Trump garante não ter pressa para alcançar acordo com o Irão
O
presidente dos EUA expressou ainda o seu descontentamento com os aliados
europeus e a NATO, que acusou de não terem prestado o apoio necessário à
contenção do regime iraniano
O presidente norte-americano Donald Trump garantiu este
domingo, 26 de abril, não ter pressa num novo acordo com o Irão, estando a
estratégia de pressão máxima do seu governo a asfixiar a economia iraniana e a
sua capacidade operacional.
Numa entrevista concedida ao canal televisivo Fox News,
Trump afirmou que o tempo está a favor de Washington.
O chefe de Estado norte-americano indicou que, embora os
canais de comunicação com Teerão permaneçam abertos através de aliados como o
Paquistão, não sente urgência em sentar-se à mesa das negociações de imediato.
Reiterou também que o seu principal objetivo continua a ser
impedir que a República Islâmica desenvolva armamento atómico, classificando
tal possibilidade como uma ameaça existencial à estabilidade global.
“Não podemos permitir que o
Irão possua armas nucleares em circunstância alguma. Eles usariam essas armas e
poriam em perigo Israel, a Europa e os próprios Estados Unidos. Estamos a prestar um serviço ao
mundo ao impedir isso”, sustentou.
A entrevista serviu igualmente para Trump expressar o seu
descontentamento com os aliados europeus e a NATO (Organização do Tratado do
Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental), que acusou de não terem prestado o
apoio necessário à contenção do regime iraniano, apesar dos “biliões de
dólares” que os Estados Unidos investem na proteção da Europa contra a Rússia.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um
ataque militar ao Irão, que justificaram com a
inflexibilidade da República Islâmica nas
negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa
nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o estreito de
Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel,
bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia
Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e
Iraque.
Washington e Teerão acordaram em 7 de abril um cessar-fogo
de duas semanas, para negociações assentes num plano de dez pontos de Teerão
para pôr fim a 40 dias de guerra.
O cessar-fogo foi prorrogado em 21 de abril por Trump, horas
antes de expirar, para que o Irão apresente o seu plano, que prevê o
levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas
norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir
armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou a prorrogação
do cessar-fogo, afirmando tratar-se de “um passo importante rumo ao
apaziguamento e à criação de um espaço fundamental para a diplomacia e a
construção de confiança entre o Irão e os Estados Unidos”.
Entretanto, Teerão mantém o bloqueio do estreito de Ormuz,
por onde passa 20% do crude mundial, e Washington, por sua vez, impede a
passagem de navios que tenham como origem ou destino portos iranianos.
Fonte: Diário de Notícias, 26 de abril de 2026

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