Homem mais rico da Ucrânia compra no Mónaco apartamento mais caro da história
Rinat
Akhmetov comprou um apartamento de 21 divisões e 2500 metros quadrados no
Mónaco por 471 milhões de euros. A Bloomberg estima que Akhmetov possua uma
fortuna a rondar os 6 mil milhões de euros.
O multimilionário ucraniano Rinat Akhmetov, considerado o
homem mais rico do seu país, comprou um apartamento de 21 divisões e 2500
metros quadrados no Mónaco por 471 milhões de euros, uma das transações mais
caras da história.
De acordo com uma notícia publicada na terça-feira pela agência Bloomberg, o apartamento ocupa cinco andares no complexo residencial mais luxuoso do principado, "Le Renzo", construído num terreno aterrado no distrito de Maraterra e inaugurado pelo Príncipe Alberto em 2024.
Com vários terraços com vista para o Mediterrâneo, o
apartamento conta ainda com uma piscina privada, jacuzzi e pelo menos oito
lugares de estacionamento, segundo a agência.
A venda foi finalizada em 2024 e o seu preço ultrapassa os
310 milhões de euros que o promotor imobiliário Nick Candy recebeu pelo seu
apartamento no bairro de Chelsea, em Londres, a venda mais cara de residências
unifamiliares conhecida até à data.
A Bloomberg estima que Akhmetov, que dirige um conglomerado industrial com investimentos em
metalurgia, mineração e energia, possua uma fortuna de cerca de 6
mil milhões de euros.
Os seus investimentos imobiliários já geraram bastante
discussão. Em 2019, adquiriu a Villa Les Cèdres, na Riviera Francesa, antiga
residência do Rei Leopoldo II da Bélgica, por 200 milhões de euros.
Fonte: RTP, 22 de abril de 2026
Presidente da Ucrânia alega tentativa de golpe que envolve o homem mais rico do país
Há anos de animosidade entre o presidente Volodymyr Zelensky e Rinat Akhmetov
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alega que existe o risco de um golpe de Estado apoiado pela Rússia contra si na próxima semana, envolvendo um dos maiores oligarcas da Ucrânia — Rinat Akhmetov.
Zelensky apresentou as acusações numa conferência de imprensa convocada à pressa na sexta-feira, afirmando possuir gravações de pessoas do círculo de Akhmetov, na Ucrânia e na Rússia, a discutir um esquema com um custo estimado em mil milhões de dólares.
“Não se trata apenas de informações de inteligência, mas também de interceções áudio, onde representantes da Ucrânia, por assim dizer, discutem com representantes da Rússia a participação de Rinat Akhmetov no golpe na Ucrânia”, disse o presidente.
Zelensky não referiu outros nomes e disse que Akhmetov estava “a ser arrastado para uma guerra contra o Estado ucraniano”.
Akhmetov classificou as alegações como “uma mentira absoluta”.
“Estou indignado com a disseminação desta mentira, independentemente dos motivos do presidente”, disse em comunicado. “Continuarei a defender uma Ucrânia livre, uma economia livre, a democracia e a liberdade de expressão.”
Uma pessoa próxima de Zelensky disse que os EUA forneceram à Ucrânia informações de inteligência nas últimas semanas indicando que haveria “um esforço interno de desestabilização”, com a possibilidade de um ou mais oligarcas ucranianos estarem envolvidos.
“Do ponto de vista ucraniano, seria muito prudente que todos os jogos políticos internos parassem”, disse o conselheiro. “Pelo menos até compreendermos a natureza da ameaça russa.”
A declaração de Zelensky surge num contexto de elevadas tensões com a Rússia. Os EUA e a NATO alertam que Moscovo pode estar a planear uma invasão em grande escala, ao mesmo tempo que aumenta o número de tropas na fronteira leste da Ucrânia, devastada pela guerra, e na Crimeia, que anexou da Ucrânia em 2014.
Na sexta-feira, o presidente norte-americano, Joe Biden, disse que "com toda a probabilidade" iria falar com Zelensky e com o líder russo, Vladimir Putin, sobre as alegações de golpe. Expressou a objeção dos EUA a "qualquer coisa que remotamente se aproxime" de uma conversa sobre um golpe. "Estou preocupado", disse Biden aos jornalistas. "Apoiamos a integridade territorial da Ucrânia. Apoiamos a capacidade da Ucrânia de se autogovernar".
Moscovo negou qualquer envolvimento numa conspiração golpista. "A Rússia nunca teve planos para participar", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Conflito interno
No país, Zelensky está no meio de uma disputa com Akhmetov, o homem mais rico da Ucrânia, com a liberdade de imprensa em jogo.
Após a sua vitória decisiva nas eleições de 2019, Zelensky viu os seus índices de aprovação cair a pique para o nível mais baixo de sempre entre os ucranianos desiludidos. Uma das suas promessas de campanha não cumpridas foi a de trazer a paz ao leste da Ucrânia, mergulhado em guerra com aliados da Rússia desde 2014.
A sua outra promessa — de combater a corrupção e quebrar o domínio que os oligarcas ricos exercem sobre a economia, a política e os média da Ucrânia — também tinha apresentado poucos progressos, até que sancionou um projeto de lei antioligarca no início de novembro.
Com entrada em vigor prevista para o próximo ano, o projeto de lei define oligarca com base em vários critérios, incluindo riqueza, atividade política, monopólio industrial e ativos nos meios de comunicação social. Aqueles que se enquadrem na definição serão proibidos de possuir meios de comunicação social, de participar em processos de privatização e de atividades políticas, incluindo o financiamento de partidos políticos.
Com um património líquido superior a 10 mil milhões de dólares, segundo a Bloomberg, Akhmetov não se limita a cumprir os critérios de riqueza. A sua holding, a System Capital Management, é proprietária da DTEK, que controla 70% da produção de energia da Ucrânia, bem como de empresas de telecomunicações e de média, incluindo o quarto canal de TV mais popular do país, o Ukraina. As outras três empresas também pertencem a oligarcas, entre as quais Igor Kolomoisky, amplamente reconhecido por ter ajudado Zelensky a ser eleito, em parte através do seu canal de TV, 1+1.
O canal Ukraina, de Akhmetov, apoiou um dos adversários de Zelensky nas eleições de 2019. A cobertura da Ukraina tem-se tornado cada vez mais crítica em relação a Zelensky e ao seu partido, Servo do Povo, desde que o governo deixou de reembolsar a DTEK pela energia verde comprada pelas empresas estatais.
"Acredito que os meios de comunicação social da DTEK não se preocupam com a liberdade de expressão", disse Zelensky numa conferência de imprensa na sexta-feira. "Acredito que esta é uma luta contra mim por causa de uma simples lei de desoligarquização".
Os críticos da lei anti-oligarquização afirmam que esta é populista, não faz nada para combater as causas sistémicas da corrupção e pode ser facilmente manipulada a favor do presidente. A lei estipula que a decisão final sobre quem é um "oligarca" é tomada pelo Conselho de Segurança e Defesa Nacional (CSDN), nomeado diretamente pelo presidente.
Preocupações com a liberdade de expressão
No início deste ano, o CSDN impôs sanções a outros proprietários de meios de comunicação social ricos, incluindo Viktor Medvedchuk, um político pró-Rússia, cujos canais de TV foram encerrados por alegadamente promoverem propaganda antiucraniana. Embora muitos tenham saudado a medida como um combate à influência russa nos meios de comunicação ucranianos, também houve preocupações de que criasse um precedente perigoso para a liberdade de expressão.
Há outros indícios de que o governo de Zelensky está a reforçar o controlo sobre os meios de comunicação social.
A Suspilne, a estação pública do país, sofre com a constante falta de fundos e com a pressão do governo. Este mês, o Kyiv Post, jornal independente ucraniano em língua inglesa, encerrou as suas atividades abruptamente perante o que os seus funcionários descrevem como uma crescente pressão para se conformarem.
A conferência de imprensa de Zelensky na sexta-feira foi criticada pelos jornalistas, uma vez que, em vez de um processo de acreditação aberto, apenas representantes dos meios de comunicação social convidados puderam participar.
Zelensky abordou ainda a ameaça de invasão russa durante a conferência, afirmando que a Ucrânia estava “totalmente preparada para uma escalada”, mas que o seu governo estava pronto para dialogar com o Kremlin.
O Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, falou na sexta-feira com Andriy Yermak, chefe da administração presidencial ucraniana.
“Discutiram as suas preocupações em comum sobre as atividades militares russas em curso perto da fronteira da Ucrânia e a sua retórica agressiva contra a Ucrânia”, referiu um comunicado dos EUA.
A Rússia acusou a Ucrânia e o Ocidente de provocarem a crise ao intensificarem a atividade militar e o apoio ocidental ao exército ucraniano.
Fonte: Politico, 27 de novembro de 2021








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