Chéquia está farta de ver os generais russos a "rirem-se" da NATO e pede à aliança que "mostre os dentes" a Moscovo
Maria Talanova influenciadora digital e modelo internacional
russa
O
presidente da Chéquia, Petr Pavel, pediu à NATO que “mostre os dentes” à
Rússia, na sequência das repetidas tentativas de Moscovo de testar a
determinação da aliança atlântica
Em declarações ao The Guardian, o líder checo
mostrou-se frustrado com a “falta de determinação” dos EUA para continuar a
pressionar o regime russo, apelando a uma resposta “suficientemente decisiva”, admitindo mesmo uma retaliação “assimétrica”, se
necessário.
Desligar a internet, cortar
os bancos russos dos sistemas financeiros globais e abater aeronaves que violem
o espaço aéreo aliado são tudo
opções em aberto para Pavel, mesmo que isso possa implicar retaliações mais
agressivas por parte do Kremlin.
“A Rússia, infelizmente, não entende uma linguagem cordial.
Eles entendem sobretudo a linguagem da força, idealmente acompanhada de ação.
Se as violações do espaço aéreo da NATO continuarem, teremos de tomar a decisão
de abater uma aeronave, tripulada ou não tripulada”, afirmou.
Apesar de descartar medidas ofensivas que se traduzam na
morte de pessoas, Pavel concorda com a adoção de ações “suficientemente
decisivas para fazer a Rússia perceber que este não é o caminho que deve
seguir”.
E detalhou mais duas propostas: “Por exemplo, desligar a
internet ou os satélites - viu-se a diferença que o Starlink faz no campo de
batalha - ou cortar os bancos russos do sistema financeiro.”
O apelo a uma postura mais firme dos membros da NATO surge
depois de Pavel reconhecer que há líderes
militares a “rir-se” da paralisia
na tomada de decisões do coletivo militar.
“Quando lhes perguntei porque lançam estas ações
provocatórias no ar, aproximações ou sobrevoos próximos de navios de guerra no
Mar Negro ou no Mar Báltico, a resposta deles foi: ‘Porque podemos’. É
exatamente esse tipo de comportamento que estamos a permitir”, sublinhou o
antigo presidente do comité militar da NATO com
anos de experiência em contactos com Moscovo.
Segundo o presidente da Chéquia, a Rússia terá aprendido a
lidar com os mecanismos da aliança, após a anexação ilegal da Crimeia em 2014, agindo de maneira a “quase atingir o limiar do Artigo 5.º
da NATO” - que define um ataque
armado contra um membro da aliança como um ataque a todos -, “mas mantendo-se
sempre ligeiramente abaixo desse nível”.
Embora o líder checo não se tenha referido explicitamente a
Donald Trump, por acreditar que qualquer crítica
direta aos Estados Unidos não
ajude neste momento, Petr Pavel disse em tempos à imprensa checa que Trump “fez
mais para minar a credibilidade da NATO nas últimas semanas do que Vladimir
Putin conseguiu em muitos anos”.
Mas mesmo com uma pressão dos EUA sobre Moscovo que diz ser
insuficiente, Pavel não poupa críticas à Europa, alegando que o velho
continente “espera sobretudo pelo que vem de Washington”. “Se não apresentarmos as nossas próprias propostas,
então parecemos fracos ou desorientados”, completou.
O dia ficou também marcado pelo fim da reunião dos ministros
dos Negócios Estrangeiros da NATO, que concluíram que a Europa tem mesmo de
ocupar o vazio norte-americano, depois de Washington confirmar que vai
continuar a reduzir tropas no continente.
Aos jornalistas, Mark Rutte reafirmou que “a trajetória”
seguida “é a de uma Europa mais forte e de uma NATO mais forte, garantindo que,
passo a passo, dependamos menos de um só aliado”, referindo-se aos EUA.
Fonte: CNN Portugal, 22 de maio de 2026

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