Por erro de um jornal internacional, este relojoeiro tornou-se milionário e um dos mais reputados
Efeito Veblen
O Efeito Veblen descreve um fenómeno económico onde a procura por certos bens de luxo aumenta à medida que o seu preço sobe, contrariando a lei da oferta e da procura. Nomeado em homenagem ao economista americano Thorstein Veblen, este comportamento ocorre porque preços elevados tornam os produtos símbolos de status e exclusividade, estimulando o consumo ostentatório.
Quando se fala de Alta relojoaria suíça, fala-se de
tradição, herança e de séculos de precisão. Mas no meio desse universo rígido
surgiu um outsider que decidiu fazer exatamente o contrário e – spoiler
alert – venceu.
Quando Richard Mille lançou a sua marca em 1999, não tinha
tradição, nem legado. Tinha apenas uma ideia diferente: fazer relógios
inspirados em carros de corrida e engenharia de alto desempenho e, para isso,
juntou-se ao atelier suíço Audemars Piguet Renaud & Papi e pediu algo fora
do normal: relógios que parecessem máquinas, não joias e assim nasceu a marca
homónima Richard Mille.
Mas a história de Richard Mille tornou-se famosa não só pela
inovação dos seus relógios, mas também por... um erro. No início, quando a
marca ainda era praticamente desconhecida, surgiu um anúncio no jornal
financeiro Financial Times de um relógio de 13,5 mil dólares (cerca de
€13,5 mil euros), já suficientemente alto para levantar sobrancelhas no mundo
da relojoaria suíça.
Diz-se que, nesse primeiro anúncio, um erro de tipografia
terá acrescentado um zero ao preço real da peça, ou seja, o relógio ficou à
venda por 135 mil dólares (cerca de 135 mil euros), suscitando uma procura
inesperada que terá levado a marca a manter o preço, transformando o “erro”
numa estratégia involuntária de posicionamento.
Assim, aquilo que podia ter sido apenas um deslize acabou
por ajudar a construir uma das identidades mais exclusivas do luxo moderno,
onde o preço não é uma barreira, mas sim parte do desejo num mercado que não
funciona apenas pela beleza ou tradição, funciona pela raridade e pelo impacto.
A marca passou então a seguir três ideias simples: produção
muito limitada; preços extremamente altos; e design radical e diferente de tudo
o resto.
E até nas campanhas Richard Mille é irreverente. Em vez de
campanhas tradicionais, Richard Mille colocou peças de mais de um milhão de
dólares no pulso de atletas em competição real – Rafael Nadal em pleno
Wimbledon; Lewis Hamilton dentro do cockpit; e Yohan Blake nos 100 metros
planos –, sendo a mensagem simples e poderosa: se aguenta o desporto de elite,
aguenta tudo.
A lição desta história
O mais curioso na história de Richard Mille é que o sucesso
não nasceu de um plano perfeito, nasceu de algo que poderia ter sido um erro.
Afinal, era um design demasiado diferente, um preço que parecia absurdo, e uma
abordagem que fugia às regras do luxo tradicional.
Fonte: Versa, 14 de abril de 2026

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