André investigado por "incidente com uma mulher" em 2002
Sob investigação pela polícia britânica devido às suas
ligações a Jeffrey Epstein, André Mountbatten-Windsor enfrenta novas alegações,
desta feita uma acusação de que se terá comportado
de forma inadequada para com uma
mulher no Royal Ascot.
A notícia foi adiantada pela edição do jornal britânico The
Times, que explicita que o incidente terá ocorrido na edição de 2002 da
famosa corrida de cavalos, um dos mais importantes eventos do calendário de
verão da família real britânica. Tratando-se do ano do seu Jubileu de Ouro, a
rainha Isabel II — mãe de André — também marcou presença em Berkshire.
De acordo com o The Times, não é sabido para já se
esta denúncia sobre o alegado incidente no Royal Ascot de 2002 foi comunicada à
polícia na altura dos factos ou mais recentemente. “Não podemos entrar em
pormenores sobre a investigação em curso, mas estamos a seguir todas as pistas
razoáveis”, respondeu uma porta-voz ao jornal.
Estes desenvolvimentos surgem na sequência de um comunicado
emitido pela polícia do Vale do Tamisa esta sexta-feira, apelando a “qualquer pessoa” com informações relevantes sobre a alegada “má conduta” sexual,
corrupção, fraude ou partilha de dados confidenciais de André
Mountbatten-Windsor para entrar em contacto com as autoridades.
Segundo as diretrizes do Ministério Público britânico, as
infrações enumeradas no comunicado da polícia do Vale do Tamisa podem “ser
enquadradas na categoria mais ampla de conduta imprópria no exercício de
funções públicas”, podendo configurar um crime de abuso de poder. Por essa
mesma razão, o Times adianta que os investigadores estão a fazer
pente-fino a uma lista de testemunhas-chave — que inclui ex-ministros e
funcionários da Casa Real — para reunir provas sobre o mandato de dez anos de
André como enviado comercial do governo.
Segundo o que a polícia do Vale do Tamisa adiantou esta
sexta-feira, parte da sua atenção também recai em suspeitas relacionadas com a
sua proximidade a Jeffrey Epstein — inclusive a alegação de que uma mulher terá sido levada, em 2010, para uma moradia em
Windsor, propriedade da Família Real, “para fins sexuais”. Esta, todavia, não
se trata ainda de uma investigação criminal completa, adianta o The Guardian.
André Mountbatten-Windsor foi detido em fevereiro no dia em
que fez 66 anos por suspeita de “má conduta no exercício de cargos públicos”,
na sequência da divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de
documentos ligados ao caso Epstein, que vieram tornar mais clara a relação
entre o milionário norte-americano que morreu numa cela de prisão acusado de
crimes sexuais e o ex-príncipe.
O membro da família real britânica foi interrogado e
libertado sob investigação no próprio dia. Na sequência da detenção, foram
realizadas buscas na sua casa em Sandringham, em Norfolk, e na sua antiga
residência em Royal Lodge, em Berkshire. Desde então, a polícia britânica
afirma estar a colaborar com os Estados Unidos para recolher informações que
possam estar relacionadas com o caso, bem como com o Crown Prosecution Service
(CPS) do Reino Unido, de quem procurou obter aconselhamento preliminar devido à
natureza “grave, complexa e sensível” da investigação.

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