Israel matou mais de 38 000 mulheres e raparigas nos bombardeamentos em Gaza
As
mulheres e raparigas foram "vítimas dos bombardeamentos aéreos e das
operações militares terrestres israelitas", denunciou a porta-voz da ONU
Mulheres
Mais de 38 000 mulheres e raparigas foram mortas em Gaza
entre outubro de 2023 e o final de 2025, vítimas da ofensiva militar de Israel
no enclave palestiniano, denunciou hoje a ONU.
As mulheres e raparigas foram "vítimas dos
bombardeamentos aéreos e das operações militares terrestres israelitas",
declarou em Genebra a porta-voz da ONU Mulheres, Sofia Calltorp, citada pela
agência de notícias France-Presse (AFP).
Num relatório divulgado na cidade suíça, a ONU precisou que morreram 22 000 mulheres e 16 000 raparigas na
ofensiva israelita de represália pelos ataques em Israel de 7 de outubro de
2023, liderados pelo grupo extremista palestiniano Hamas.
O número "representa uma
média de pelo menos 47 mulheres e raparigas mortas por dia",
disse Calltorp.
Seis meses após a entrada em vigor cessar-fogo de outubro de
2025, as mulheres e raparigas de Gaza "continuam a enfrentar riscos graves
e persistentes", alertou a ONU, também citada pela agência de notícias
espanhola Europa Press (EP).
A organização disse ter informações de que apesar do
cessar-fogo, "os assassínios de mulheres e raparigas continuaram durante
os últimos meses, o que reflete que as ameaças à sua vida continuam
presentes".
No relatório intitulado "O custo da guerra em Gaza
sobre mulheres e raparigas", a ONU informou também que cerca de 11 000
mulheres e raparigas sofreram ferimentos que resultaram em incapacidade
permanente.
O organismo advertiu que o número de vítimas "é
provavelmente mais elevado", dado que "muitos corpos continuam presos
sob os escombros".
O colapso dos sistemas de informação de saúde também
"limitou de forma significativa" a documentação sobre as vítimas da
guerra no enclave palestiniano, segundo a ONU.
"O impacto da guerra nas mulheres e nas raparigas foi
devastador", afirmou a diretora regional da ONU Mulheres para os Estados
Árabes, Moez Doraid.
Além do elevado número de mortos, Doraid disse que "a
guerra transformou as famílias, e dezenas de milhares de lares são agora
chefiados por mulheres".
"Muitas delas enfrentam maiores dificuldades económicas
e riscos mais elevados, ao mesmo tempo que suportam a carga total do cuidado e
da sobrevivência", disse.
Doraid defendeu a necessidade de uma "aplicação
total" do cessar-fogo, com "um cumprimento estrito das suas
cláusulas, respeito pelo Direito Internacional,
reforço da prestação de contas e proteção de mulheres e raparigas".
Exigiu também o "acesso à ajuda humanitária necessária,
sem restrições".
Para Doraid, as mulheres e as raparigas "devem estar no
centro da resposta e da recuperação, além de contarem com uma participação
significativa na construção da paz e na reconstrução" em Gaza.
O território sob controlo do Hamas desde 2007, em rutura com
a Autoridade Palestiniana que governa parte da Cisjordânia, sofreu uma grande
devastação e viu-se mergulhado numa profunda crise humanitária por causa da
ofensiva israelita.
As autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, elevaram na
quinta-feira para mais de 765 os mortos desde o início do cessar-fogo, em vigor
desde outubro passado.
Além disso, cifraram em cerca de 72 350 os mortos devido à
ofensiva de Israel após os ataques de 7 de outubro de 2023.
Fonte: RTP, 17 de abril de 2026

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