Administração Trump acelera vendas de armas no valor de 8 mil milhões de dólares a países do Médio Oriente

A administração Trump acelerou a venda de armas no valor de milhares de milhões de dólares a Israel, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, de acordo com comunicados divulgados pelo Departamento de Estado dos EUA na sexta-feira.

No total, as armas estão avaliadas em mais de 8 mil milhões de dólares. Incluem sistemas de defesa aérea para o Kuwait e o Catar, e foguetes guiados a laser para o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Israel.

Entre as vendas ao Catar estão mísseis Patriot. Um relatório de abril do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais revelou que os stocks de mísseis Patriot dos EUA tinham sido significativamente reduzidos por semanas de guerra com o Irão.

Para justificar o facto de o Departamento de Estado ter contornado o Congresso para aprovar as vendas de armas, cada comunicado afirma que o secretário de Estado Marco Rubio "determinou e apresentou uma justificação detalhada de que existe uma emergência que requer a venda imediata" das armas a esses países.

Não é a primeira vez, desde o início da guerra com o Irão, que a administração invoca uma emergência para contornar a revisão do Congresso relativamente à venda de armas.

No início de março, o Departamento de Estado tomou uma decisão de emergência para contornar o Congresso e vender imediatamente 12 000 bombas a Israel. Mais tarde nesse mês, Rubio declarou uma emergência e acelerou uma venda de armas no valor de vários milhares de milhões de dólares aos Emirados Árabes Unidos e ao Kuwait, juntamente com apoio em termos de aeronaves e munições para a Jordânia.

Fonte: CNN Portugal, 2 de maio de 2026

Em todas as guerras, no meio da morte e da destruição, emergem relatos de milagres e de resiliência socioeconómica que reavivam a confiança na humanidade.

Entre Gaza, a Ucrânia, o Sudão ou os espaços difusos da guerra bicéfala (Netanyahu / Trump) direta contra o Irão, repete-se um padrão virtuoso na sua persistência: enquanto a máquina da destruição opera com eficiência industrial — bombardeamentos, cercos, colapso logístico, pirataria, bloqueios —, irrompem pequenas anomalias que insistimos em chamar “milagres”. Uma criança retirada viva de debaixo de escombros dias depois, um médico que continua a operar sem luz nem anestesia, vizinhos que partilham a última garrafa de água, uma salvadora venda de armas, como se a vida decorresse normalmente. Não se trata de exceções que redimem o poder supremo, mas de resíduos humanos que ele não consegue eliminar por completo. A guerra contemporânea, altamente tecnologizada, produz simultaneamente a máxima despersonalização e estes microgestos de resistência quase primitiva — como se, no limite da desagregação, o humano reaparecesse na sua forma mais elementar. Há aqui uma ironia confortável: quanto mais total é a catástrofe, mais valorizamos estes episódios mínimos, convertendo-os em narrativa jornalística, em prova de que “a humanidade resiste”.

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