Acordo com o fisco dos EUA trava inspeções fiscais a Trump e família
Na terça-feira, o Departamento de Justiça dos EUA publicou
de forma discreta um aditamento adicional relacionado com o acordo entre o
presidente Donald Trump e o fisco norte-americano.
O documento, de uma página, surgiu um dia depois de as
autoridades divulgarem um acordo separado, de nove páginas, ligado ao processo
de 10 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros) de Trump, intentado em
janeiro contra a agência federal devido à fuga das suas declarações fiscais.
De acordo com o aditamento, o
IRS fica "para sempre impedido e proibido" de "processar ou
prosseguir quaisquer reclamações [...] recursos [...] inspeções [...]" ao
presidente dos EUA, a "pessoas relacionadas ou afiliadas" e a
fiduciárias e empresas associadas.
A renúncia aplica-se a todas as declarações fiscais entregues antes de o acordo ter entrado oficialmente em vigor, na segunda-feira.
O aditamento, datado de terça-feira, foi assinado pelo
procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche. O documento não inclui
assinaturas de responsáveis do fisco nem dos advogados que atualmente
representam Trump.
Blanche não figurava entre os signatários do acordo inicial
divulgado um dia antes. Esse documento foi assinado pelo procurador-geral
adjunto dos EUA, Stanley Woodward, pelo diretor da autoridade tributária dos
EUA, Frank Bisignano, e pelo advogado de Trump, Daniel Epstein.
O Departamento de Justiça dos EUA não explicou porque é que
a renúncia não foi incluída no acordo divulgado na segunda-feira, nem porque
não foi assinada pelas mesmas pessoas, limitando-se a afirmar que, "como é
habitual nos acordos, ambas as partes assinaram renúncias a uma variedade de
ações que foram ou poderiam ter sido intentadas [...]".
"Pouco sentido faria resolver várias ações importantes
se qualquer das partes pudesse simplesmente voltar atrás e tentar iniciar novas
ações desfavoráveis que poderiam ter sido prosseguidas anteriormente",
lê-se ainda na nota.
"Isto diz apenas respeito a auditorias em curso, não a
futuras", conclui.
O novo aditamento divulgado alarga de forma significativa o
alcance do acordo inicial e reacendeu o debate sobre a independência do IRS e a
extensão dos poderes do executivo.
Estados Unidos: fundo "Anti-Weaponization"
alimenta reação política
Antes deste aditamento controverso, o próprio processo já
tinha gerado grande polémica por Trump estar, na prática, a processar uma
agência federal que, em última análise, integra o ramo executivo que ele lidera
como presidente.
Embora o fisco funcione com um certo grau de independência
institucional no âmbito do Departamento do Tesouro dos EUA, críticos afirmam
que o caso criou uma situação inédita em que um presidente em funções estava
envolvido num litígio contra uma agência supervisionada pela sua própria
administração.
As preocupações aumentaram depois de a administração ter
negociado um acordo que não só resolveu o processo e agora impõe amplas
restrições a futuras ações do fisco relacionadas com Trump e a sua família,
como também criou um fundo "Anti-instrumentalização" de 1,776 mil
milhões de dólares (1,52 mil milhões de euros), financiado com dinheiro dos
contribuintes.
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o fundo destina-se a indemnizar pessoas que considerem
ter sido alvo de investigações ou processos de motivação política.
Democratas e organizações de ética na administração pública
têm criticado a estrutura e a supervisão do fundo, argumentando que as regras
de governação continuam pouco claras, enquanto Blanche defendeu a legalidade do
acordo durante uma audição no Congresso, na terça-feira.
O acordo aumentou o escrutínio sobre a forma como a
administração Trump gere litígios envolvendo agências federais, sobretudo os
relacionados com as finanças e as questões fiscais do presidente, numa altura
em que também cresceram as alegações de uso de informação privilegiada.
Fonte: Euronews, 20 de maio de 2026


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