Joana Mortágua abre café na Graça. “Queríamos um espaço de imperial e petiscos”
"Não
fazia sentido deixar morrer um sítio que já foi de encontro", diz. O Café
Central é inaugurado este sábado, 18 de abril
Na Graça, um dos bairros mais afetados pela transformação
urbana de Lisboa, está a nascer um novo projeto
que tem um objetivo bem definido: travar a gentrificação que decorre
naquela zona. O Café Central abre portas este sábado, 18 de abril, e também
quer ser um ponto de encontro acessível, comunitário e sem pretensões.
“A ideia é resistir à gentrificação que vai fechando os
pontos de encontro dos bairros para abrir coisas extremamente conceituais”,
conta Joana Mortágua, uma das fundadoras, à NiT. “Nós quisemos um espaço de
imperial e petiscos, sem conceitos fechados, onde as pessoas se possam
encontrar. Não fazia sentido deixar morrer um sítio que já foi de encontro. O
objetivo é que continue a ser.”
O projeto nasce “de um encontro de vontades” entre a
ex-deputada da Assembleia da República Portuguesa, Vítor
(antigo professor de forró) e Sam,
artista ligada à noite e com experiência como bartender. Juntos, decidiram
recuperar um antigo grupo recreativo num bairro operário da Graça, que ao longo
dos anos foi palco de música ao vivo.
Desde o início que a intenção foi preservar o espírito do
espaço, evitando que se tornasse mais um negócio descaracterizado. “A ideia foi
não deixar que o espaço fechasse enquanto ponto de encontro, criando ao mesmo
tempo um espaço que possa reunir a comunidade local”, descreve.
O conceito do Café Central foi surgindo a partir de
interesses distintos, mas complementares. Joana
Mortágua, por exemplo, pensava em ter um espaço ligado ao Fado. Já Vítor tinha a vontade de criar um refúgio para quem
gosta de música e dança brasileiras. O resultado é um empreendimento
que quer ser sala de estar, palco e mesa de jantar ao mesmo tempo.
“É um sítio descontraído, confortável e familiar, onde possa
haver desde noites de poesia a atividades para miúdos enquanto os pais bebem um
copo.” O nome, claro, não foi pensado ao acaso — remete para os cafés centrais
das vilas portuguesas, antes referências locais e que nos últimos anos têm
desaparecido.
Quem entrar neste spot pode esperar uma carta pensada para
partilhar e com influência das tascas portuguesas. A responsável pelo menu é
Leonor Godinho, fundadora do Bibs, em Santos. “Ela entra muito nesta ideia de
comida simples, de conforto e dos petiscos. Foi baseado na ideia de partilhar
comida à volta de um copo”, descreve Mortágua.
Ali há petiscos mais tradicionais, como salada de polvo, mas
também “propostas mais especiais que a Leonor prepara”. Há ainda opções
vegetarianas e veganas, além de sandes que prometem conquistar os clientes. “Os
dadinhos de tapioca vão surpreender muita gente. E
há uma sandes de cachaço que é a minha favorita. A carne desfaz-se
completamente”, garante.
O Café Central foi pensado para ser versátil, tanto na
disposição como na programação. Com capacidade para cerca de 50 clientes
sentados, pode facilmente transformar-se para receber eventos em pé e
concertos. “Queremos que seja um espaço onde tudo pode acontecer. Pode haver
uma apresentação com pessoas em pé ou uma noite de fados com toda a gente
sentada a jantar.”
A decoração inspira-se na história do bairro onde se insere,
com referências visuais à Estrela d’Ouro, uma vila operária localizada na
freguesia de São Vicente, e uma paleta de cores dominada pelo azul e dourado.
“É esta a nossa imagem.”
Mais do que um café, o projeto assume-se como um espaço
cultural com programação variada e sempre aberto a novidades. Mesmo assim, quer
“servir boa comida, ter bom vinho, boa imperial e um bom ambiente.”
A inauguração, marcada para 18 de abril, a partir das 16
horas, inclui atuações de Samuel Úria e Benjamin.
No dia seguinte, haverá uma jam session a partir das 17 horas. “Vai ser um
momento muito especial, com um cartaz pensado para celebrar um projeto em que
trabalhámos quase um ano”, conta Joana Mortágua.
“Queremos que o Café Central seja conhecido em Lisboa e que
as pessoas gostem dele.” Para já, a programação está a ser construída com
convites e colaborações pontuais, mas a equipa já trabalha com programadores
para estruturar uma agenda regular. “Vamos caminhando devagarinho, mas com a
certeza de que este pode ser um sítio onde as pessoas se voltam a encontrar.”
Ali, pode encontrar petiscos como azeitonas (2€), tostinhas com manteiga de cor (4€), scamorza no forno com cebolinho (7€), dadinhos de tapioca com goiabada picante (5€), diferentes sandes a partir de 9€ e saladas desde 5€. Há ainda diferentes opções de pizzas como marguerita (8€), zucchini (10€), diavola (10€) e vegana (10€).
Para beber, há café (1€), imperial (1,50€), vinho da casa
(2,50€ por copo) e cocktails como Gin Tónico (8€), Café Central (10€) e Moscow
Mule (10€), entre outros.
Fonte: NiT, 18 de abril de
2026

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