“O Assassino Federal Amigável” teria Trump como alvo, mas foi travado
Jantar
dos Correspondentes da Casa Branca foi interrompido pelos tiros, com o
presidente e outros membros da Administração a serem retirados à pressa.
Suspeito tinha enviado manifesto à família
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Fox News
que o suspeito do tiroteio no Jantar de Correspondentes da Casa Branca estava
“doente e muito perturbado” e parecia nutrir “ódio no coração há algum tempo”.
O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou à NBC que, segundo a investigação inicial,
o alvo seriam os membros da Administração, “provavelmente
incluindo o presidente”.
A confirmar-se, é a terceira tentativa de assassinato de
Trump em menos de dois anos, com o presidente a aproveitar para “vender” a
necessidade de avançar com a construção do Salão de Baile da Casa Branca
(travado pelos tribunais).
O suspeito, identificado como sendo Cole Tomas Allen, de 31
anos, residente em Torrance, na Califórnia, enviou um manifesto à família cerca
de dez minutos antes do tiroteio (o irmão avisou
as autoridades). Identificava-se como “O Assassino Federal Amigável”
e deixava claro que queria atacar funcionários do governo. “Já não estou disposto a permitir que um pedófilo,
violador e traidor me suje as mãos com os seus crimes”, escreveu
Allen, aparentemente referindo-se ao presidente, mas sem dizer o seu nome, segundo
o texto divulgado pelo New York Post.
No documento, criticava os campos de detenção dos migrantes,
os pescadores executados sem julgamento (referência aos alegados traficantes
abatidos pelos militares dos EUA no Pacífico e Caraíbas), as crianças que
morrem bombardeadas nas escolas (referência ao Irão) ou à fome (provavelmente
Gaza).
“Oferecer a outra face quando ‘alguém’ é oprimido não é um
comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”, indicou.
O vídeo de uma câmara de segurança, revelado pelo próprio Trump, mostra como Allen passou a correr por um posto de segurança, disparando contra um agente do Serviço Secreto (que tinha um colete à prova de balas e ficou só ligeiramente ferido),
Os agentes dispararam também contra o suspeito, acabando por
o deter antes de ele se aproximar das escadas
que levavam ao salão de baile, na cave do Hotel Washington Hilton,
onde estavam dois mil convidados. Trump tinha chegado minutos antes.
Numa conferência de imprensa mais tarde na Casa Branca, o presidente admitiu que pensou que era uma travessa a
cair e não um tiro. Trump estava sentado ao lado da primeira-dama
Melania, na mesa principal, quando se ouviram os tiros no exterior.
Ambos foram levados pelos agentes do Serviço Secreto, assim
como outros membros da Administração, com vários seguranças armados a irromper
pelo salão e os convidados a protegerem-se
debaixo das mesas. A confusão era muita, segundo os jornalistas,
impossibilitados de sair da sala.
Trump divulgou na Truth Social uma imagem do suspeito após a detenção.
Os média identificaram-no como sendo Allen, que estudou
Engenharia Mecânica no Instituto de Tecnologia da Califórnia e Ciências da
Computação na Universidade Estadual da Califórnia. Trabalhava como professor.
A sua casa foi alvo de buscas, com a polícia à procura de
motivo para o suspeito se ter munido de facas,
uma espingarda e uma pistola (ambas
compradas nos últimos dois anos e meio) e ter tentado entrar no salão de baile
do Hilton.
Segundo o procurador-geral interino, Allen viajou de Los
Angeles para Chicago e depois para Washington, sempre de comboio, tendo-se
hospedado no hotel do evento no dia 24.
O suspeito será presente esta segunda-feira (27 de abril) ao
juiz, que o deverá acusar de dois crimes:
uso de arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal
com arma perigosa. Consoante a investigação, poderá ser também acusado agora ou
mais tarde de tentativa de assassinato.
Segurança em causa?
A confirmar-se que Trump era o alvo, será a terceira vez que
o presidente é visado. Em julho de 2024, o então candidato foi atingido de
raspão na orelha por uma bala num comício ao ar livre em Butler, na
Pensilvânia. O suspeito foi morto.
Em setembro desse mesmo ano, Trump estava a jogar golfe em
Palm Springs, na Florida, quando os agentes do Serviço Secreto detetaram uma
arma, disparando contra esse suspeito também (que, entretanto, foi condenado a
prisão perpétua).
O novo tiroteio perto de Trump levanta questões sobre a
segurança em torno do presidente, mesmo se o suspeito foi travado muito antes de entrar no salão - onde estava não apenas o presidente, mas o
vice-presidente JD Vance e o líder da Câmara dos Representantes, Mike Johnson,
ou seja, a linha de sucessão.
Além de vários membros da Administração. Segundo os
jornalistas que assistiram ao evento, que se realiza desde 1921, a segurança não era elevada, bastando mostrar
o convite para entrar no hotel (não era confirmada a identidade) e depois
passar um único ponto de segurança.
O próprio Trump disse que o hotel “não era um edifício
particularmente seguro”, aproveitando a oportunidade para defender a construção
do Salão de Baile na Casa Branca. O presidente já demoliu a ala leste para
abrir espaço para esse empreendimento, financiado por donativos privados de 400
milhões de dólares. Mas um juiz obrigou a parar a obra acima do solo (abaixo
decidiu que devia continuar).
“Este evento nunca teria acontecido se o Salão de Baile Ultrassecreto Militar estivesse atualmente em construção na Casa
Branca. A construção não pode ser concluída suficientemente depressa!”,
escreveu Trump na Truth Social.
“O ridículo processo judicial interposto por uma mulher
que passeava o seu cão, e que não tem
absolutamente nenhuma legitimidade para intentar tal ação, deve ser
imediatamente arquivado”, acrescentou.
Apelo à união
Na conferência na Casa Branca, após o tiroteio, Trump voltou
a surgir com um tom conciliador (tal como depois de uma bala o ter atingido de
raspão em Butler) - que difere da retórica de crispação que tem marcado a sua
Administração. O presidente sugeriu que as suas convicções políticas
o tornaram num alvo - a sua é uma “profissão perigosa” -, mas também
fez um apelo à união e à reconciliação bipartidária num mundo cada vez mais
violento.
“Precisamos de resolver as nossas diferenças”, disse o
presidente. “Devo dizer que havia republicanos, democratas, independentes,
conservadores, liberais e progressistas. Estas palavras são intercambiáveis,
talvez, mas talvez não. Mesmo assim, toda a gente naquela sala, uma multidão
enorme, uma multidão recorde, havia
um grupo de pessoas sem precedentes, deu uma enorme demonstração de amor e
união. Observei, observei, e fiquei muito, muito impressionado com isso.”
Fonte: Diário de Notícias, 26 de abril de 2026
Atirador pretendia atingir altas figuras da administração
Trump e "não está a cooperar", diz procurador
O
atirador que tentou invadir uma gala de imprensa, no sábado em Washington,
parecia ter como alvo altas figuras da administração norte-americana, incluindo
o presidente Donald Trump, que também estava no local, indicou este domingo, 26
de abril, o procurador-geral interino
Em declarações ao programa “Meet the Press” da cadeia CBS
News, Todd Blanche apontou "informações muito preliminares" que
levam os investigadores a acreditar que o homem "parecia pretender
realmente atacar as pessoas que trabalham no governo, incluindo provavelmente o
presidente".
Segundo o procurador norte-americano, o atirador, que foi
detido no local na posse de armas de fogo e facas, "não está a cooperar
ativamente" com a investigação.
Todd Blanche, que também estava no jantar juntamente com
centenas de outras pessoas, acrescentou que os investigadores suspeitam que o
homem viajou de comboio de Los Angeles, passando por Chicago, para Washington,
onde nos últimos dias se hospedou no hotel que acolhia o evento promovido pela
Associação de Correspondentes da Casa Branca.
Os investigadores não divulgaram publicamente o nome do
suspeito, mas dois agentes das autoridades próximos do caso identificaram-no à
agência Associated Press (AP) como Cole Tomas Allen, 31 anos, de
Torrance, na Califórnia.
Uma fotografia de perfil de Allen na rede social LinkedIn,
de maio de 2025, parece corresponder à aparência do homem numa imagem do
alegado agressor a ser detido, publicada pelo líder norte-americano, refere a
AP.
Na noite de sábado, tentou invadir o enorme salão de baile
do Washington Hilton, mas foi derrubado numa
cena caótica que resultou em tiros, enquanto o líder da Casa Branca,
o seu vice-presidente, JD Vance, e a primeira-dama, Melania Trump, eram
retirados apressadamente do palco e os convidados se protegiam debaixo das
mesas.
Acredita-se que o suspeito tenha comprado as armas que
transportava nos últimos dois anos, disse ainda Blanche, que prevê a formulação
das acusações na segunda-feira.
Um vídeo publicado por Donald Trump mostrou o suspeito a
correr pelas barricadas de segurança enquanto os agentes dos serviços secretos
corriam na sua direção.
Um agente foi atingido por um
tiro num colete à prova de bala e estava hoje a recuperar, disseram
as autoridades.
O atirador não ficou ferido, mas estava a ser avaliado num
hospital, segundo a polícia.
O tiroteio nas barricadas de segurança aconteceu minutos
após o início do evento, que teve ainda uma tentativa para ser retomado, mas
acabou por ser cancelado.
No seguimento do incidente, o presidente norte-americano
exigiu a conclusão imediata do polémico salão de baile que mandou construir na
Casa Branca.
Numa mensagem publicada na sua rede Truth Social, Trump
insistiu que o incidente justifica a necessidade de um espaço de alta segurança
dentro do perímetro da residência presidencial.
"O que aconteceu ontem à
noite é exatamente a razão pela qual as nossas forças armadas, o serviço
secreto e as forças policiais têm vindo a exigir a construção de um grande e
seguro salão de baile nos jardins da Casa Branca", sustentou.
Na sua mensagem, o político republicano criticou duramente a
batalha judicial que paralisou a construção do projeto de 400 milhões de
dólares (340 milhões de euros), que previa a demolição da histórica ala leste.
"O ridículo processo contra o salão de baile, movido
por uma mulher que passeava o seu cão e que não tem nenhuma legitimidade, deve
ser imediatamente arquivado", declarou Trump, referindo-se ao processo
que, em março passado, levou o juiz federal Richard Leon a ordenar a suspensão
da construção devido à falta de aprovação do Congresso.
O magistrado concedeu uma medida cautelar pedida por um
grupo ambientalista, suspendendo temporariamente o projeto.
Segundo o líder norte-americano, o novo salão de baile, com
cerca de 8000 metros quadrados, é uma estrutura "militar
ultrassecreta" com os mais altos níveis de segurança e sem pisos
superiores através dos quais "pessoas não autorizadas se possam
infiltrar", aludindo ao atirador que tentou invadir o evento com os
correspondentes da Casa Branca.
Fonte: Diário de Notícias, 26 de abril de 2026
Trump afirma que suspeito de ataque "é muito
problemático" e tem "um ódio forte e anticristão"
O
presidente dos Estados Unidos afirmou que o homem que disparou no hotel de
Washington, quando decorria o jantar com os correspondentes na Casa Branca, tem
uma ligação religiosa radical
O presidente norte-americano Donald Trump disse este
domingo, 26 de abril, numa entrevista via telefone à estação de televisão Fox
News, que o homem suspeito de disparar no hotel onde de Washington onde, na
última madrugada, jantava com os correspondentes internacionais na Casa Branca teve como motivação "um ódio forte e
anticristão".
Trump referiu que o suspeito é "um tipo muito
problemático" ao mesmo tempo que tem uma ligação religiosa radical, de
acordo com um manifesto e em informações das autoridades norte-americanas.
"Quando se lê o seu manifesto, percebe-se
que ele odeia os cristãos. Isso é certo. É um ódio forte e anticristão",
disse o presidente dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o líder norte-americano revelou que a
própria família do atirador "sabia que ele estava a passar por
dificuldades". "Talvez devessem ter-se manifestado com um pouco mais
de firmeza. Imagino que seja uma coisa difícil de se fazer, mas é uma situação
muito, muito má", sublinhou.
Antes, o procurador-geral interino Todd Blanche tinha dito à
cadeia de televisão NBC admitiu que o suspeito teria como alvo Trump e outros
altos membros da sua administração.
O suspeito, detido após trocas de tiros com os elementos de
segurança, é apontado como sendo Cole Thomas Allen, de 31 anos, que, segundo os
primeiros dados da investigação indicados por Todd Blanche, terá viajado de
comboio de Los Angeles para Washington, onde se alojou no hotel do evento um ou
dois dias antes do ataque.
O suspeito encontra-se no hospital em avaliação, não está a
cooperar com as autoridades, de acordo com Todd Blanche, pelo que deverá
comparecer no tribunal federal no Distrito de Columbia na segunda-feira para
conhecer as acusações formais.
Ainda em declarações à Fox News, Trump elogiou a
"coragem" e o "talento" do Serviços Secreto e das forças
policiais que estavam no hotel. "Tínhamos um grande grupo de pessoas. O Serviço
Secreto e todas as forças policiais foram, na minha opinião, excecionais.
Detiveram-no imediatamente", disse, ao mesmo tempo que comparou a
velocidade do atacante à de um jogador de futebol americano.
O presidente dos EUA relacionou ainda a atuação dos agentes
de segurança com a disputa orçamental com a oposição democrata no Congresso.
"Este é um grupo que não está a ser pago,
se pararmos para pensar. Os democratas estão a reter os seus salários, e penso
que talvez se mostrem um pouco mais tolerantes agora, porque foi demonstrado um
grande talento", disse.
Trump voltou ainda a negar que tenha havido alguma falha na
sua segurança, uma vez que o atacante "nem sequer chegou perto dos
portões" devido às "muitas camadas" de segurança.
Fonte: Diário de Notícias, 26 de abril de 2026




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