Lei Prestianni entra em vigor já no próximo Mundial
Eva Murati
Jogava-se em meados de fevereiro o playoff de acesso aos
oitavos da Liga dos Campeões, no Estádio da Luz. O adversário do Benfica era o
Real Madrid. O golo de Vinícius Jr. que decidiu o encontro ou o futebol jogado
ficaram muito atrás de uma polémica que ecoou nas semanas seguintes. Já ninguém
se lembra do remate do número 7 dos merengues que ditou o resultado final da
partida. Na memória ficou o gesto do número 25 do Benfica: Prestianni. O extremo argentino tapou a boca com a camisola para
encobrir insultos que terá proferido a Vinícius. Prestianni não
sabia, mas, naquele momento, estava a dar a ignição (além de a muitas reações
ao gesto) a uma lei que esta terça-feira foi aprovada pela Direção da
Associação de Futebol Internacional (IFAB, na sigla em inglês) e que entrará em
vigor no Mundial-2026.
“A critério do organizador da competição, qualquer jogador
que tapar a boca numa situação de confronto com um adversário poderá ser punido
com um cartão vermelho”, lê-se uma nota publicada pelo organismo
regulador do futebol mundial.
O mais recente ajuste às leis de jogo foi aprovado “por
unanimidade”, com o “objetivo de combater comportamentos discriminatórios e
inadequados”. Ficou conhecida após uma condenação ao jogador argentino por
parte da UEFA, que lhe aplicou um castigo de “seis jogos de suspensão, quer a
nível de clube, quer de seleção nacional”, por “conduta discriminatória”.
O momento entre Gianluca Prestianni e Vinícius Jr. surgiu
depois do golo que o avançado brasileiro marcou frente ao Benfica. Kylian
Mbappé, que estava junto dos dois jogadores, disse ter ouvido o jogador do
Benfica chamar ‘mono’ (macaco) ao jogador do Real Madrid.
Prestianni diz ter dirigido insultos como ‘cagón’ (cobarde)
e ‘maricón’ (maricas). Esse também foi o entendimento da UEFA, que, por isso,
não deixou de aplicar um castigo ao avançado dos encarnados.
Além desta alteração, a “reunião especial” do IFAB, em
Vancouver, no Canadá, resultou numa outra: o IFAB declarou que o árbitro passa
poder “punir com cartão vermelho qualquer jogador que abandone o campo em
protesto contra uma decisão da arbitragem”. O organismo acrescenta que “esta
nova regra também se aplicará a qualquer membro da comissão técnica que incite
os jogadores a deixarem o campo”.
Fonte: Observador, 29 de abril de 2026

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