Guerra chegou aos chimpanzés do Uganda
Perry Mason
(1957-1966) – Joyce Bulifant
Cientistas
apontam três possíveis causas para esta cisão, mas não há certezas. Já morreram
pelo menos 24 primatas
O maior grupo de chimpanzés do mundo está numa autêntica
guerra civil. Ninguém sabe ao certo porquê, mas o
conflito durará há oito anos e já
terá feito 24 mortos (incluindo crias). O levantamento foi feito por um
conjunto de cientistas, liderado por Aaron Sandel, que publicou o estudo na
revista Science.
Segundo o antropologista da Universidade do Texas (Estados
Unidos), a comunidade de chimpanzés Ngogo – residente no Parque Nacional de
Kibale, no Uganda – era “muito próxima”. Os machos chegaram mesmo a caçar e a
defender o território em conjunto.
Para chegarem a esta conclusão, os cientistas dividiram o
grupo de mais de 200 animais. Um passou a ser o da área oeste, com o outro a
ficar na zona central. A primeira cisão entre os primatas terá ocorrido em
2015, quando os grupos se evitaram durante um mês e meio. As interações
passaram a ser mais escassas nessa altura. Quando os chimpanzés voltaram a
interagir, fizeram-no de forma "mais agressiva e intensa", segundo
disse Sandel num podcast da revista Science, citado pela BBC. Terá sido
nesta altura que os dois grupos se começaram a afastar.
Ainda que só tenham detetado 24 mortes, os cientistas
acreditam que o número de baixas possa ser maior.
Não tendo certezas do que motiva as desavenças entre os
primatas, os cientistas apontam três causas
possíveis. A primeira, desconfiam, pode estar em 2014. Nesse ano,
cinco machos adultos e uma fêmea morreram por causas desconhecidas. Isto pode
ter quebrado as ligações sociais dos chimpanzés e enfraqueceu os laços. No ano
seguinte, um dos macho-alfa mudou. Esta morte coincidiu com o primeiro período
de separação entre as fações. Segundo Aaron Sandel, as mudanças na figura
dominante “podem aumentar os níveis de agressividade”. Por fim, a morte de 25
chimpanzés devido a uma epidemia respiratória, em 2017 (um ano antes da cisão
final) pode também ter contribuído para este desfecho. Uma das vítimas era
responsável por “conectar” os dois grupos.
Com todas as hipóteses em aberto, os investigadores
consideram que estes comportamentos podem mostrar como o conflito humano
evoluiu ao longo dos tempos.
Antigos aliados foram os primeiros alvos
Segundo os cientistas, os primeiros alvos após a cisão entre
os grupos foram os animais que, outrora, alimentavam-se e patrulhavam juntos.
Os investigadores argumentam que isto mostra que se os primatas se atacam não
tendo religião ou ideais políticos, “as dinâmicas interpessoais podem
desempenhar um papel maior no conflito” do que inicialmente se pensava.
De acordo com o primatologista Sylvain Lemoine, este caso
pode também mostrar como os humanos evoluíram. Citado pelo jornal The New
York Times, o cientista, que não participou no estudo, afirmou: “Estas
conclusões dizem-nos que, de facto, estas espécies de guerras civis podem ter
acontecido durante a evolução humana.”
Fonte: Correio da Manhã, 15 de abril de 2026
Depois do Irão, Líbano, Cuba, o presidente exterminador adorável de guerras terminará mais esta, restaurando a paz no meio da selva.


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