médicas adequadas levou ao agravamento do estado de saúde do presidente. Garfield morreu 80 dias depois, vítima de infeções. Guiteau foi considerado culpado e executado em 1882.

William McKinley (1901)

William McKinley, 25.º presidente dos EUA, foi assassinado durante a Exposição Pan-Americana, a 6 de setembro de 1901, em Buffalo. Num momento de contacto com o público, Leon Czolgosz, anarquista, aproximou-se e disparou duas vezes contra o presidente.

McKinley ainda resistiu durante vários dias, mas acabou por morrer devido a complicações infeciosas. O assassino foi executado no mesmo ano, e o vice-presidente Theodore Roosevelt assumiu o cargo.

John F. Kennedy (1963)

John F. Kennedy, 35.º presidente dos EUA, foi morto durante uma visita oficial a Dallas, a 22 de novembro de 1963, quando seguia num carro aberto em comitiva.

Disparos atingiram o presidente no pescoço e na cabeça. Foi transportado para o hospital, onde foi declarado morto pouco depois.

Lee Harvey Oswald foi detido, mas acabou morto dois dias depois por Jack Ruby, durante a transferência para a prisão. O caso permanece envolto em teorias da conspiração.

Tentativas de Assassinato

Ao longo da história dos Estados Unidos, vários presidentes foram alvo de tentativas de assassinato que evidenciam a vulnerabilidade do cargo. Andrew Jackson sobreviveu a um ataque em 1835 quando as pistolas do agressor falharam. Theodore Roosevelt foi baleado em 1912, mas conseguiu discursar antes de receber tratamento médico. Franklin D. Roosevelt, Harry S. Truman, Gerald Ford, Ronald Reagan, Bill Clinton e George W. Bush também foram alvos de ataques que falharam ou foram travados pelos serviços de segurança.

A terceira tentativa contra Donald Trump

Donald Trump, atual presidente norte-americano, conta já com três tentativas. A primeira foi ainda durante a sua candidatura, em 2024, alvo de uma tentativa de assassinato durante um comício em Butler, na Pensilvânia. Thomas Matthew Crooks, armado com uma espingarda, disparou contra o palco a partir de um telhado próximo. Trump foi atingido de raspão na orelha, mas sobreviveu, enquanto um participante morreu e outros ficaram feridos. O atirador foi abatido pelos serviços de segurança no local, com o FBI a concluir que terá agido sozinho.

Meses depois, em setembro de 2024, ocorreu um segundo incidente no clube de golfe de Trump na Florida, onde Ryan Wesley Routh foi detido após nova suspeita de tentativa de assassinato, sem que o ex-presidente tenha sido ferido.

Este domingo, houve uma nova tentativa, no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, segundo a CBC News o objetivo seria "funcionários do governo", não tendo o atirador mencionado o nome de Donald Trump.

Fonte: 24 Notícias, 26 de abril de 2026

Quatro presidentes mortos e vários atentados: a violência política na história dos EUA

O recente incidente armado num hotel em Washington trouxe novamente à tona um problema antigo: a violência política nos Estados Unidos. Ao longo da história, o país já viu quatro presidentes serem assassinados e vários líderes políticos tornarem-se alvo de ataques

A história dos Estados Unidos é marcada por episódios recorrentes de violência política ao mais alto nível, incluindo assassinatos, tentativas de magnicídio e ataques a figuras públicas. Ao longo dos séculos, quatro presidentes foram assassinados e vários outros escaparam por pouco ou ficaram feridos em atentados.

Um dos episódios mais recentes ocorreu no mesmo local de um ataque histórico: o Hotel Hilton, em Washington. Em 1981, o então presidente Ronald Reagan foi baleado por John Hinckley Jr., um homem perturbado que procurava chamar a atenção da atriz Jodie Foster. O atentado deixou também gravemente ferido o porta-voz James Brady.

Mais de quatro décadas depois, o mesmo hotel voltou a ser palco de um incidente grave. Um homem armado tentou invadir um evento onde se encontrava Donald Trump, acompanhado pela primeira-dama, pelo vice-presidente JD Vance e outros membros do governo. Segundo o El Mundo, o atacante foi neutralizado antes de conseguir concretizar um massacre, tendo apenas ferido um agente do Serviço Secreto.

A violência política nos Estados Unidos remonta ao século XIX. O primeiro presidente a escapar a uma tentativa de assassinato foi Andrew Jackson, na década de 1830. No entanto, quatro líderes acabariam por morrer em funções.

Abraham Lincoln foi assassinado em 1865 por John Wilkes Booth. Poucos anos depois, em 1881, James A. Garfield foi morto por Charles J. Guiteau. Em 1901, William McKinley caiu às mãos do anarquista Leon Czolgosz. Já em 1963, John F. Kennedy foi assassinado por Lee Harvey Oswald, num caso que continua envolto em polémica e teorias.

Além dos presidentes, várias outras figuras políticas de relevo foram vítimas de violência. Robert F. Kennedy foi assassinado em 1968 durante a campanha presidencial. No mesmo ano morreu também o ativista Martin Luther King Jr.

Outros líderes escaparam com vida, mas ficaram feridos. Entre eles estão Theodore Roosevelt, baleado em 1912, e novamente Ronald Reagan. Mais recentemente, Donald Trump também foi alvo de um ataque durante um comício em 2024, sofrendo ferimentos ligeiros.

Crescente tensão e novos episódios de violência

Segundo o El Mundo, a violência política nos Estados Unidos diminuiu após os anos 80, mas voltou a aumentar significativamente nos últimos anos. Casos recentes incluem assassinatos, tentativas de ataque a governadores e congressistas, e conspirações para raptar ou matar figuras públicas.

Entre os episódios destacados estão o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, ataques a políticos no estado do Minnesota e uma tentativa de incêndio na residência do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro. Também se registaram crimes com motivações políticas e ideológicas, incluindo ataques antissemitas e atentados em manifestações.

Especialistas apontam para uma escalada preocupante. O politólogo Robert Pape, da Universidade de Chicago, descreve o momento atual como uma “era de populismo violento”. A combinação entre polarização política, enfraquecimento das instituições democráticas e radicalização de diferentes grupos tem contribuído para um ambiente cada vez mais instável.

De acordo com o El Mundo, esta tendência não mostra sinais de abrandamento, levando analistas a alertar para o risco de novos episódios de violência política nos Estados Unidos.

Fonte: Executive Digest, 27 de abril de 2026

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Tomás Taveira: as cólicas de um arquiteto

Inês Simões aceita convite da TVI: "Estou prontíssima para me entregar a 100%"