Acabou: uma das mulheres mais procuradas da Europa condenada por atividades ao leme de grupo de extrema-esquerda
Uma mulher suspeita de pertencer a um grupo militante de
esquerda alemão, que já foi considerada uma das mulheres mais procuradas da
Europa, foi condenada a 13 anos de prisão por crimes cometidos enquanto
foragida.
O tribunal regional de Verden, na Baixa Saxónia, considerou
Daniela Klette, de 67 anos, culpada de múltiplos crimes de roubo qualificado,
extorsão e posse ilegal de armas, delitos cometidos entre 1999 e 2016, período
em que esteve fugida às autoridades após a dissolução oficial do grupo
militante Fração do Exército Vermelho (RAF).
Consta que Klette cometeu estes crimes em conjunto com dois
alegados cúmplices, Ernst-Volker Staub e Burkhard Garweg. Ambos são também
ex-membros da RAF e continuam em fuga.
A sentença provocou indignação entre alguns espectadores
presentes no tribunal, que gritaram "Liberdade para Daniela",
informou a estação alemã Deutsche Welle. Segundo a estação, Klette conta
com o apoio de alguns círculos de extrema-esquerda do país.
Klette ainda não foi julgada nem sentenciada pelos crimes
que alegadamente cometeu enquanto servia na RAF, os quais serão tratados num
processo judicial separado. Ela não admitiu explicitamente ter sido membro da
RAF.
A RAF, também conhecida como grupo Baader-Meinhof, surgiu de um movimento estudantil de esquerda radicalizado na Alemanha Ocidental, no final da década de 1960. O grupo cometeu crimes violentos ao longo das décadas de 1970 e 1980, incluindo atentados bombistas, raptos e tiroteios, com o objetivo de desmantelar o sistema capitalista e o que consideravam ser o imperialismo ocidental.
Brian Eno (com a participação da dupla Snatch) single colaborativo de 1978 “R.A.F.” (“Red Army Faction”), lançado como lado B do single “King’s Lead Hat”, de Eno. Tornou-se uma peça de culto do pós-punk experimental, marcada pelo uso de loops de fita, colagens sonoras e “sons encontrados” (“found sound”).
“R.A.F.”
Lançamento: janeiro de 1978
Músicos: Brian Eno (produção e loops de fita), Judy Nylon (voz), Patti Palladin (voz), Phil Collins (bateria), Percy Jones (baixo) e Paul Rudolph (guitarra).
O lado A do single era “King’s Lead Hat” — um anagrama de “Talking Heads”, banda com a qual Eno começava então a colaborar. Já o lado B, “R.A.F.”, seguia um caminho muito mais sombrio e experimental, aproximando-se da estética proto-industrial e da colagem sonora política.
A faixa incorpora gravações reais relacionadas com a crise do voo 181 da Lufthansa, sequestrado em outubro de 1977 por militantes palestinianos aliados da organização alemã ocidental Red Army Faction (RAF), também conhecida como grupo Baader-Meinhof. Entre os excertos utilizados encontram-se transmissões radiofónicas e mensagens ligadas às exigências dos sequestradores para a libertação de membros da RAF presos na Alemanha Ocidental. Esses fragmentos são sobrepostos a uma batida hipnótica e minimalista, criando uma atmosfera tensa e claustrofóbica.
Quem eram as Snatch?
Snatch foi uma influente dupla anglo-americana de pós-punk formada em Londres por Judy Nylon e Patti Palladin, associada tanto à cena punk londrina como às correntes No Wave e art-rock de Nova Iorque.
Judy Nylon foi uma figura importante das cenas artísticas de Londres e Nova Iorque nos anos 70, tendo servido de inspiração para “Back in Judy’s Jungle”, de Brian Eno. Nylon cantou também – ou melhor, falou – na canção de John Cale, The Man Who Couldn’t Afford To Orgy (com G forte), do álbum Fear.
Patti Palladin, artista americana expatriada, colaborou posteriormente com músicos como Johnny Thunders e com os The Flying Lizards.
Além da colaboração com Eno, as Snatch ficaram conhecidos no circuito underground por temas como “All I Want” e pela coletânea Snatch and Other Stories, lançada em 1981, que consolidou a reputação cult da dupla dentro do pós-punk experimental.
Políticos da Alemanha Ocidental, bem como figuras
proeminentes do mundo bancário, militar e empresarial, foram visados, e 34
pessoas foram mortas, incluindo o presidente do Dresdner Bank, Jürgen Ponto, e
o procurador-federal Siegfried Buback.
Apesar de ser a única mulher classificada como
"perigosa" na lista dos mais procurados da Europol, conseguiu escapar
à deteção das autoridades durante quase metade da sua vida.
Klette esteve em fuga durante quase 30 anos até que, em
fevereiro de 2024, foi localizada e detida num bairro de Berlim, onde vivia há
anos uma vida aparentemente normal sob o nome falso de Claudia Ivone.
Fonte: CNN Portugal, 27 de
maio de 2026

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