Português baleado por agentes de imigração nos EUA declara-se culpado e evita nova pena de prisão
O português baleado em dezembro passado por agentes do
serviço de imigração dos Estados Unidos durante uma operação de fiscalização,
nos arredores de Baltimore, declarou-se culpado
e foi condenado por destruir propriedade do governo, anunciaram
autoridades norte-americanas.
Num comunicado divulgado na segunda-feira, o Departamento de
Justiça dos Estados Unidos indicou que "um
imigrante ilegal de Portugal", de 30 anos, "declarou-se
culpado e recebeu uma sentença federal por destruir propriedade do governo".
O juiz Charles Austin condenou o português a uma pena de prisão de 103 dias detido, entretanto
"já cumprida" enquanto aguardava o julgamento.
O imigrante foi condenado por "usar a sua carrinha para colidir
com veículos do governo enquanto tentava escapar de agentes de imigração".
O magistrado também ordenou
que o português, que acabou baleado pelos agentes de imigração durante a
operação, pague uma indemnização no valor de mil dólares (854 euros).
As acusações de resistência, oposição, obstrução ou
interferência com agentes federais foram retiradas após um acordo judicial
referente à acusação federal, noticiou esta terça-feira a rede CBS News.
Os procuradores federais pressionaram para que o português
cumprisse até seis meses de prisão por colocar em risco agentes federais, mas
os seus advogados pediram ao juiz que o sentenciasse ao tempo já cumprido, uma
vez que mais ninguém ficou ferido, ainda segundo a imprensa local.
O jovem ainda enfrenta processos de imigração que podem
levar à sua deportação.
De acordo com a declaração de culpa divulgada agora pelas
autoridades, em 24 de dezembro de 2025, agentes
do ICE realizaram uma abordagem de trânsito ao veículo do português.
Os agentes cercaram o veículo do imigrante e deram-lhe ordem
para que saísse da viatura, a qual se recusou a cumprir, segundo o comunicado
oficial do Departamento de Justiça.
Na sequência, os polícias partiram o vidro da porta do
motorista e tentaram retirar o português à força.
Em resposta, o imigrante tentou fugir com a sua carrinha e
colidiu com os veículos dos agentes, causando danos nos mesmos.
Na ocasião, Tricia McLaughlin, secretária-adjunta do
Departamento de Segurança Interna, afirmou, em comunicado, que os agentes
federais abordaram uma carrinha com dois homens indocumentados na cidade de
Glen Burnie, no condado de Anne Arundel.
O português e o outro passageiro da carrinha foram
hospitalizados, em estado considerado estável.
"Eu estava com medo. Vi armas. Não tinha certeza se
eram da polícia ou da imigração", disse o português no tribunal na
segunda-feira, segundo o jornal local The Baltimore Banner.
"Pensei que ia morrer”, acrescentou.
Segundo registos judiciais, os
danos causados nos veículos dos agentes de imigração totalizaram 17 mil dólares (cerca de 15 mil euros).
De acordo com dados dos serviços de imigração, o português
chegou aos Estados Unidos em 2008 e frequentou o ensino secundário em Nova
Jérsia antes de se mudar para a região de Baltimore em 2020.
Trabalhou em diversas profissões, comprou uma casa e estava
a tomar medidas para se tornar cidadão norte-americano, segundo documentos
judiciais citados pela CBS News.
"Este caso faz parte da Operação Retomar a América, uma
iniciativa nacional que mobiliza todos os recursos do Departamento de Justiça
para repelir a invasão da imigração ilegal, alcançar a eliminação total dos
cartéis e das organizações criminosas transnacionais e proteger as nossas
comunidades dos autores de crimes violentos", diz o comunicado difundido
pelo Departamento de Justiça.
Fonte: CNN Portugal, 28 de abril de 2026

Comentários
Enviar um comentário